quarta-feira, 14 de novembro de 2012

Para se roubar um coração



É preciso que seja com muita habilidade, tem que ser vagarosamente, disfarçadamente, não se chega com ímpeto, não se alcança o coração de alguém com pressa.

Tem que se aproximar com meias palavras, suavemente, apoderar-se dele aos poucos, com cuidado. Não se pode deixar que percebam que ele será roubado, na verdade, teremos que furtá-lo, docemente.

CONQUISTAR um coração de verdade dá trabalho, requer paciência, é como se fosse tecer uma colcha de retalhos, aplicar uma renda em um vestido, tratar de um jardim, cuidar de uma criança.

É necessário que seja com destreza, com vontade, com ENCANTO, carinho e sinceridade.
Para se conquistar um coração definitivamente tem que ter garra e esperteza, mas não falo dessa esperteza que todos conhecem, falo da esperteza de sentimentos, daquela que existe guardada na alma em todos os momentos.

Quando se deseja realmente conquistar um coração, é preciso que antes já tenhamos conseguido conquistar o nosso, é preciso que ele já tenha sido explorado nos mínimos detalhes, que já se tenha conseguido conhecer cada cantinho, entender cada espaço preenchido e aceitar cada espaço vago.

E então, quando finalmente esse coração for conquistado, quando tivermos nos apoderado dele, vai existir uma parte de alguém que seguirá conosco.

Uma METADE de alguém que será guiada por nós e o nosso coração passará a bater por conta desse outro coração.
Eles sofrerão altos e baixos sim, mas com certeza haverá instantes, milhares de instantes de alegria.

Baterá descompassado muitas vezes e sabe por quê?
Faltará a metade dele que ainda não está junto de nós. Até que um dia, cansado de estar dividido ao meio, esse coração chamará a sua outra parte e alguém por vontade própria, sem que precisemos roubá-la ou furtá-la nos entregará a metade que faltava...

E é assim que se rouba um coração, fácil não? Pois é, nós só precisaremos roubar uma metade, a outra virá na nossa mão e ficará detectado um roubo então!

E é só por isso que encontramos tantas pessoas pela vida a fora que dizem que nunca mais conseguiram amar alguém...

É simples... é porque elas não possuem mais coração, eles foram roubados, arrancados do seu peito, e somente com um GRANDE AMOR ela terá um novo coração, afinal de contas, corações são para serem divididos, e com certeza esse grande amor repartirá o dele com você!.

Luís Fernando Verissimo

terça-feira, 13 de novembro de 2012

Escolha o meio-termo


Atire a primeira pedra quem nunca sofreu com variações de ânimo  e humor.
Pois é… altos e baixos são comuns e afetam quase todas as pessoas. A boa notícia é que dá pra atingir um meio-termo, uma situação gostosa e confortável.
Essa conquista depende somente de você.

O que nos leva aos baixos são os nossos próprios pensamentos, você sabia? Se eles são levados a sério, se materializam em atitudes e crenças, e causam sensações desagradáveis.
Em outras palavras: as variações de humor têm a ver com a maneira como vemos a vida.

Pense, por exemplo, na atitude que você nutre em relação a si mesma. O que mais deprime você é a auto condenação.
Você ignora suas vontades e sentimentos, e abre mão da própria natureza para seguir um modelo que a sociedade estabeleceu. Assim, você se sabota e se torna uma pessoa infeliz.

Não, não e não! É hora de ir contra tudo isso. De uma vez por todas, fique do seu lado.
O importante é o que você sente, e não o “certo” que o sistema insiste em nos impor.
Comece — agora — a dizer a si mesma como você é boa. Observe suas conquistas e reconheça que você merece parabéns.
Cultive a auto-aceitação. Jogue fora aquele eterno “eu deveria” e tenha a certeza de que não há nada de errado em você. Só de fazer isso você irá se levantar na hora.
É impressionante como esses atos nos livram dos pensamentos negativos.

Já os momentos de ânimo devem ser vistos com cuidado — alguns deles costumam ser falsos. Pode reparar: eles vêm logo depois dos baixos, em forma de euforia. Por exemplo: aquela pessoa que usa o cartão de crédito loucamente, achando que irá resolver todas as mágoas. Depois ela se arrepende, é claro. E o pior: fica novamente deprimida.
O que eu quero que você entenda, é que precisamos adotar uma posição central, sempre! Como conseguir isso? Tente não querer ser mais. Assuma seus erros com leveza. Ria de si. Seja sua grande amiga. Diga em alto e bom som:

“Não quero ser a mais perfeita. Quero ficar numa boa comigo. Não vou mais carregar o mundo. Livro-me do que os outros esperam de mim. Tiro o papel de maravilhosa. Jogo fora! Vou ficando num ponto tranqüilo dentro de mim — calma, lúcida…
Agora, observo tudo com moderação, com cuidado. Olho bem as coisas para ver como elas realmente são. Depois dessa análise é que tomo uma atitude”.

E então, encontrou a chave do equilíbrio? É isso: preocupe-se apenas com a sua sensação.
Se você adotar o “me encontrei, me senti”, alcançará a harmonia que tanto busca.
Purifique-se! Isso significa estar consciente, calma e com boa-vontade em relação a você e a tudo que faz bem à sua alma. Livre-se da vontade de ficar mal.

É preciso enxergar bem os prejuízos para ter a certeza de que algo é ruim. Assim também ocorre com o que causa bem-estar e nos traz benefícios.
Tudo pode ser importante: depende do momento. Nenhum comportamento é inteiramente mal ou bom.
O importante é saber diferenciar, ter moderação.
Coloque-se em paz com o universo e com a vida.
Queira bem a si mesma em todas as situações e entenda que cada situação tem a própria hora de acontecer. Respeitar o fluxo da vida é a única maneira de alcançar o equilíbrio.

