quarta-feira, 22 de julho de 2015

Por que Deus não me responde?



Às vezes parece que Deus se torna mudo diante do nosso sofrimento; mas não é assim.

Alguém já disse que “Deus não fala, mas que tudo fala de Deus”. Isto é, Deus fala pela Revelação e pela vida, mas esta linguagem tem de ser decifrada. 
Seus silêncios parentes são sábios e nos obrigam a exercitar o ouvido da alma, e criar novas antenas e ouvidos interiores, para ouvir a sua voz.

Só podemos ouvir a voz de Deus se caminharmos na fé, sem desanimar, fazendo a Sua vontade diariamente e com fidelidade.
 
“O justo vive da fé”, diz São Paulo (Rm 1, 17);

 “Quem perseverar até o fim, será salvo”, acrescenta o Senhor (Mt 10, 22).

Deus não é indiferente diante dos acontecimentos deste mundo. Até o salmista tem a tentação de agir como os maus… mas depois entende a sua triste sorte:
“Por pouco meus pés tropeçavam; um nada, e meus passos deslizavam. 
Porque invejei os arrogantes, vendo a prosperidade dos ímpios. 
Para eles não existem tormentos, sua aparência é sadia e robusta; 
a fadiga dos mortais não os atinge, não são molestados como os outros…
Refleti para compreender, e que fadiga era esta aos meus olhos! 
Até que entrei nos santuários divinos: entendi o destino deles! 
De fato, tu os pões em ladeiras, tu os fazes cair em ruínas. 
Ei-los num instante reduzidos ao terror, deixam de existir, perecem por causa do pavor!… 
Sim, os que se afastam de Ti se perdem… 
Quanto a mim, estar junto de Deus é o meu bem!”. (Sl 72, 2-5. 16-19.27s)

A Bíblia nos mostra que é exatamente nos momentos de maior luta, conflito, desespero e perplexidade que Deus prepara as suas ações mais belas.

A Páscoa cristã e a glória da Ressurreição de Jesus foram precedidas da cruel e dolorosa Paixão do Senhor, que deixou os Apóstolos atônitos e perdidos. 
Mas, na manhã do domingo, ficava claro que o “fracasso” do Mestre se transformara em inacreditável vitória sobre a morte.

Então, tudo se fez novo… Ele ressuscitou como o Kyrios, o Senhor da vida e da morte; a vida venceu a morte, as trevas foram dissipadas pela luz.

Deus já tinha prefigurado isto na história de Israel; quando da primeira Páscoa dos israelitas: estes se viram presos entre o Mar Vermelho e o exército do Faraó que os perseguia; não viam solução e muitos lamentaram e se desesperaram; mas Deus interveio de modo espetacular:

“O Senhor disse a Moisés: Por que clamas por mim? Dize aos filhos de Israel que marchem. E tu levanta a tua vara, estende a mão sobre o mar e divide-o para que os filhos de Israel caminhem em seco pelo meio do mar”. (Ex 14,9-16)

E o povo de Deus atravessou o mar a pé enxuto, enquanto os inimigos se afogaram. São os “paradoxos” da Providência Divina.

É no silêncio de Deus que o cristão aprende a crescer na fé e na confiança no Senhor. Não sejamos crianças na fé.

É preciso, então, não se deixar afundar na hora da tormenta, mas esperar com fé na Providência divina que não falha. No meio do fogo das tribulações, é preciso continuar a caminhar, ainda que gemendo e chorando, “como se visse o Invisível” (Hb 11, 27).

Este “avançar na fé” pode ser comparado a um complicado jogo de “quebra-cabeça”; no seu início não temos a menor ideia do quadro a compor, parece que o quebra-cabeça não tem solução, a charada é desafiadora, mas, devagar, com paciência, vamos juntando as peças…começa a surgir alguma coisa. Ao se combinar as peças começa a aparecer o quadro, e então, vai ficando cada vez mais fácil, até o fim.

O plano de Deus para nós é assim; os fatos da vida, isolados, parecem não ter sentido, como as peças misturadas do quebra-cabeça, mas, quando os vamos juntando na fé e analisando-os na esperança, vemos a sua mensagem. 
Às vezes é preciso olhar peça por peça, sem saber qual é a próxima que virá. Mas é preciso ir em frente, caminhar com perseverança.

A grande Edith Stein disse uma bela verdade: “Não sei para onde Deus me leva, mas sei que é Ele que me conduz”. Isto basta. 
Não podemos esperar que a mensagem esteja decifrada para começar a caminhar; assim não começaríamos nunca a viagem.

Nunca encontraremos um discurso de Deus para nós, pronto e claro, e nem um caminho nitidamente traçado; não, Deus nos conduz no “escuro da fé”, onde Ele vai nos falando durante o caminho, como fez com os discípulos de Emaús. 

E, se não caminharmos, não ouviremos a Sua voz.

Por que Ele age assim? Na sua sabedoria infinita Ele tem motivos para agir assim conosco; logo, cabe a nós não nos calarmos diante Dele, mas responder na fé e na oração incessante. “O justo vive da fé”, diz São Paulo (Rm 1,17; Gl 3,11; Hb 10,38).

Mais do que a nossa vitória, Deus espera a nossa luta determinada, com fé e perseverança. 
Quem tem fé sabe que não existe destino, acaso cego ou fatalidade, mas Providência divina, cuidado de Deus que tudo criou e que tudo providencia para o nosso bem. Mesmo dos piores sofrimentos Deus sabe tirar coisas boas, especialmente para a salvação da pessoa. Esta é a nossa fé!

Na terra, a vara de Moisés se transformava em uma horrível serpente, mas nas mãos de Moisés era milagrosa. Com ela Moisés feriu a rocha e dela brotou água no pleno deserto; com ela abriu o mar Vermelho.

Com a feiura de nossas tribulações, Deus pode fender a rocha dura do nosso coração e fazer brotar a água da graça.
Ninguém conhece os caminhos da Providência divina, por onde Ele passa, o que quer com este golpe, o que está fazendo com esta aflição, morte, fracasso, desemprego…
Muitas Ordens religiosas foram provadas terrivelmente até se firmarem. Mas, porque os seus fundadores não desanimaram e não desistiram, a Igreja se tornou rica e santa por causa delas.

Prof. Felipe Aquino

sexta-feira, 17 de julho de 2015

Olhando os outros



Gilberto de Nucci tem uma excelente imagem a respeito de nosso comportamento. Segundo ele, os homens caminham pela face da Terra em fila indiana, cada um carregando uma sacola na frente e outra atrás.

Na sacola da frente, nós colocamos as nossas qualidades. Na sacola de trás, guardamos todos os nossos defeitos.

Por isso, durante a jornada pela vida, fixamos os olhos nas virtudes que possuímos, presas em nosso peito. Ao mesmo tempo, reparamos impiedosamente, nas costas do companheiro que está adiante, todos os defeitos que ele possui.

E nos julgamos melhores que ele - sem perceber que a pessoa andando atrás de nós, está pensando a mesma coisa a nosso respeito.

Eduque o seu olhar; olhe para cima!

Li uma mensagem que dizia o seguinte:


Se você colocar um falcão em um cercado de 1m², inteiramente aberto em cima, ele se tornará um prisioneiro, apesar de sua habilidade para o voo. 
A razão é que um falcão sempre começa seu voo com uma pequena corrida em terra. Sem espaço para correr, nem mesmo tentará voar e permanecerá um prisioneiro pelo resto da vida, nessa pequena cadeia sem teto.

O morcego, que é uma criatura notavelmente ágil no ar, não pode sair de um lugar nivelado. 
Se for colocado em um piso completamente plano, tudo o que ele conseguirá fazer será andar de forma confusa e dolorosa, procurando alguma ligeira elevação de onde possa se lançar ao voo.

Um zangão, se cair em um pote de vidro aberto em cima, ficará lá até morrer ou ser removido. 
Ele não vê a saída no alto, por isso persiste em tentar sair pelos lados, próximo ao fundo. 
Procurará uma maneira de sair onde não existe nenhuma, até que se destrua completamente de tanto se atirar contra as paredes do vidro.
Existem pessoas como o falcão, o morcego e o zangão: atiram-se obstinadamente contra os obstáculos, sem perceber que a saída está logo acima.

Se você está como um zangão, um morcego ou um falcão, cercado(a) de problemas por todos os lados, olhe para cima! E lá estará a saída:

Deus…

À distância de uma oração!

Quando você não enxergar mais uma saída, não fique inquieto se debatendo desesperado, ou desanimado de uma solução; e também não fique andando de um lado para outro, como um tonto. 

Não, olhe para cima. Entregue-se confiante nas mãos de Deus que é Pai. 
Ele sabe o que se passa com você, e sabe qual é a saída; mas você só a encontrará se olhar para Ele, se olhar para cima. 

Vá a Igreja, entre silencioso diante Dele no Sacrário, ponha ali em Suas Mãos o problema, derrame suas lágrimas se for preciso, mas Confie! 

“Sem fé é impossível agradar a Deus” (Hebreus 11,6). 
“O justo vive pela fé” (Rom1,17). 
Não se aflija, “Até os cabelos de vossa cabeça estão contados” (Mt 10,30).

Professor Felipe Aquino

domingo, 12 de julho de 2015

Carta ao coração

Estes são trechos de uma “Carta ao coração”, que me foi dada por Vania Williamsom:


“Meu coração: eu jamais te condenarei, te criticarei, ou terei vergonha de tuas palavras. 
Sei que és uma criança querida de Deus, e Ele te guarda no meio de uma luz radiante e amorosa”.
“Confio em ti, meu coração. Estou do teu lado, sempre pedirei bênçãos em minhas orações, sempre pedirei para que tu encontres a ajuda e o apoio que necessitas”.
“E te peço: confia em mim. Saiba que te amo, e que procuro dar-te toda a liberdade necessária para que continues batendo com alegria em meu peito. 
Farei tudo que estiver ao meu alcance, para que jamais te sintas incomodado com a minha presença a tua volta”.

Paulo Coelho

sábado, 20 de junho de 2015

O SOFRIMENTO PODE SER SINAL DE LIBERTAÇÃO

O sofrimento pode ser um valioso meio de autoconhecimento. Portanto, observe o que ele está tentando comunicar.


A magnifica borboleta apresenta em si todas as características latentes que posteriormente serão desenvolvidas para que ela viva uma nova realidade; aquela que sempre foi inerente a sua essência.

Assim como a transformação da lagarta em borboleta é um processo lento, profundo, delicado e doloroso, onde ela irá se esforçar para libertar-se da sua condição de lagarta, achamos que os processos de transformações pessoais necessários não são diferentes e que nunca irão acabar.

A vida não é estática e está em constante mudança, nunca permanecemos os mesmos, somos sempre devir, em processo de construção continua. Porém, muitas transformações, assim como a da lagarta, trazem em seu bojo a companhia do sofrimento…

A finalidade do sofrimento:

O sofrimento faz parte da condição humana, sendo as vicissitudes da vida companheiras inseparáveis de qualquer cultura, fase do desenvolvimento, condição socioeconômica, intelectual, geográfica, de gênero e época. O sofrimento esteve sempre presente no decorrer dos tempos, na nossa existência, fazendo parte de acontecimentos indesejáveis e dos reveses inesperados.

As tristezas e as dificuldades sempre se mesclaram com momentos de alegria e realizações no percurso das nossas vidas. Ninguém vive a plenitude de uma vida sem transformações e sofrimentos; e ele, muitas vezes, sorrateiro, chega de maneira inesperada, rói e corrói tudo o que parecia estar em perfeita ordem e harmonia. Chega na surdina, onde acreditávamos que tudo estava sob nosso pretensioso controle. Muitas coisas estão sob o controle de nossas ações e cabe a nós evitarmos o sofrimento; no entanto, para outras, não possuímos este controle, o que gera impotência e angústia.

Mas será que de fato nos preparamos para as grandes transformações da vida?

Na realidade, nascemos no sofrimento e este sempre nos acompanhou, assim como os momentos felizes. O sofrimento não é a unica forma de aprendizado, mas infelizmente sempre o relegamos pelo motivo obvio de que não é agradável sofrer. Por outro lado, não tivemos uma educação para lidar com o sofrimento. Os processos educacionais não nos ensinam metodologias eficazes de modo a explicitar sobre como retirar do sofrimento o sumo da sabedoria que as experiencias pouco felizes reportam.

Vivemos em uma cultura hedonista, dos prazeres fugazes, efêmeros e momentâneos. Devemos ser felizes o tempo todo, obrigatoriamente. Mas a lagarta em seu processo não estava feliz, ela estava enfrentando um desafio para uma nova realidade que lhe proporcionaria a liberdade. A lagarta “compreende o sofrimento”, pois “sabe” que o esforço e as dificuldades são os geradores da conquista de sua liberdade e autoconhecimento.

Sendo a vida um desfilar constante de transformações, neste baile de mascaras, percebemos e interpretamos a realidade de modo inteiramente pessoal. Muitas vezes, nos contentamos com uma realidade que não existe, repercutindo em um vazio existencial imenso. Não queremos sair de nossa zona de conforto. Não existe espaço para as grandes transformações, para o trabalho do luto, do choro, da tristeza e nem da dor, como se elas não existissem e não trouxessem sua mensagem.

Sendo a vida feita de (re) construções, de (re) avaliações, composta de alegrias, de perdas, de renascimentos e de renovações incontáveis,acredito que não estamos preparados devidamente para os revezes que porventura este cenário possa trazer.

Ter uma educação para o sofrimento não significa ser masoquista ou querer provocar o sofrimento. Significa que não podemos negar que momentos difíceis existem, que virão e que deverão ser “encarados” como desafios, de maneira inteligente e resiliente. Ter educação para o sofrimento não utiliza a metodologia do sofrer por sofrer, mas como meio de aprendizado e evolução. Além disto é ter também direito ao nosso espaço para elaborar a própria dor dentro do tempo que se faz necessário; é desenvolver a sensibilidade, a receptividade e a capacidade de compreensão e empatia para acolher também o sofrimento do outro.

Através do sofrimento bem vivenciado nos humanizamos e nos tornamos mais receptivos.

Mas, por que sofremos? Qual a sua finalidade e utilidade? Como podemos nos beneficiar com o sofrimento? Como lidar da melhor maneira possível?

A religião e a Filosofia tentam compreender os processos de perda, bem como explicá-los, cada uma a seu modo. Psicólogos, sociólogos, educadores, pensadores de todos os vieses apresentam a sua contribuição de acordo com seus valores e crenças. A ciência, por outro lado, também desenvolveu muitos recursos através de estudos e pesquisas e deseja encontrar todas as respostas para o sofrimento de modo a retirá-lo ou dirimi-lo.

É inquestionável que houve muita melhora na qualidade de vida e no bem-estar de modo geral, suprimindo muito o sofrimento do repertorio da condição humana, mas ainda temos muito a fazer e a conquistar neste campo.