Por Redação AnaMaria - Luiz Gasparetto

segunda-feira, 12 de novembro de 2012

O corrupto


Padre Vieira, em São Luís do Maranhão, no sermão em homenagem à festa de santo Antônio, em 1654, indagava: "O efeito do sal é impedir a corrupção, mas quando a terra se vê tão corrupta como está a nossa, havendo tantos nela que têm ofício de sal, qual será, ou qual pode ser a causa desta corrupção?" 
A seu ver, havia duas causas principais: a contradição de quem deveria salgar e a incredulidade do povo diante de tantos atos que não correspondiam às palavras.

O corrupto caracteriza-se por não se admitir como tal. Esperto, age movido pela ambição de dinheiro. Não é propriamente um ladrão. Antes, trata-se de um requintado chantagista, desses de conversa frouxa, sorriso amável, salamaleques gentis.

O corrupto não se expõe; extorque. Considera a comissão um direito; a porcentagem, pagamento por seus serviços; o desvio, forma de apropriar-se do que lhe pertence. Bobos são aqueles que fazem tráfico de influência sem tirar proveito.

Há muitos tipos de corruptos... 
O corrupto oficial é aquele que se vale de uma função público para tirar proveitos a si, à família e aos amigos. Troca a placa do carro, embarca a mulher com passagem custeada pelo erário, faz gastos e obriga o contribuinte a pagar. Considera natural o superfaturamento, a ausência de licitação, a concorrência com cartas marcadas.

A lógica do corrupto é corrupta: "Se não faço, outro leva vantagem em meu lugar". Seu único temor é ser apanhado em flagrante delito. Não se envergonha de se olhar no espelho, apenas teme ver seu nome estampado nos jornais. Confiante, jamais imagina a filha pequena a indagar-lhe: "Papai, é verdade que você é corrupto?"

O corrupto não sente nenhum escrúpulo em receber caixas de uísque no Natal, presentes caros de fornecedores ou andar de carona em jatinhos de empresários. Afrouxam-lhe com agrados e, assim, ele afrouxa a burocracia que retém as verbas públicas.

Há o corrupto privado. Nunca menciona quantias, tão-somente insinua, cauteloso, como se convencido de que cada uma de sua palavras estão sendo registradas por um gravador. Assim, ele se torna o rei da metáfora. Nunca é direto. Fala em circunlóquios, seguro de que o interlocutor saberá ler nas entrelinhas.

O corrupto franciscano pratica o toma lá, dá cá. Seu lema é "quem não chora, não mama". Não ostenta riquezas, não viaja ao exterior, faz-se de pobretão para melhor encobrir a maracutaia. É o primeiro a indignar-se quando o assunto é a corrupção que grassa pelo país.

O corrupto exibido gasta o que não ganha, constrói mansões, enche o latifúndio de bois, convencido de que puxa-saquismo é amizade e sorriso cúmplice, cegueira. Vangloria-se em sua astúcia em enganar a esposa e mentir aos colegas.

O corrupto nostálgico orgulha-se do pai ferroviário, da mãe professora, de sua origem humilde na roça, mas está intimamente convencido de que, tivessem as mesmas oportunidades de meter a mão na cumbuca, seus antepassados não deixariam passar.

O corrupto não sorri, agrada; não cumprimenta, estende a mão; não elogia, incensa; não possui valores, apenas saldo bancário. Se tal modo se corrompe que nem mais percebe que é um corrupto. Julga-se um negocista bem sucedido.

Melífluo, o corrupto é cheio de dedos, encosta-se nos honestos para se lhe aproveitar a sombra, trata os subalternos com uma dureza que o faz parecer o mais íntegro dos seres humanos. Aliás, o corrupto acredita piamente que todos o consideram de uma lisura capaz de causar inveja em madre Teresa de Calcutá.

O corrupto julga-se dotado de uma inteligência que o livra do mundo dos ingênuos e torna mais arguto e esperto do que o comum dos mortais.

Frei Betto

Recebemos o dom de uma vida longa

No âmbito do Ano europeu do envelhecimento ativo e da solidariedade entre as gerações, Bento XVI realizou  uma visita a um Lar da Terceira Idade e dirigiu-lhes a palavra, alargando o seu horizonte a todas as pessoas de idade, sublinhando que são um valor para a sociedade:
 Precisamente neste contexto, desejo reafirmar que os idosos são um valor para a sociedade, sobretudo para os jovens”. “Não pode haver verdadeiro crescimento humano e educação sem um contacto fecundo com os idosos, porque a sua própria existência é como um livro aberto no qual as jovens gerações podem encontrar preciosas indicações para o caminho da vida”.

“Esta manhã, dirigindo-me idealmente a todos os idosos, embora consciente das dificuldades que a nossa idade comporta, quereria dizer-vos com profunda convicção: é belo sermos idosos. (…) Recebemos o dom de uma vida longa. Viver é belo também na nossa idade, não obstante algum “achaque” e alguma limitação. Que no vosso rosto haja sempre a alegria de nos sentirmos amados por Deus, nunca a tristeza”.

“A qualidade de uma sociedade, gostaria de dizer de uma civilização, julga-se também pela forma como os idosos são tratados e pelo lugar que lhes é reservado na vida em comum. 
Quem dá espaço aos idosos dá espaço à vida”, advertiu o Papa, com 85 anos de idade, nos jardins da residência, perante hóspedes, voluntários e membros da comunidade.

Bento XVI deixou votos de que as famílias e instituições públicas façam mais para que os idosos “possam permanecer nas suas próprias casas”, defendendo que os mais velhos representam “uma grande riqueza” por causa da sua sabedoria de vida. “Conheço bem as dificuldades, os problemas e limites desta idade e sei que estas dificuldades, para muitos, são agravados pela crise econômica”, precisou.

O Papa lamentou que numa sociedade “dominada pela lógica da eficiência e do lucro” não se saiba acolher os idosos, considerados como “não produtivos, inúteis”. 
“Muitas vezes, sente-se o sofrimento de quem é marginalizado, vive longe da sua própria casa ou está na solidão”, prosseguiu.