Neste contexto, podemos concluir que o sofrimento é sempre resultado da ignorância, da falta de conhecimento e consciência. Em outras palavras, é a condição de ignorância e alienação que nos traz sofrimento. Neste caso, é necessária uma educação voltada para a nossa capacidade de compreensão do nosso mundo interno e externo e de autoconhecimento.

Se por um lado o sofrimento nos faz desenvolver a capacidade de compreensão, sensibilização e humanização, temos o dever de melhorarmos em todos os campos e áreas que possam favorecer um mundo melhor, pois quando nos reportamos a dor, consequentemente nos remetemos aos conceitos de transformação e libertação, bem como o que você percebe como tal. O que pode ser fonte de sofrimento pra você, pode não o ser para o outro.

"Sendo assim, é necessário intuirmos o que o sofrimento está tentando nos comunicar, a lição e o aprendizado que devemos internalizar. Sem este processo, a experiencia de dor perde o sentido e torna-se inócua, sem proveito. Aprenda e evolua com o sofrimento. Saiba que a maioria das vezes somos nós mesmos que nos auto-infligimos a dor".

PARA REFLETIR:

Refletir sobre a nossa postura na contribuição de algum sofrimento é o primeiro passo para o processo de aprendizado e libertação que a dor nos traz. Mas nunca se esqueça: Todas as nossas experiências apresentam o viés de nossas percepções; e acredite, com o sofrimento não é diferente. Sofrimento é o que você percebe como sofrimento. Mas de qualquer modo ele traz o sentido de libertação e autoconhecimento.



SORAYA RODRIGUES DE ARAGÃO

A VIDA É UMA VIAGEM

A VIDA É UMA VIAGEM QUE NÃO PERMITE EXCESSO DE BAGAGEM


É triste, mas é verdade. Muitas vezes a vida é como um filme que não queremos assistir. Muitas vezes não queremos aceitar que a nossa vida não é tudo aquilo que a gente sonhou. Mas ainda assim é a nossa vida e precisamos aprender a extrair o que há de melhor dela.

Depois que uma pessoa passa por uma perda terrível ou por sucessivas perdas medianas que a levam a um processo depressivo, em que a autoestima e a energia vital ficam reduzidas a pó, começa a pesar e a medir os valores que prioriza.

Durante o processo de reconstrução, lento e bem particular para cada pessoa, começamos a perceber o que realmente é importante para a nossa sanidade mental. O que realmente faz a vida valer a pena e ter sentido.

Vivemos cercados por pessoas, circunstâncias, compromissos sociais e de repente nada parece tão grande assim. Conforme os efeitos da depressão começam a diminuir, tudo ganha um gosto novo e começamos a jogar fora o que faz a mala pesar demais durante a nossa caminhada pelo mundo.

Quando nos perguntam o que é fundamental para nós, respondemos de forma mais ou menos similar a esta pergunta. Quando estamos superando um trauma e "trocamos" a pele da alma, já não conseguimos mentir para nós mesmos. E o que antigamente parecia urgente, não tem tanta pressa assim. O que parecia importante, talvez o seja para a sociedade ou para pessoas que amamos e não para nós mesmos.

Fazemos descobertas incríveis ao passarmos por uma depressão. Quando estamos tentando vir à tona, sentimos que algumas pessoas e atividades são capazes de nos animar e aí descobrimos o nosso essencial. O que me fez sorrir no meio desta tristeza toda? O que me fez sair da cama num dia em que me sentia no fundo do poço? O que me fez ir para a rua mesmo sem vontade alguma? Com quem eu quis me abrir? Quem me provocou uma risada? Qual atividade me fez esquecer o sofrimento mesmo que temporariamente?

Quando estamos bem, acumulamos uma série de preocupações supérfluas, assumimos compromissos que não queremos, investimos tempo, energia e dinheiro em coisas que não contribuem realmente para o nosso crescimento pessoal. Sem querer vivemos de acordo com um script social. O script destinado às pessoas do nosso gênero, da nossa classe social, da nossa profissão etc.

E passado um tempo, podemos perceber também que antes do trauma, antes da perda terrível, já estávamos um pouquinho deprimidos e que certas situações que nos pareciam normais contribuíram para aumentar a nossa ansiedade, a nossa angústia.

Alguém se recuperando de uma depressão é um sobrevivente. E como todo aquele que se livra de um grande desastre, cheio de estragos, aprende a se defender mais e melhor de tudo aquilo que pode machucá-lo. Vou mais além. Aprende que poucas coisas e pessoas realmente valem para nós nesta vida. Aprende que bagagem boa é bagagem pequena.
Não me refiro a experiências e conhecimentos. Me refiro a protocolos sociais, a hábitos fúteis, excesso de preocupação com aquilo que os outros pensam e dizem, pavor de envelhecer, mania de querer que tudo aconteça do jeito que sonhamos ou planejamos, se valorar pelo olhar do outro, achar que tem direito a felicidade porque é uma boa pessoa. Descobrimos que podemos ser uma boa pessoa, mas não precisamos ser perfeitos.

Às vezes pensamos que a nossa vida é como um thriller de cinema e que a qualquer momento, o filme vai começar. Na verdade, o thriller já era o filme e cabe a nós extrair o melhor dele, mesmo que tenhamos entrado na sala de projeção errada.


SÍLVIA MARQUES

segunda-feira, 25 de maio de 2015

Que bom que existe o domingo!


Passos mais lentos... olhando um pouco mais longe. Sentindo gratidão! Que bom que existe o domingo! 
“E quando eu não sabia mais o que fazer, Deus sussurrou e disse: ‘confia em mim.’”

 A busca por soluções é intrínseca ao viver. De um lado para o outro, nos movimentamos e até nos agitamos. 
Mesmo não sabendo onde iremos chegar, vamos em frente. 
Viver é vencer etapas, alcançar metas, superar obstáculos. Contar somente com as próprias forças parece não ser o mais indicado. Em alguns momentos não se sabe mais o que fazer, nem o que pensar. Mesmo assim é preciso continuar respirando e acreditando numa possível saída. Por uns instantes, lá adiante, tudo se aquieta. 

Neste momento, Deus sussurra: ‘confia em mim.’ Uma força toma conta da existência. 
Uma luz expande seu brilho. 
Uma energia permite novos pensamentos. 
Algo se impõe: é preciso continuar. 

Quanto tempo perdido distante do amor de Deus. Muitos tentam caminhar sozinhos. Imaginam conquistar o mundo somente com as próprias forças. 
A fragilidade também interfere. Se somos portadores de uma grande fortaleza, carregamos igualmente deficiências. 

O certo é que Deus nunca deveria sair de cena. 
Confiar em Deus não pode ser a última opção, a tábua de salvação. Ter fé é abrir diante de si um leque de possibilidades. A fé não elimina as dificuldades e nem os sofrimentos. 

A espiritualidade é capaz de aumentar a própria resistência interior. 

Quem acredita em Deus continua caminhando, aguardando outros dias, novas chances. 

Deus não para de sussurrar em nosso ouvido. Aceita até nossas indiferenças. Se torna insistente pois sabe o quanto precisamos d’Ele. Chegou a hora de deixar de lado a teimosia. 

A confiança em Deus pode transformar o seu coração. Experimente o amor de Deus. A vida será totalmente diferente. Bênçãos! Paz e Bem! Santa Alegria. Abraço!

quarta-feira, 13 de maio de 2015

Mãe, senta aqui, me ouve um pouco




Tá na hora de você dar uma sossegada.

Mãe, pára um pouco. Dois minutinhos só. Sei que a ideia de parar não existe para você, mas eu tô pedindo. Baixa a frequência, senta no sofá, alguém cuida de todo o resto, vai por mim.

Eu sei que não importa quantos anos passem, você tem a eterna sensação de que é responsável por tudo. Pela sua vida, pela minha, pela dos que nos cercam, pelo seu trabalho, pelo meu trabalho, por tudo- inclusive o que está absolutamente fora do seu alcance.

Sei que não adianta eu te dizer que sou adulto, sei que você nunca vai aceitar a ideia de que já não está mais no comando.

Pois é, mãe. Mas o fato é que me flagrei adulto. Não só por causa do trabalho, das responsabilidades e cobranças. Me percebi adulto num certo dia perdido no passado. Dia em que engoli o choro para que você não visse. O dia em que disse em que estava tudo bem quando o peito estava cheio de fantasmas. O dia em que esperei você virar as costas para poder desmoronar.

Por quê? Porque eu sabia que, de um jeito ou de outro, as coisas se ajeitariam. E não ia ser através das suas mãos. Então, por que te preocupar? Por que te angustiar mais do que você já se angustia por conta própria?

Mãe, eu parei de depender da sua barriga, parei de depender do seu peito, parei de depender das mamadeiras quentinhas, parei de depender da ajuda no banho, parei de depender da sua carona.

Mas você nunca parou de se preocupar. Talvez se preocupe ainda mais agora, porque sabe que o voo é cada vez mais alto.

Você se lembra das centenas de vezes em que eu gritei “EU QUERO A MINHA MÃE!” quando era criança? Na verdade eu não queria. Eu precisava. Precisava do seu colo, do seu beijo na testa, do seu cafuné, do seu cheiro. Precisava, porque sem você não havia chão.

Hoje eu não preciso, mãe. Você já me ensinou a amarrar os sapatos, andar olhando pra frente, levantar das quedas, limpar as lágrimas, rir de mim mesmo e seguir em frente. Mais do que me ensinar, você foi o exemplo vivo disso.

Sério mãe, o mundo gira sem que você o empurre. E eu me viro sem que você perca o sono. Porque chegamos num ponto da vida em que eu perco o sono ao te ver sem dormir. Essa dinâmica já não faz mais sentido.

O famoso “eu quero a minha mãe!” é agora. Agora eu quero você. Mas quero você tranquila, ouvindo minhas histórias, mexendo no meu cabelo, rindo comigo, opinando, discordando. Não de peito apertado. Não suspirando pelos cantos achando que eu não vou encontrar o caminho certo. Eu vou. Você me deu o melhor mapa.

Aceite meu presente desse ano: uma relação de amor e de parceria, não mais de dependência, nem prática, nem emocional. Tanto minha quanto sua.

Meu presente, na verdade, é quase um pedido. Essa noite, mãe, deite a cabeça no travesseiro sabendo que está tudo bem. Que mesmo quando minha vida estiver dura, você não precisa ficar com os olhos arregalados, olhando para o teto buscando saída. Isso é comigo.

Você construiu uma pessoa com o que havia de melhor em você. Deu o que tinha e o que não tinha para me fazer feliz e sólido. E eu estou aqui, consciente da minha sorte e da minha força.

Olhe por mim, peça por mim, orgulhe-se de mim. Deixe-me ser de novo a luz dos seus olhos, como fui quando era um bebê sorridente. Não me iludo, achando que você vai parar de se preocupar. Sei que é impossível. Mas deixe-me hoje ser eu quem te abraça e te diz baixinho: está tudo certo.

*

*

♥ Com um beijo de feliz dia das mães às mães de sangue, mães de coração, mães que estão do outro lado das nuvens (mas sempre por perto), pais que também são mães e às tantas madrastas que são o avesso dos contos de fadas, que cuidam e amam pessoinhas que decidiram abraçar como suas.

RUTH MANUS

A odisseia de dormir junto

Ô delícia.


Dormir junto. Definitivamente a melhor e a pior ideia que o ser humano já teve.

Melhor porque é um dos momentos de maior comunhão da vida. Há quem diga que dormir junto com alguém é um ato mais íntimo do que o próprio sexo. Eu não duvido. Partilhar nossas sagradas e escassas horas de sono com alguém é mesmo um ato de entrega, da mais profunda e sincera generosidade.

Por outro lado… Sério. Gente. Que ideia. Sério. Difícil. Muito difícil.

Tudo começa com o horário de ir deitar.

Às vezes um acaba cedendo ao sono do outro, por mais que esteja absolutamente disposto, animado e- o pior de tudo- falante. Deitam na cama. Um se ajeita no travesseiro, se cobre e fecha deliciosamente os olhos. Mas aí vem o Sem Sono e diz algo urgente do tipo “você viu que vai abrir um restaurante de comida indiana perto da casa da sua tia?”. O Com Sono tenta uma resposta do tipo “Ah é? Legal…”, enquanto se afunda um pouco mais no travesseiro. E o Sem Sono insiste “É, mas não sei se vai dar certo não porque os últimos dois restaurantes indianos que eu conheço acabaram fechando e…”. Pronto, tá na cara que não vai acabar bem. O Sem Sono acaba sem respostas, o Com Sono sem poder dormir.

Mas, por fim, o Sem Sono pára de falar e decide se ajeitar na cama. Um já está lá, paradinho, cochilando e o outro começa a procurar posição. Gira pra lá, gira pra cá, dá pirueta, parece um frango de padaria. Conforme ele gira, o que já cochila vai pulando por causa do balanço do colchão, quase como se estivessem numa cama elástica.

Mas pronto. Adormecem. Que bom. Até que um dos dois dá um daqueles bizarros trimiliques semi epiléticos e o outro quase enfarta de susto. Tudo bem. Passou. Dormem de novo.

De repente um deles acorda assustado com um barulho. Não sabe bem se é uma broca no vizinho, um leitão na varanda, um trator na rua ou o Godzilla na janela. Mas não é nada disso. É só aquela pessoinha amada tentando respirar. Inacreditável. A cada ronco até a estrutura do prédio treme. Uns 6,8 na escala de Richter. E é geralmente nessa hora que elas resolvem extravasar todo seu lado afetuoso, abraçando a outra pessoa bem pertinho só para roncar carinhosamente bem na orelha dela.

Superada (ou tolerada) esta dificuldade começam os problemas de termostato. Enquanto um transpira como se estivesse fazendo sauna no inferno, o outro puxa o edredom até o pescoço. E claro, o edredom é um só e acaba cobrindo também aquele coitado que está morrendo de calor, que acaba tentando escapulir uma perna e um braço para fora da cama. Nessas horas, ar condicionado e ventilador causam mais discórdia do que whatsapp de ex. E nas raríssimas vezes em que há harmonia de temperaturas, começa um tipo de cabo de guerra com a roupa de cama. Só sobrevivem os fortes.

Ainda tem aquelas maravilhas periféricas tipo um que baba no braço do outro, um que range o dente sem parar, um que solta frases non-sense durante a noite, um que levanta 5 vezes para fazer xixi, um que vai avançando no terreno alheio até quase jogar o outro no chão, o outro que bebe 6 litros de água durante a noite. Enfim, essas alegrias todas.

Mas os abraços noturnos compensam tudo. Especialmente quando um coloca o braço embaixo da orelha do outro, que começa a ficar quente e vermelha enquanto o braço formiga até o cotovelo travar de dor. No verão então, é uma maravilha. Você mal aguenta o contato com o lençol e recebe aqueles doces abraços de uma criatura cujo corpo está a 36 graus. Meu Jesus.