Entre os presentes estavam idosos do Haiti, que ficaram sem casa após o sismo de 2010. 
Bento XVI apresentou-se como bispo de Roma mas também como “um idoso” que visita pessoas da sua idade.

“Por vezes, numa certa idade, volta-se o olhar para o passado, lamentando o tempo em que se era jovem, se tinha energia fresca, se faziam planos para o futuro. Assim, o olhar turva-se de tristeza, considerando esta fase da vida como o tempo do entardecer”, observou o Papa, que lembrou que na Bíblia a longevidade era considerada “uma bênção de Deus” que hoje tem de se “apreciar e valorizar”.

“Caras irmãs e irmãos idosos, por vezes os dias parecem longos e vazios, com dificuldades, poucos compromissos e encontros: nunca percais a coragem, vós sois uma riqueza para a sociedade, também no sofrimento e na doença. E esta fase da vida é um dom também para aprofundar a relação com Deus. O exemplo do Beato João Paulo II foi e é ainda iluminante para todos nós.”

Papa Bento XVI - Spe Deus

domingo, 11 de novembro de 2012

Aprender a agradecer

Se oferecermos algo a um pobre, esperamos que ele nos agradeça.
Se fizermos um favor a alguém esperamos, como é lógico, que nos agradeça. 
Existe um acordo secreto entre nós, uma regra não escrita, óbvia, aceite por todos: mesmo para um serviço de pouca conta é preciso agradecer.
É justo e é um dever agradecer. 
Mas porque é que esta regra não funciona também na nossa relação com Deus? Porque é que tão raramente agradecemos a Deus? Parece que não recebemos nada Dele.

Devemos admitir que o nosso comportamento para com Deus é absurdo. 
Somos grandes exploradores de Deus: continuamos a receber os Seus dons, mas nunca nos lembramos de agradecer-Lhe.
Acabei de receber um dom e já levanto os braços para receber outro e nem sequer sinto a necessidade de guardar por um momento o dom recebido e agradecer ao Senhor.
Estou tão ocupado em receber que não tenho tempo para agradecer. 
Sou uma criança malcriada, estúpida e egoísta, que pensa só em receber e nunca em dar.

Deus não quer nada em troca por tudo aquilo que me dá, o que, aliás, seria impossível, mas deseja que, pelo menos, perceba que tenho as mãos cheias dos Seus dons e que reconheça a Sua bondade dizendo-Lhe "obrigado"...
Deus não precisa do agradecimento, mas deseja que Lhe agradeçamos para nos educar, para nos libertar da nossa ignorância e superficialidade.

É verdade, Senhor, que nunca me lembro de Vos agradecer.
É grande a minha ingratidão para Convosco.
Mas hoje quero agradecer-Vos e nunca mais deixar
que os dons do Vosso amor passem despercebidos.
Obrigado, Senhor.

Padre Leone Orlando 

"Calma, deixa correr o tempo"

Estás intranqüilo?

– Olha: aconteça o que acontecer na tua vida interior ou no mundo que te rodeia, nunca te esqueças de que a importância dos acontecimentos ou das pessoas é muito relativa. –

Calma. Deixa correr o tempo; e, depois, olhando de longe e sem paixão os fatos e as pessoas, adquirirás a perspectiva, porás cada coisa no seu lugar e de acordo com o seu verdadeiro tamanho.
Se assim fizeres, serás mais justo e evitarás muitas preocupações.

Não vos assusteis nem temais nada, mesmo que as circunstâncias em que trabalheis sejam tremendas, piores que as de Daniel no fosso com aqueles animais vorazes.
As mãos de Deus continuam a ser igualmente poderosas e, se fosse necessário, fariam maravilhas.
Sede fiéis!
Com uma fidelidade amorosa, consciente, alegre, à doutrina de Cristo, persuadidos de que os anos de agora não são piores do que os dos outros séculos e de que o Senhor é o mesmo de sempre.

Conheci um sacerdote já ancião, que afirmava, sorridente, de si mesmo: eu estou sempre tranqüilo, tranqüilo.
E assim temos de nos encontrar sempre nós, metidos no mundo, rodeados de leões famintos, mas sem perder a paz: tranqüilos!
Com amor, com fé, com esperança, sem esquecer jamais que, se for conveniente, o Senhor multiplicará os milagres. (Amigos de Deus, 105)

S. Josemaria

sábado, 10 de novembro de 2012

Decidindo o destino alheio

 
Malba Tahan conta a história de um homem que encontrou um anjo no deserto, e lhe deu água.
-"Sou o anjo da morte e vim buscá-lo", disse o anjo. 
-"Mas como você foi bom, vou lhe emprestar o Livro do Destino por cinco minutos; você pode alterar o que quiser".

O anjo entregou o livro. Ao folhear suas páginas, o homem foi lendo a vida dos seus vizinhos. 
Ficou descontente: -“estas pessoas não merecem coisas tão boas", pen­sou... 
De caneta em punho, começou piorar a vida de cada um.

Finalmente, chegou na página de seu destino. 
Viu seu final trági­co, mas quando preparava-se para mudá-lo, o livro sumiu. 
Já se tinham passado cinco minutos.

E o anjo, ali mesmo, levou a alma do homem.

Paulo Coelho

sexta-feira, 9 de novembro de 2012

O Aleph

William Blake costumava dizer: “podemos ver o infinito em um grão de areia, e a eternidade em uma flor”. Na verdade, basta um simples momento de harmonia interior para que isso aconteça.

O grande problema reside aí: quase nunca nos permitimos atingir este estado – o momento presente em toda a sua glória.

Às vezes, ele se apresenta de maneira completamente casual. Você está andando em uma rua, senta-se em determinado lugar, e de repente o universo inteiro está ali. A primeira coisa que surge é uma imensa vontade de chorar – não de tristeza nem de alegria, mas de emoção. Você sabe que está compreendendo algo, mesmo que não consiga explicar sequer para si mesmo.