Para acordar, nada melhor do que um ter programado o despertador e na hora que toca ninguém saber o que está acontecendo. É o seu? É o meu? É a campainha? Até que um bate naquela porcaria e… Coloca na soneca. Dez minutos depois a porcaria toca de novo. E mais dez. E toca. Mais dez. Toca. Detalhe: são 6:40, sendo que o dono do despertador devia ter levantado às 6 e o outro coitado que já acordou 4 vezes só precisava levantar às 9.

Não é fácil.

Mas quando acaba toda essa saga, você olha para aquela pessoa na cama e acaba sorrindo. Não sabe bem por que, mas tem certeza de que aquilo tudo faz sentido: roncos, babas, trimiliques e tudo mais. Não tem jeito, aquela noite atrapalhada é mesmo boa. E por mais confortável que seja uma noite com a cama todo ao nosso dispor, sem disputas por espaço ou por lençol, fica faltando alguma coisa. Uma cama gostosa, inteira e cheia de travesseiros acaba se tornando uma cama vazia.

Coisas que só o amor explica.

RUTH MANUS

sábado, 28 de março de 2015

Outros ares... outros ritmos...

Bom Dia! Sábado: outros ares... outro ritmo...

Mas o coração é o mesmo: inquieto e esperançoso!

“Em frente ou então enfrente!” (Paola Gavazzi). 

A cada amanhecer é necessário reunir forças, multiplicar energias e renovar o ânimo para dar conta da vida. Tocar em frente não é uma imposição. É uma alternativa bem inteligente. O somatório de avanços poderá render muita satisfação. 

Nem todos estão contentes com a vida que levam. Alguns não fazem nada para alterar a rotina. 
Novos resultados implicam em novas posturas. Viver não é complicado. Mas é necessário prestar atenção na distância que existe entre o sonho e a realidade. 

Os sonhos embalam as buscas. A realidade vai dando o formato possível. Porém, tudo é muito dinâmico. Sem avançar ao menos um palmo, cada dia, é o suficiente para comprometer a caminhada toda. É preciso ir em frente. Se não for assim, você terá que enfrentar as consequências. 

Há uma longa distância entre ir em frente e enfrentar os resquícios advindos de algumas escolhas.
O mais fácil é adiar os enfrentamentos. 

Num primeiro momento é até confortável não enfrentar determinadas situações. Porém, as perdas podem resultar num somatório nada agradável. 

Uma postura mais proativa poderá redesenhar soluções não pensadas anteriormente. A vida sempre surpreende quem flexibiliza possibilidades. Mas nada substitui o ânimo e o vigor de ir em frente. 

Se você não for em frente os objetivos não serão alcançados e a vida desperdiçará aquele sabor do esforço e da persistência. 
Que haja muita inspiração e infinita força de vontade. 

Lamentações não qualificam a vida. 

Um dia será possível olhar para trás e afirmar: valeu a pena! Bênçãos! Paz e Bem! Santa Alegria! Abraço!

Frei Jaime Bettega

quarta-feira, 25 de março de 2015

SUA VIDA VAI MUDAR, SE PASSAR UM MÊS SEM RECLAMAR

Queixa vem do latim, de quassiare, de quassare, que significa golpear violentamente, quebrantar, e expressa uma dor, uma pena, o ressentimento, a inquietação…


Poucos de nós nos damos conta do quanto nos queixamos. De como, sobretudo depois de uma certa idade, reclamamos o tempo todo. Muitas vezes, nem pensamos no que estamos falando. Virou hábito transformar tudo em motivo de reclamação. Estou me referindo aqui àquelas queixas bobas, sem importância, que a gente teima em fazer. 

Uma amiga inglesa que conviveu bastante com brasileiros me disse uma vez que nós nos queixamos excessivamente. Pensando nisso resolvi resumir o artigo que acabo de ler no El País, sobre como deixar de reclamar pode tornar a nossa vida – e a de quem no ouve – melhor.

Para tornar a convivência mais saudável e agradável, dois amigos decidiram fazer um pacto inusitado, à primeira vista, mas de muito bom senso, se a gente pensa bem: resolveram ficar um mês inteiro sem se queixar. 
Sem lamentar esses pequenos acontecimento chatos que vão acontecendo com a gente – levanta-se mais tarde do que queria, se esquece de levar o guarda-chuva e se encharca, tem que engolir desaforo de um conhecido, o choro do bebê da vizinha, enfim… Para ter certeza que passariam pela prova, combinaram de levar o plano adiante no mês de fevereiro, por ser o mais curto do ano.


A primeira experiência foi em 2010. “Como depois nos sentimos mais felizes, decidimos repetir no ano seguinte”, conta um deles, Thierry Blancpain. A coisa evoluiu e, no ano passado, os dois convidaram amigos para entrar no jogo. 
Diante dos resultados positivos, em fevereiro deste ano, abriram para todo mundo. Através de redes sociais, como facebook e twitter, convidaram quem quisesse participar do movimento complaint Restraint February – algo como fevereiro com menos queixas. Esperavam ter 50 inscrições. Receberam 1.750.

Thierry Blancpain explica que os benefícios de se conter para não se queixar à toa variam . Por um lado, aumenta “a sensação de alegria” e diminui a de “estar cansado”. Por outro, adquirimos “conhecimentos sobre a forma como nos comunicamos e como se comunicam as pessoas do nosso entorno”. 
Durante esse mês, a gente se dá conta de que certos conhecidos são muito negativos e fazem a gente mais infeliz. “Pode soar duro, mas acho que não é razoável passar tempo com uma pessoa com a qual nos sentimos pior depois”, diz ele.

Os dois se surpreenderam a com o sucesso da experiência nas redes sociais: algumas pessoas disseram que tinham tornado suas vidas melhores, outras comentaram que se deram conta de que havia pessoas muito negativas em seu entorno. 
Deu tão certo que os dois já estão pensando na campanha de fevereiro do ano que vem. Querem atrair mais gente e, para isso, vão preparar material de divulgação contando os detalhes da experiência, para ajudar a quem quiser aderir ao movimento.

Acho que vão ter mais sucesso quando não se limitarem a se queixar menos apenas no mês de fevereiro. Por que não lançar um movimento desses incluindo os 12 meses do ano? Tem alguma coisa mais desagradável do que alguém se queixando o tempo todo?

Maya Santana

http://www.50emais.com.br/artigos/sua-vida-vai-mudar-se-passar-um-mes-sem-reclamar/

segunda-feira, 9 de março de 2015

Lugares sombrios da alma...


Às vezes me pergunto por que é tão difícil aprender as lições da vida. Na escola, fui sempre boa aluna e para aprender um conteúdo de determinada matéria, só tinha que estudá-lo com eficiência. Mas, no meu cotidiano, todos os dias estou faltando com lição que já deveria ter aprendido. E continuo minhas perguntas: 
Quantas vezes terei que repetir os mesmos tombos e as mesmas escorregadas? É claro que com o passar dos anos, tudo isso fica mais preocupante, porque a vida vai se escoando... 
E se não der tempo de aprender?

Estou falando é sobre essa pessoa do lado de dentro que resmunga, fala palavras que não deveriam ser ditas, responde reativamente, sem pensar que pode estar magoando. 
Há palavras que acariciam e outras que causam feridas profundas. E lá vou eu, de novo, ser reprovada na prova.

Quantos habitantes carrego dentro de mim e quantos deles eu não reconheço como parte do meu ser? O que acontece é que cada cara nova que aparece, me deixa confusa, pois tenho que buscar força para suportar as consequências e coragem moral para fazer o que preciso.

Um professor, mestre amigo, me disse um dia, quando eu lhe contava mais uma de minhas escorregadas: É assim mesmo! 
Todos os dias caímos e quase sempre no mesmo buraco. 
Temos que levantar, continuar a caminhada, não olhar para trás e fazer a aprendizagem. 

Mas e a culpa e o arrependimento? perguntei. Isso é como se estivéssemos com um grande pássaro negro sentado nos nossos ombros, continuou me explicando o professor. 
E se não nos livramos dele, nossa caminhada não acontece. Ficamos parados, estáticos, alimentando-nos de lixo emocional.

Agradeci ao professor que terminou sua fala citando um poeta latino, chamado Terêncio:”Sou humano e nada que é humano me é estranho”.

Tenho concluído, após cada tombo, que ser humano significa saber que andamos por lugares sombrios dentro de nós, muitas vezes irreconhecíveis. 
Quando faço uma escolha, por mais inconsciente que ela tenha sido, eu não tenho outro caminho a não ser aceitar a responsabilidade e as consequências dos meus atos e das minhas palavras. 
A consciência envolve o reconhecimento do dano causado a mim mesma, ou ao outro.

Então, lá vou eu... Compaixão deve ser a palavra que vai me guiar. 
Volto a estudar a mesma lição, reconheço minhas limitações e caminho para não ficar, outra vez, de recuperação na escola da vida. Será?

Jane Mahalem, escritora
Nossas Letras
 

Amor

“A beleza das pessoas está na capacidade de amar e encontrar no próximo a continuidade de seu ser.” 

Alguém afirmou que a vida é um somatório de passagens. Uma etapa se despede para a outra ser iniciada. 

A cada ano a idade vai construindo passagens. Seria interessante internalizar que tudo passa. Uma nova experiência: ou se acha que não se deveria passar ou que está demorando para passar. 

Se existe ainda algum segredo, este tem uma denominação inspiradora: amar. 

O amor não passa. Pelo contrário, constrói passagens. 

A beleza das pessoas está para além da aparência e do físico. 
A capacidade de amar é o maior critério de estética. 

Quando uma pessoa ama, tudo nela se harmoniza e se adequa ( ajusta). 
Quem ama nunca se aquieta. Está sempre em movimento. Pois, é próprio do amor construir saídas: sair de si para ir ao encontro do outro. 

Quem ama verdadeiramente descobre no outro a continuidade de seu ser. 
Quem ama permanece vivo na existência do outro. 

Enquanto o egoísmo leva ao fechamento, o amor provoca libertação. A liberdade é a expressão mais saliente da expansividade do amor. 

Continuar vivo nos outros não é uma ambição. É a normalidade do amor. 

Acontece que o egoísmo tem recebido uma certa maquiagem de amor. 

Nem todos sabem distinguir amor de egoísmo. 
A bondade parece ser o braço visível do amor. Onde está a bondade, o amor se faz construção. 

É simplesmente maravilhosa a vida de quem sai de si e se prolonga na vida dos outros, exercitando a caridade. 
Que a estética alcance a profundidade: lá onde o amor se faz essência!


Frei Jaime Bettega 

sábado, 7 de março de 2015

Dia da Mulher. Eis o porquê


Provavelmente, o filósofo romano Sêneca quando disse que “uma mulher bonita não é aquela de quem se elogiam as pernas ou os braços, mas aquela cuja inteira aparência é de tal beleza que não deixa possibilidades para admirar as partes isoladas”, pretendeu referir-se inclusive ao interior infinito da mulher.

Maravilhosas realistas, as mulheres fazem o que têm que fazer, enfrentam monstros que fazem correr os homens e se doam, sôfrega e absolutamente àqueles a quem amam. Frágeis? Na força física, talvez. A mais infame das forças. 
Se fossem também fortes nesse sentido, isso seria uma injustiça conosco. O que nos restaria? 
Em todo o excedente elas superam-nos, homens, cruelmente expondo toda a fragilidade que incondicionalmente negamos. 
Enquanto isso, nossas heroínas, assumindo suas próprias poucas fraquezas, transformam-nas, assim, em energia pura trabalhando a seu favor; se armam com suas próprias fraquezas. 
São mestras em subordinar a truculência ao sentimento. 
Há nelas um superávit das virtudes que nos faltam.

Deus, ao criar a mulher, equipou-a com tudo o que há de melhor para se instalar num ser humano. Seus olhos falam quando ela sorri, mas principalmente quando choram. 
Há em suas lágrimas muito mais significados do que mil palavras. 
O ventre muda-lhe as formas, dando à mulher mais graça enquanto ali dentro, no mundo bom, são preparadas duas novas vidas: a de um filho e a de um urso. Mexa com seu filho e conhecerá o urso.

Seus braços pequenos são grandes o suficiente para envolver seus amores por toda uma vida. Até o último dos seus dias, seus braços abraçarão. 

Louvadas sejam as mulheres! Louvado seja Deus, por tê-las criado tão perfeitas para o mundo, ainda que o mundo nem sempre as trate como merecem. 
Esqueça a procriação e responda à pergunta: o que faríamos sem elas?

Benditas sejam vocês, mulheres, que tornam o mundo viável à vida e fazem a vida valer a pena ser vivida.

Carlos Alberto de Oliveira 





terça-feira, 3 de março de 2015

Reflexão

"Descarte: coisas que você não usa, sentimentos que não fazem bem, preocupações que pesam, medos que paralisam.”


São poucos os que não são tentados pelo desejo de acumular. 
É quase natural o querer possuir. Até o desnecessário é guardado com o pretexto que poderá ser útil, um dia. Assim como algumas coisas devem ser retidas, muitas não deveriam ocupar espaço. 

O interessante é que além das coisas materiais, guarda-se sentimentos e acontecimentos que não plenificam a vida. 

Porém, chega um momento em que é preciso avaliar e desfazer-se. 
Alguns adiam, escondendo-se atrás de desculpas. 

Como faz bem libertar-se do que pesa e só ocupa espaço. Além do mais, outros poderão usufruir. 

Quantos estariam precisando do que está guardado em gavetas e armários! 
No campo material, com um pouco de insistência, a limpeza acontece. 

O mais difícil e exigente parece residir no campo dos sentimentos. Não são poucos os que vivem de forma pesada. 
Recolhem mágoas, colecionam ressentimentos, permitem-se odiar. 
Deixam a amargura estampar o semblante, esquecem-se de sorrir. 
Com os passar dos dias, vão se distanciando da felicidade. 
Como faz bem descartar alguns sentimentos, afastar o excesso de preocupações, mandar para longe os medos, que sugam as energias. 

Viver de forma leve e simples supõe determinação. 
Imersos num mundo que direciona e influencia, a todo instante é necessário resgatar as metas, redesenhar os sonhos e reunir as melhores energias. 

Ocupados excessivamente com o material, corre-se o risco de perder a melhor parte da vida. E o tempo não volta atrás. 
Então, o que tem que ser feito já está agendado: hoje. 

Bênçãos! Paz e Bem! Santa Alegria! Abraços!



Frei Jaime Bettega 

terça-feira, 24 de fevereiro de 2015

Da desimportância das pequenas coisas da vida


Sempre ouvi sermões sobre a importância de valorizar as pequenas coisas da vida. Acontece que, adulto, percebi que as valorizei demais – e fui soterrado por miudezas.

Sempre ouvi – e li – sermões sobre a importância de valorizar as pequenas coisas da vida. Os pequenos momentos, as pequenas alegrias. Inspirações.

Detalhes, miudezas.