Na tradição mágica, este tipo de percepção é conhecido como “mergulhar no Aleph”. O ser humano tem uma gigantesca dificuldade em concentrar-se no momento de agora; está sempre pensando no que fez, em como poderia ter feito melhor, quais as conseqüências dos seus atos, por que não agiu como devia ter agido. Ou então se preocupa com o futuro, o que vai fazer amanhã, que providências devem ser tomadas, qual o perigo que o espera na esquina, como evitar o que não deseja e como conseguir o que sempre sonhou.

Portanto, você começa a se perguntar; existe realmente algo errado?

Sim, existe. O nome disso é rotina. Você acha que existe porque está infeliz. Outras pessoas existem em função de seus problemas; vivem falando compulsivamente a respeito – problemas com filhos, maridos, escola, trabalho, amigos.

Não param para pensar: eu estou aqui. Sou resultado de tudo que aconteceu e acontecerá, mas estou aqui. Se existe algo errado que fiz, posso corrigir ou pelo menos pedir perdão. Se existe algo correto, isso me deixa mais feliz e conectado com o momento de agora.

Concentre-se em seu Aleph, e verá que um pouco de confiança na vida não faz nenhum mal – muito pelo contrário, irá lhe permitir experimentar tudo com muito mais intensidade. Essas coisas que perturbam seu verdadeiro encontro com a vida estão naquilo que você chama de “passado”, e aguardam uma decisão naquilo que você chama de “futuro”. Elas entorpecem, poluem, e não lhe deixam entender o presente. Trabalhar apenas com a experiência é repetir soluções velhas para problemas novos. 
Conheço muita gente que só consegue ter uma identidade própria quando começam a falar de seus problemas. Porque estes problemas estão ligados ao que julgam “sua história”.

O fundador da arte marcial conhecida como Aikido, Morihei Ueshiba dizia:

“A busca da paz é uma maneira de rezar, que termina gerando luz e calor. 
Esqueça um pouco de si mesmo, saiba que na luz está a sabedoria, e no calor reside a compaixão. 
Ao caminhar por este planeta, procure notar a verdadeira forma dos céus e da terra; isso é possível se você não se deixar paralisar pelo medo, e decidir que todos os seus gestos e atitudes corresponderão àquilo que você pensa.”

Se você confiar na vida, a vida confiará em você.

Paulo Coelho

Sobre a morte


... Sinto-me às vezes tocado, não sei porquê, de um prenúncio de morte. Ou seja uma vaga doença, que se não materializa em dor e por isso tende a espiritualizar-se em fim, ou seja um cansaço que quer um sono tão profundo que o dormir lhe não basta — o certo é que sinto como se, no fim de um piorar de doente, por fim largasse sem violência ou saudade as mãos débeis de sobre a colcha sentida.
Considero então que coisa é esta a que chamamos morte. 
Não quero dizer o mistério da morte, que não penetro, mas a sensação física de cessar de viver. 
A humanidade tem medo da morte, mas incertamente; o homem normal bate-se bem em exercício, o homem normal, doente ou velho, raras vezes olha com horror o abismo do nada que ele atribui a esse abismo. 
Tudo isso é falta de imaginação. 
Nem há nada menos de quem pensa que supor a morte um sono. Por que o há de ser se a morte se não assemelha ao sono? 
O essencial do sono é o acordar-se dele, e da morte, supomos, não se acorda. E se a morte se assemelha ao sono, deveremos ter a noção de que se acorda Não é isso, porém, o que o homem normal se figura: figura para si a morte como um sono de que não se acorda, o que nada quer dizer. 
A morte, disse, não se assemelha ao sono, pois no sono se está vivo e dormindo; nem sei como pode alguém assemelhar a morte a qualquer coisa, pois não pode ter experiência dela, ou coisa com que a comparar.
 A mim, quando vejo um morto, a morte parece-me uma partida. 
O cadáver dá-me a impressão de um trajo que se deixou. 
Alguém se foi embora e não precisou de levar aquele fato único que vestira....

Fernando Pessoa

De tudo um pouco


Que você tenha,  de tudo... um pouco...

Sensibilidade
Para não ficar indiferente diante das belezas da vida.

Coragem
Para colocar a timidez de lado e poder realizar o que tem vontade.

Solidariedade
Para não ficar neutro diante do sofrimento da humanidade.

Bondade
Para não desviar os olhos de quem te pede uma ajuda.

Tranqüilidade
Para quando chegar ao fim do dia, poder deitar e dormir o sono dos anjos.

Alegria
Para você distribuí-la, colocando um sorriso no rosto de alguém.

Humildade
Para você reconhecer aquilo que você não é.

Amor próprio
Para você perceber suas qualidades e gostar do que vê por dentro.

Para te guiar, te sustentar e te manter em pé.

Sinceridade
Para você ser verdadeiro, gostar de você mesmo e viver melhor.

Felicidade
Para você descobri-la dentro de você e doá-la a quem precisar.

Amizade
Para você descobrir que, quem tem um amigo, tem um tesouro.

Esperança
Para fazer você acreditar na vida e se sentir uma eterna criança.

Sabedoria
Para entender que só o Bem existe, o resto é ilusão.

Desejos
Para alimentar o seu corpo, dando prazer ao seu espírito.

Sonhos
Para poder, todos os dias, alimentar a sua alma.

Amor
Para você ter alguém para amar e sentir-se amado.
Para você desejar tocar uma estrela, sorrir pra lua.
Sentir que a vida é bela, andando pela rua.
Para você descobrir que existe um sol dentro de você.
Para você se sentir feliz a cada amanhecer
e saber que o Amor é a razão maior... para viver.

Mas se você não tiver um amor,
que nunca deixe morrer em você,
a procura... o desejo de o encontrar.