Quando o meu pai morreu, pensei em todos os clichês sobre a morte (e espantado concluí que eram terrivelmente verdadeiros) e enfim percebi que não era a negligência a esses pequenos momentos que me emurchecia. Não o descaso com as simplicidades do dia a dia.

Era rigorosamente o contrário.

Subitamente, no meio de uma travessia, durante um trauma, no limiar da vida, você refaz a medida de todas as coisas. O metro de todas as batalhas perdidas (confessemos: nenhuma batalha é vencida). E no metro de todas as coisas vê a pequenez dos tantos esforços a causas tão pequenas.

Quase toda a minha vida não admitia atrasos a compromissos, quaisquer que fossem os compromissos. Uma dessas pequenas coisas da vida, que me ensinaram a valorizar tanto quanto um abraço em uma pessoa querida. Alegrava-me com nascimentos, chegadas, conquistas; entristecia-me com mortes, violências, partidas. Invariavelmente, contudo, estava na hora exata no escritório, despachando as ordens do dia. Fui sozinho quando deveria ter ido junto, deixei de passar mais tempo com quem amava para não modificar minha agenda, submeti-me a empregos maçantes, dias maçantes, encontros maçantes com pessoas desinteressantes porque, de alguma maneira, era necessário fazê-lo.

Às vezes, por delicadeza. Às vezes cortesia.

Os pequenos momentos da vida são esses, e ocupam vida demais. Ser rígido no trabalho, pontual; cortês; exigir-se demais, impor-se um sarrafo inutilmente elevado para objetivos os mais rasteiros: um pouco mais de dinheiro, um pouco mais de atenção, um pouco mais de prestígio, um pouco mais de desejo.

Todas essas pequenas coisas.

Não é preciso valorizar as pequenas coisas da vida, tangíveis ou não, pois, em sua multidão de pequenezas, já nos soterram dia a dia.

Preciso é enxergar as coisas grandes, muito mais do que grandes, as coisas que ficarão.

Renato Essenfelder



sábado, 21 de fevereiro de 2015

Decepção



Bom dia! Disfarçando o cansaço, apostando nos motivos que fazem viver...

“Quando há uma grande decepção, não sabemos se esse é o fim da história. Pode ser apenas o começo de uma grande aventura.” (Pema Chödrön).


Qual é o tamanho da decepção? Ela não tem tamanho. O que pode ter tamanho é a intensidade de amor dedicado. Interessante como a decepção é dolorida. Porém, antes da dor, estava um grande sentimento de amor, de confiança e cumplicidade.

Só tem dor porque houve amor. E viver sem amar não dá em nada. A vida, cedo ou tarde, será ‘cobrada’ pelo amor. Não querer experimentar o sofrimento é o mesmo que não querer amar. Impossível amar sem correr riscos.

Pode não dar certo. A decepção poderá invadir o espaço existencial. Mas por causa do amor, tudo vale a pena. E a se a decepção chegar, é possível refazer-se e continuar abrindo novos caminhos. Se algo terminou, pode-se apostar em algo que está por iniciar. O que não convém é ficar remoendo o que não tem volta.

Quanta gente que estaciona na tristeza. Energias desperdiçadas. Céu sem estrelas. O bom senso acena para a continuidade da vida. Voltar à normalidade é uma opção com múltiplas possibilidades. O mundo não termina simplesmente pela proximidade de uma decepção. Pode estremecer, mas ressurgirá vigoroso e encantador. Essa é a vida que, um dia, cada qual recebeu como um grande presente.

E por ser assim, vale a pena. Aconteceu tal coisa? Não é o fim da história.

Tem tudo para ser o começo de uma grande aventura. Bênçãos! Paz e Bem! Santa Alegria! Abraços!




Frei Jaime Bettega OFM

Minha vida

Oliver Sacks diante da morte

Traduzimos na íntegra o texto do neurocientista para o The New York Times sobre seus últimos meses de vida após descobrir um câncer terminal



Um mês atrás, parecia que eu gozava de boa saúde, poderia se considerar até mesmo excelente. Aos 81 anos de idade, ainda nado 1500 metros por dia. Mas minha boa fortuna já havia se esgotado – algumas semanas atrás fiquei ciente de que tenho múltiplas metástases no fígado. Nove anos atrás descobrimos que eu tinha um raro tumor no olho, um melanoma ocular. Ainda que a radiação e o uso de lasers para remover o tumor me tenha deixado cego daquele olho, apenas em casos muito raros tumores deste tipo fazem metástase. Ainda assim, estou entre os 2% que não têm sorte.

Sinto gratidão pelos nove anos de boa saúde e produtividade desde o primeiro diagnóstico, mas agora me deparo com a morte. O câncer ocupa um terço de meu fígado, e embora seu avanço possa ser desacelerado, não há como parar esse tipo particular de câncer.



É só minha a decisão de como viver os meses que me restam. Tenho que viver da forma mais rica, profunda e produtiva que conseguir. E nisso me encorajo com as palavras de um de meus filósofos favoritos, David Hume, que, ao descobrir aos 65 anos de idade que uma doença o levaria à morte, escreveu uma curta autobiografia num único dia de abril de 1776. A ela ele deu o título de “Minha vida.”


“Neste momento me deparo com uma dissolução muito rápida,” escreveu ele. “De minha condição, sofro muito pouco com dor, e o mais estranho é que, não obstante a grande derrocada de minha compleição, nunca cheguei a sofrer um momento sequer de esmorecimento do humor. Mantenho o mesmo ardor de sempre pelo estudo, e a mesma alegria na companhia dos outros.”

Tenho sorte de passar dos 80, e os 15 anos que superaram as seis décadas e cinco anos de Hume me foram igualmente plenos de trabalho e amor. Nesse período publiquei cinco livros e completei uma autobiografia (um bocado maior do que as poucas páginas de Hume) a ser publicada nessa primavera; tenho vários outros livros quase prontos.

Hume continuou, “Sou ... um homem de disposições brandas, em comando do meu próprio temperamento, de humor aberto, social e alegre, dado ao apego, mas pouco suscetível à inimizade, e de grande moderação em todas minhas paixões.”

Nisso não sou como Hume. Embora eu tenha vivido relacionamentos amorosos e amizades, e não tenha inimigos verdadeiros, não posso dizer (nem ninguém que me conhece diria) que sou um homem de disposição branda. Pelo contrário, sou um homem de disposição veemente, de entusiasmos violentos, e extremamente desprovido de moderação com relação a todas as minhas paixões.


Ainda assim, uma frase do ensaio de Hume me é marcante como especialmente verdadeira no meu caso: “É difícil”, escreveu ele, “alguém ter mais desapego pela vida do que neste momento.”Ao longo dos últimos dias, tenho sido capaz de ver minha vida como se de uma grande altitude, como uma espécie de paisagem distante, e com um sentido aprofundado da conexão entre todas as partes. E isso não significa que minha vida acabou.


Pelo contrário, me sinto intensamente vivo, e quero e espero que no tempo que me sobra que eu aprofunde minhas amizades, diga adeus para aqueles que amo, escreva mais, viaje se tiver a força, e alcance novos níveis de entendimento e discernimento.


Isso demandará audácia, clareza e conversas diretas; tentar acertar minhas contas com o mundo. Mas haverá tempo, também, para alguma diversão (e até mesmo para alguma bobeira, sem dúvida).


Repentinamente me sinto possuidor de um foco muito claro, e de perspectiva. Não há mais tempo para nada que não seja essencial. Preciso focar em mim mesmo, no meu trabalho e nos meus amigos. Não vou mais assistir o jornal na TV todas as noites. Não vou mais prestar atenção para política ou para argumentos sobre aquecimento global.