Tenha de tudo, um pouco...
e seja feliz!

Lisiê Silva

Morada interior


Todos nós necessitamos expulsar do nosso coração tudo o que possa transformar o nosso interior numa casa de negócios, onde paire os pensamentos maus, interesseiros e as más intenções.
O cuidado que devemos ter com a nossa morada interior onde Deus habita deve consumir os nossos dias.
O nosso corpo é templo do Espírito Santo, por isso,  em nenhum momento  devemos relaxar na vigilância diante do que   falamos, do que  pensamos ou imaginamos, assim como também, com tudo que possa corromper a nossa consciência.
Os nossos pensamentos motivam os nossos sentimentos e estes, determinam as nossas ações.
Não façamos das coisas de Deus, cabide para dar suporte aos nossos interesses.

(Um novo caminho)

terça-feira, 6 de novembro de 2012

Frases escolhidas


"Novembro...
Cala na alma da gente a sensação de que o ano se foi...
A esperança não."
(Sirlei L. Passolongo)
***
'' Plantei uma muda de esperança no coração. 
Ofereço a ela, todos os dias, o sol da fé e irrigo com doses extras de amor. 
Ela criou raiz, floresceu. 
Me tornei essa mistura, uma flor de esperança, amor e fé que só por hoje não desiste. ''
(Raquel Paixão)
*** 
"A gente não cansa de amar,
A gente cansa é de não ser amado.”
(Fabrício Carpinejar)
***  
"Eu não necessito de um motivo especial para ser feliz.
Felicidades são pedacinhos de ternura que colho aqui e ali."
(Cecilia Meireles)
***
"De repente a gente para, e começa a enxergar felicidade
em coisas miudinhas.
Canto de pássaro, som de riacho, riso de criança ...
Alguém que se lembrou da gente
e trouxe aquele doce...
De repente, a gente aprende que ser feliz é simples
E é tão bom quando a gente aprende isso."
(Arnalda Rabelo)
*** 
"Felicidade é receber de bom grado o que a vida lhe oferece,
com a sabedoria de transformar cada coisa em algo ainda melhor!"
(Gilberto Cabeggi )
*** 
"Não sou anjo... Mas conheço tantos...
Alguns me sorriem, outros acariciam com gestos
Alguns me visitam dia e noite
E todos moram aqui...  no coração."
(Sirlei L. Passolongo)
*** 
"Grande oportunidade só para hoje:
Aproveite que você acordou e enfeite-se de cor,
vista-se de flor e não deixe de semear amor.
... e seja feliz."
(Cidinha Araújo)
*** 
"Amigo de verdade, é aquele que convive com seus exageros e defeitos, 
mas nunca desiste de você.
É aquele que carrega no coração o peso alegre das suas qualidades. ''
(Carla Veras)
*** 
"Que os sensíveis sejam também protegidos.
Que sejam protegidos todos os que vêem muito além das aparências.
Todos os que ouvem bem pra lá de qualquer palavra.
Todos os que bordam maciez no tecido áspero do cotidiano."
(Ana Jacomo)
*** 
"E isso é o que me caracteriza, e o que me faz seguir vivendo:
refazer as asas a cada amanhecer, plantar de novo o amor e
acreditar na felicidade como as crianças acreditam em seus sonhos..."
(Carolina Salcides)
*** 
"Benditas sejam as mãos que amam as flores,
bendito seja aquele que tem olhos para ver as aves do céu,
para ver os lírios do campo,
sem falar no lodo que alimenta esses lírios,
mas na beleza que neles resplandecem!"
(Bezerra de Menezes)
*** 
“Muito cuidado com os elogios rápidos. 
Aqueles que, na primeira tarde, são capazes de ver qualidades que não tens,
também rapidamente descobrem defeitos que nunca possuístes.”
(Paulo Coelho)
***  
 “A nossa salvação é aquela paz com gosto doce,
alguma alegria e uma sinceridade no sentir.
Porque não adianta você se esforçar,
se a tua bondade é da boca pra fora,
se teu sentimento é da boca pra fora,
me desculpa, não resolve.
Sentimento vem de dentro.
Bondade vem do peito.
Sem esforço, sem gasto de energia.
Tem que ser natural.
Simples como respirar!…”
 (Clarissa Corrêa)
*** 
"Tenta te orientar pelo calendário das flores...
esquece, por um momento os números, a semana, o dia do teu nascimento.
Se conseguires ser leve, aproveita, enche tuas malas de sonho e toma carona no vento. "
(Fernando Campanella)
*** 
O amor floresce nos pequenos detalhes, como
gotas de chuva que umedecem o solo ou como
o sol abundante que se faz generoso, distribuindo
seu calor.
A gentileza, a simpatia, o respeito são detalhes de
suma importância para que a florescência do amor
seja plena e frutifique em felicidade.
(Autoria desconhecida)
 ***
‎"...o amor de verdade é igualzinho ao sol.
Ele sempre renasce,
mesmo que alguns dias tenham nuvens ou chuva forte."
(Clarissa Corrêa)
***
“A vida segue um curso muito preciso e a natureza dota cada idade de finalidades próprias. 
Por isso a fraqueza das crianças, 
o ímpeto dos jovens, 
a seriedade dos adultos, 
a maturidade da velhice 
são coisas naturais que devemos apreciar cada uma a seu tempo". 
(Filósofo Cícero)
*** 
“ As pessoas são pesadas demais para serem carregadas nos ombros. 
Levo-as no coração! ” 
(Dom Helder Câmara)


domingo, 4 de novembro de 2012

A mulher virtuosa


Uma mulher virtuosa, quem pode encontrá-la?
Superior ao valor das pérolas é o seu valor.
Confia nela o coração do seu marido,
e jamais lhe faltará coisa alguma.

Ela lhe proporciona o bem, nunca o mal,
em todos os dias de sua vida.
Ela procura lã e vinho
e trabalha com a mão alegre.

Semelhante ao navio do mercador,
manda vir seus víveres de longe.
Levanta-se ainda de noite,
distribui a comida à sua casa
e a tarefa às suas servas.

Ela encontra uma terra, adquire-a.
Planta uma vinha com o ganho de suas mãos.
Cinge os rins de fortaleza,
revigora seus braços.

Alegra-se com o seu lucro,
sua lâmpada não se apaga durante a noite.
Põe a mão na roça
seus dedos manejam o fuso.

Estende os braços ao infeliz
e abre a mão ao indigente.
Ela não teme a neve em sua casa,
porque toda sua família tem vestes duplas.

Faz para si cobertas,
suas vestes são de linho fino e de púrpura.
Seu marido é considerado nas portas da cidade,
quando se senta com os anciãos da terra.

Tece o linho e o vende,
fornece cintos ao mercador.
Fortaleza e graça lhe servem de ornamentos,
ri-se do dia do amanhã.

Abre a boca com sabedoria,
amáveis instruções surgem de sua língua.
Vigia o andamento de sua casa
e não come o pão da ociosidade.

Seus filhos se levantam para proclamá-la bem-aventurada
e seu marido para elogiá-la.
“Muitas mulheres demonstram vigor,
mas tu excedes a todas”.

A graça é falaz e a beleza é vã,
a mulher inteligente é a que se deve louvar.
Dai-lhe o fruto de suas mãos
e que suas obras a louvem nas portas da cidade.

(Provérbios 31, 10-31)


sábado, 3 de novembro de 2012

“Gosto muito que me falem de amor”


Gosto muito que me falem de amor, porque quando me falam de amor, eu vejo que embora só tivesse feito o bem em minha vida, ainda não me caberia o direito de cruzar os braços.

Gosto muito que me falem de amor, porque quando me falam de amor, eu me lembro que sempre existe alguém em todo lugar, que precisa da minha presença.

Gosto muito que me falem de amor, porque quando me falam de amor, eu me lembro que não é possível amar os outros, sem pensar em todos.

Gosto muito que me falem de amor, porque quando me falam de amor, eu me dou conta de que o próprio amor só tem sentido se aceitamos o que DEUS quer.

Gosto muito que me falem de amor, porque quando me falam de amor, eu me convenço de que só poderei construir o homem todo, se puder suportar que me esqueça.

Gosto muito que me falem de amor, porque quando me falam de amor, eu sinto que se ele é suavidade quando começa, deve passar pelo calvário quando deseja chegar ao fim.

Gosto muito que me falem de amor, porque quando me falam de amor, eu me lembro que não pode haver dor humana, que não deva repercutir dentro de meu coração.

Gosto muito quando me falem de amor, porque quando me falam de amor, eu me lembro que sempre há alguém que pode fazer melhor, todo o bem que já tenho feito.

Gosto muito que me falem de amor, porque quando me falam de amor, eu não posso esquecer que DEUS, sempre e em toda parte, só nos pede o que é possível.

Gosto muito que me falem de amor, porque quando me falam de amor, eu creio mais firmemente, que se quero ser lembrado de todos, não posso me esquecer de ninguém.

Gosto muito que me falem de amor, porque quando me falam de amor, eu me lembro que se a cruz é um instrumento de martírio, é também o lugar onde nascem as melhores esperanças.

Gosto muito que me falem de amor, porque quando me falam de amor, eu vejo que se Deus me amou antes que o tempo fosse tempo, é para que eu aproveite o tempo com urgência de amar.

Gosto muito que me falem de amor, porque quando me falam de amor, eu creio que se o amor não pode ver ninguém infeliz, ele só se contenta quando vê todo mundo feliz.
  
(Pe. Orlando Gambi)

sexta-feira, 2 de novembro de 2012

Aceitando as Pessoas

Ouvi dois amigos conversando e um deles se queixava da incompreensão das pessoas, das agressões verbais, dos desentendimentos. Isto o revoltava e ele dizia invejar a serenidade e o equilíbrio do interlocutor.

- Qual é o segredo? perguntou.

- Não existe segredo, mas somente paixão pela vida e esforços contínuos para aprender, respondeu o outro.

- Aprender o que?

- A aceitar as pessoas, mesmo que ela nos desapontem, quando não aceitam os ideais que escolhemos. Quando nos agridem e nos ferem com palavras e atitudes impensadas.

- Mas é muito difícil aceitar pessoas assim.

- É verdade. É difícil aceitá-las como elas são e não como gostaríamos que elas fossem. Mas qual é o nosso direito de mudá-las?

- E como você consegue?

- Estou aprendendo a amar. Estou aprendendo a escutar, mas não apenas com os ouvidos, também com os olhos, com o coração, com a alma, com todos os sentidos. 
Muitas vezes as pessoas não falam com palavras, mas com a postura. Fique atento para os que falam com os ombros caídos, os olhos e as mãos irrequietas.

Assim como você pode ler as entrelinhas de um texto, pode ouvir coisas entre as frases de uma conversa corriqueira, banal, que somente o coração pode ouvir. Não raro, há angústia e desespero disfarçados, insegurança escondida em palavras ásperas, solidão fantasiada na tagarelice. 

Aos poucos estou aprendendo a amar, e amando estou aprendendo a perdoar. 
Perdoando, apago as mágoas e curo as feridas, sem deixar cicatrizes nos corações magoados e tristes. Aprendo com a vida o valor de cada vida e procuro entender os rejeitados, os incompreendidos. 
Nem sempre consigo, mas estou tentando.

Quanto a nós, vamos tentar construir a paz, sem desânimo, com muito amor, muito amor no coração.

Desconheço a autoria

A morte sem medos ou tabus


A morte permanece para o homem um mistério. Mistério cercado de respeito, mesmo para os que não creem em Deus. É interessante notar como todas as religiões acabam apontando para algo que permanece depois da morte. Isso já era comum entre as mais antigas religiões do mundo.

Morrer é um fato certo. A morte virá ao nosso encontro e nos fará despedir-nos de todos. Não sabemos onde, quando e nem como, porque ela é um ato biológico, é um ato pessoal e um fato social/comunitário. Para não sermos surpreendidos, somos orientados, ao longo da vida, a construir a nossa eternidade, através da bondade, da generosidade e do amor dedicado aos outros (ao próximo).

O caminho pode ser longo ou curto, o importante é que termine em Deus, de onde, um dia, saímos. O mesmo Senhor que nos deu a vida, Ele nos acolherá na morte. O mesmo Senhor que nos criou por amor, acolher-nos-á para um amor infinito e eterno.

A morte causa medos na maioria das pessoas, porque se trata do desconhecido (mistério). A maioria das pessoas têm uma crença na imortalidade da alma, embora, muitas vezes, paira a dúvida, a incerteza e a falta de conhecimento do que seja a morte. E isso causa medos e angústias. Há outras causas de medo, não tanto da morte, mas do possível sofrimento desse instante; as seculares ameaças do inferno e a visão assustadora de um Deus punitivo, propagadas pela religião e pela cultura ocidental, também são causas de medos.

Muita gente, infelizmente, só dá valor à vida com a iminência da morte. Ela nos faz lembrar que estamos aqui de “passagem”. Que a nossa vida terrena, por ser breve, é preciso valorizá-la e aproveitá-la. Chamamos de “aproveitamento” a valorização das grandes verdades da vida, do amor, da compaixão, da solidariedade.

A gente pode preparar-se para morrer estando em dia com sua consciência, quite com os seus deveres afetivos e cumprindo suas tarefas existenciais com amor e alegria. Se a morte nos pega assim, vamos bem!

É superstição e crendice acreditar que falar sobre a morte é atraí-la sobre si. Falar sobre a morte de maneira saudável quebra tabus e de jeito nenhum atrai, antecipadamente, a sua vinda. Ninguém morre na véspera!...

Não basta ter esperança na vida após a morte. Deus quer vida também antes da morte. Tudo o que fazemos para que a vida seja mais justa, mais plena, é um ato de fé no Deus que só quer o melhor para seus amados filhos. E o “Dia dos Finados” é um dia de silêncio, saudade e esperança. Elevemos aos céus nossas preces pelos Finados. Porque em nossas preces, gestos e devoções, certamente, está presente nossa fé na ressurreição e na vida eterna.

Dom Girônimo Zanandréa

quarta-feira, 31 de outubro de 2012

O caso da raposa

Era eu calouro no trabalho, recém formado e com poucos meses em terras de Miguel Calmon-BA, quando participei de uma campanha de vacinação contra a raiva. Preparativos prontos, orientações feitas, volantes iniciadas, tudo como é. Numa oportunidade rotineira, verificando os mapas de vacinação, constatei a seguinte proeza:

Cães vacinados: X;
 Gatos vacinados: Y;
 e uma observação no rodapé do mapa: 
Raposa vacinada: 01!

“Misericórdia!” pensei eu. “A equipe foi pro mato, pegou uma raposa e vacinou!”
 Mas quem orientou esse absurdo? Foi dito e repetido que a vacina é para cães e gatos. E como pegaram a raposa?
 O cérebro inquieto foi atrás do vacinador, cujo nome manterei em segredo.
 - “Chiquinho de Babau”, você foi pegar uma raposa no mato pra vacinar? Como foi isso?
 - Não!  - Respondeu ele já sorrindo – Fomos a uma casa lá na roça e o dono criava um cachorro e uma raposa. Vacinamos os dois!

Vejam vocês… criando raposa! Como se não bastassem os riscos de um animal doméstico contrair e transmitir a raiva, uma pessoa ainda teve a sublime idéia de domiciliar um animal silvestre.

De lá pra cá, mudei. Não espero mais bom senso das pessoas. Fico feliz quando o encontro, mas não crio expectativas. Não aposto na idéia “As pessoas já sabem isso” ou “Estão carecas de ouvir aquilo”. Parto do princípio de que sempre existem os que não sabem e os que sabem coisas equivocadas, por isso, é sempre necessário reforçar as orientações disponíveis, em todas as ações, sejam elas campanhas de vacinação ou recomendações cotidianas numa consulta de Enfermagem.

Mas o tempo passa e com ele vem a maturidade. Nunca esqueci o “caso da raposa”. Passeando no trem da vida, saí da assistência, visitei rapidamente a Vigilância Sanitária, fui rebocado para a Coordenação da Atenção Primária, e estive Secretário de Saúde interinamente durante cinco meses (que pareceram cinco anos).

Foi quando percebi que a raposa não me causou só boas gargalhadas. Ela respalda minhas ações.
Quantas vezes nos vemos “criando raposas” em nossos espíritos, em nossas casas, em nossos empregos?
Quantas vezes agimos por impulso, aumentando os riscos de adoecimento e de complicações apenas por não identificarmos que aquele ato ou aquela conduta são raposas, no final das contas?
Quantas vezes absorvemos excessivamente estresse, mágoas e aborrecimentos, pessoais e profissionais, alimentando essas raposas em nossas mentes e praticando o mais sutil dos suicídios?

Pensemos. Até que ponto nossa racionalidade nos empurra ao penhasco do “tarefismo”, da “numerolatria” das produtividades, enquanto a qualidade das ações e das relações humanas é deixada às margens do processo de trabalho?
De que forma isso vai mudar? Esperando os gestores/patrões agirem? Não mesmo. Eles estão umbilicalmente amarrados a um sistema auto depreciativo, centrado no lucro e na politicagem, onde o bem estar coletivo é a última coisa considerada. Na frente dele, sempre o “establishment” e o voto.

A esperança existe e uma boa estratégia para mantê-la viva é lembrar sempre do “caso da raposa”:

Se determinada coisa aumenta os riscos e as possibilidades de complicações, não faça.

Alexandro Gesner

terça-feira, 30 de outubro de 2012

Palavras são inúteis

Aquilo que liga duas pessoas existe além delas
 A gente cresce acreditando no poder das palavras. Desde criança, nos dizem que, conversando, seremos capazes de acertar qualquer coisa, de resolver qualquer situação. Infelizmente, não é verdade. Quando se trata de relacionamentos, as palavras são inúteis.
Os sentimentos apaixonados que nos ligam a alguém não são criados por palavras. Os desentendimentos que aos poucos ou de súbito nos separam da pessoa não são provocados por palavras. Os sentimentos de perda, dor e morte causados pelas rupturas tampouco são remediados por palavras. As palavras descrevem, celebram, exaltam e lamentam nossas paixões, mas não são responsáveis por elas. Quando se trata de amor, as palavras são inúteis.
Não obstante, nós falamos. Cultivamos a ilusão de que o outro pode ser envolvido, seduzido, convencido pela nossa retórica. Acreditamos, fundamentalmente, que o nosso desejo pode ser transmitido pela palavra. Por isso, telefonamos, mandamos mensagens, escrevemos longos emails, rabiscamos poemas, fazemos letras de música, marcamos conversas dolorosas e intermináveis que – a rigor – não levam a lugar nenhum.

Quando existe um sentimento comum, as palavras são apenas acessórias. Quando não há sentimento, elas agem como um bisturi: cortam, expõem e dilaceram, mas não criam.
.......
As palavras são apenas sintomas. Quando as pessoas se conhecem e se apaixonam, conversam da mesma forma como se beijam, com fúria e com encantamento. No final, quando tudo acabou, as palavras doem e escasseiam. Elas são repelidas pelo outro da mesma forma que o toque, igual que o olhar. Temos a impressão de estar encerrando o amor com as palavras, mas elas são apenas as flores do enterro. Quando chegamos a elas, o desejo está morto.
Infelizmente, os ciclos de paixão e rejeição não são simultâneos. Eu ainda estou cheio de palavras doces, mas você não quer mais ouvi-las. Ou eu me dirijo a você com palavras de desejo e prazer, mas elas deixaram de fazer sentido. Se você não sente mais o que eu sinto, não vai entender o que eu digo. Nem será tocada pela magia das minhas palavras, que se tornam inúteis. Quantas das nossas conversas não são trocas de palavras inúteis? Tentamos transpor com elas o abismo da indiferença do outro. Explicamos, sugerimos, argumentamos - inutilmente.

Então, economize palavras. Fique quieto e preste atenção. Escute o que ela não diz. Entenda o que ele nem falou. 
Os gestos contam coisas, os olhares antecipam. 
Atitudes valem mais do que declarações de amor – e não podem ser substituídas ou consertadas por palavras.

(Ivan Martins – editor da Época)


segunda-feira, 29 de outubro de 2012

Ser ocupado demais vale a pena?


“Stop the glorification of busy” (algo como “pare de achar o máximo estar sempre ocupado”), dizia o cartaz da fanpage da Confeitaria. Nunca tinha parado para pensar, mas observando o comportamento das pessoas (e até o meu) constatei que é a mais pura verdade: todo mundo acha lindo ser ocupado demais e não ter tempo para nada.
Cansei de ver pessoas postando no facebook frases como “O dia precisava ter 26h”. 
Uma amiga virtual chegou a listar tudo o que tinha feito em uma manhã: malhou, levou os filhos ao colégio, leu jornal, e trabalhou (Ufa!). 
Nas entrelinhas, todos nós sabemos o que essas pessoas estão querendo dizer: “Olha como sou uma pessoa ativa, ocupada. Faço mil coisas e ainda tenho tempo de ir contar no facebook”.
Pare para pensar. Quantas vezes você ouviu a resposta “Poxa, queria muito ir mas não vou poder porque já tenho outro compromisso”, para os seus últimos convites? 
E quantas vezes você deu essa resposta nos últimos tempos?
Fiquei aqui pensando quando é que ser ocupado demais virou uma qualidade, algo admirável. E o “dolce far niente”? Que fim deu? 
Ter tempo para os amigos, para ler um livro, para assistir porcarias na TV ou simplesmente para fazer nada, absolutamente nada, virou coisa de desocupado? de vagabundo?
Não sei, mas acho que talvez precisemos rever nossos conceitos e prioridades. 
E você? tem a mesma impressão?

Natália Spinacé

Por que não perdoamos nossas imperfeições?

Outro dia uma amiga mandou para um grupo de mulheres um post sobre bronzeamento artificial, ilustrado por um ator de TV fortão, com barriga de tanquinho.
Uma delas comentou rapidamente sobre a beleza do homem. E as outras foram respondendo uma a uma, a mesma coisa: “Ah, sou mais a barriguinha do meu amor”; “meu marido tem uma pancinha, mas é mais lindo”; “prefiro homem de verdade, essas barrigas de tanquinho são muito estranhas”.
Até a que tinha comentado sobre os atributos físicos do rapaz concordou com as outras: homem “normal” é o que há. Imperfeições são “um charme”.
Eu mais do que concordo.
Mas fiquei me perguntando: por que nós, mulheres, conseguimos ser tão condescendentes com as imperfeições de nossos homens e não com as nossas? 
Por que somos tão generosas com barriguinhas, ruguinhas, dentinhos e cabelos brancos deles e tão malvadamente perfeccionistas com nossos corpos, rostos, cabelos? Se eles são tão amados do jeito que são, porque nós não seríamos?
Não é, na minha opinião, culpa dos homens. 
A maioria dos que eu conheço exalta as mulheres que não se deixaram levar por obsessões pela magreza ou pelos cabelos chapados ou pela malhação excessiva. 
Somos nós mesmas que não nos perdoamos.
Por que?

Martha Mendonça