Não se trata de indiferença, mas de desapego – ainda me importo muito com o Oriente Médio, com o aquecimento global, com o crescimento da desigualdade, mas estas coisas não estão mais na minha alçada; pertencem ao futuro. Regozijo-me ao encontrar jovens capazes – até mesmo aqueles que fizeram minhas biópsias e diagnosticaram minhas metástases. Sinto que o futuro está em boas mãos.


Cada vez estou mais consciente, nos últimos 10 anos mais ou menos, das mortes de meus contemporâneos. A minha geração está de saída, e senti cada morte como uma ruptura, como se parte de mim se rasgasse. Não haverá ninguém como nós quando nos formos, mas na verdade não há ninguém que seja como outro alguém, nunca houve. Quando as pessoas morrem, são insubstituíveis. Deixam buracos que não podem ser preenchidos, pois é o destino – o destino genético e neural – de cada ser humano ser um indivíduo único, encontrar seu próprio caminho, viver sua própria vida, e morrer sua própria morte.


Não posso fingir que não tenho medo. Mas meu sentimento predominante é a gratidão. Amei e fui amado; ofereci muito, e recebi algo em troca; li, viajei, pensei e escrevi. Comuniquei-me com o mundo com a comunicação especial dos escritores e leitores.


Acima de tudo, tenho sido um ser senciente, um animal pensante, nesse belo planeta, e isso por si só foi um enorme privilégio, e uma aventura.

—Oliver Sacks

sábado, 7 de fevereiro de 2015

Faça de seu caminho um espelho de si mesmo


A natureza segue suas próprias regras: desta maneira, você tem que estar preparado para súbitas mudanças do outono, o gelo escorregadio no inverno, as tentações das flores na primavera, a sede e as chuvas de verão. 
Em cada uma destas estações, aproveite o que há de melhor, e não reclame das suas características.

Faça do seu caminho um espelho de si mesmo: não se deixe de maneira nenhuma influenciar pela maneira como os outros cuidam de seus caminhos. 
Você tem sua alma para escutar, e os pássaros para contar o que sua alma está dizendo. 
Que suas histórias sejam belas e agradem tudo que está a sua volta. 
Sobretudo, que as histórias que sua alma conta durante a jornada sejam refletidas em cada segundo de percurso.

Ame seu caminho: sem isso, nada faz sentido.

Paulo Coelho

sábado, 31 de janeiro de 2015

É preciso... e possível


O que mais dói na miséria é a ignorância que ela tem de si mesma.”

Colho essas palavras no texto de abertura do livro Vozes anoitecidas, do ganhador do Prêmio Camões, em 2013, o moçambicano Mia Couto. E sobre elas me debruço.

É importante considerar a amplitude de significados que ambos os vocábulos abrangem. Nem toda miséria está necessariamente ligada à falta de recursos materiais, e nem toda ignorância à falta de escolaridade ou à rudeza de atitudes. Assim, tomando ambos os vocábulos em sua multiplicidade de facetas, entre miséria e ignorância há convergência, porque ignorância é miséria, e há reciprocidade, porque - como se observa nas palavras do escritor - à miséria corresponde uma doída ignorância: a de si mesma.

Seja a miséria sujeito (e reflexo) da ignorância, ou a ignorância sujeito da miséria, ambas estão fundidas, calcadas e caladas no mesmo vazio, no mesmo torporoso breu. Diz Mia Couto: “Existe no nada essa ilusão de plenitude que faz parar a vida e anoitecer as vozes.” Chego a pensar que, no abismo que habita esse nada, um breve, tênue, fio de luz arrisca-se a evocar o gume de um punhal - frio ensaio de dor e morte penetrando o “cômodo” marasmo da treva.

É preciso que uma lua grande e clara atravesse o oco dessa noite para que a mais mínima possibilidade de dia nela se desvele.

É preciso que essa clara lua ceda lugar a um abrasado sol, para que as pálpebras, ainda que cerradas, pressintam a cálida beleza da vida.

É preciso que uma rajada de luz plena corte as entranhas desse mudo abismo para que a vida se mova, e os olhos e as bocas se abram sem medo ao azul.

É preciso que o sol amanheça o homem para que se saiba: é necessário e possível despertar vozes anoitecidas.


Eny Miranda, médica, poeta e cronista

sexta-feira, 23 de janeiro de 2015

Gratidão: a melhor coisa que alguém pode ter na vida


Ao invés de estar sempre reclamando das coisas más da vida, que tal pensar em agradecer tudo o que de bom esse mundo tem pra nos dar?
Quantas vezes já mostramos nossa gratidão por ter uns olhos que nos permitem ver, uma natureza maravilhosa com a qual podemos compartilhar nosso lugar na Terra, quantas vezes já mostramos gratidão por existir?

Essa é a perspectiva de Louie Schwartzberg, cineasta e fotógrafo, que não deixa a beleza da natureza escapar à sua lente. 
Ele faz espantosas fotografias em time-lapse e, ao longo do palestra que deu no TED, vai juntando essas imagens com um discurso poderoso e inspirador, que nos convida a repensar nossa forma de entender o mundo e a nossa própria existência.

As palavras e imagens abaixo servem de meditação e mostram por que devemos estar agradecidos por cada dia que nos é oferecido (o vídeo está legendado).

Do site: http://www.contioutra.com/



terça-feira, 6 de janeiro de 2015

Solidão


Estar só não é para gente que transforma tudo em um dramalhão mexicano, e sim para quem sabe ver de ângulos diferentes, sem se sentir vítima do destino. 
Abaixo aos vínculos pela metade! Esteja inteiro nos momentos com você mesmo, se enfrentando sem medo, sem máscaras e Smartphones

Como ser capaz de lidar com a solidão em uma sociedade que é regida pelas aparências? 
E nesses 8.748.364 e muito mais de pessoas pelo mundo, muita gente prefere estar mal acompanhado para não aparentá-la, mesmo sem ganhar uma verdadeira companhia nessa dança de relacionamentos mimetizantes, que só servem para pessoas que querem se esconder de si mesmas, e fazem diversos malabarismos para manter relações que desafiam até a lei da gravidade. 

Inundados de amor líquido, estar só começa a ter conotação de fracasso, esquisitice ou problema, mas porque você não pode aparentar a solidão estando muito bem acompanhado? 
A partir daí começa aquele teatro: vida virtual, milhares de amigos, aquisições pessoais e nenhum significado. 

Aparecer sozinho em um lugar pode significar tanta coisa, isso vai falar mais do entendedor do que de você mesmo, por que não se permitir dar as mãos para você mesmo? 
O que eu falo aqui, longe de um egocentrismo idiota, é mais um gesto de ser uma boa companhia para si . 
Passe uns minutinhos ou horas exercitando o diálogo interno, crianças são especialistas nisso, e não é a toa que as vezes sentimos saudade daquelas épocas remotas. 

Como diz Clarice, a solidão tem lá sua plenitude: “ Que minha solidão me sirva de companhia, que eu tenha a coragem de me enfrentar, que eu saiba ficar com o nada e mesmo assim me sentir como se estivesse plena de tudo”.

Eu gosto de andar por aí, sem marcar data nem horário, um encontro casual e inesperado, caminhando livremente com o vento batendo em meus cabelos, seja acompanhada de uma boa música, ou ouvindo a música dos dias. 
Começo a lembrar de tudo que eu já vivi até aqui, os figurantes ganham a cena principal, e visualizo fantasiosamente todas as pessoas que já estiveram ao meu lado nessas andanças. 
Algumas eu quero que estejam mais vezes, outras me presentearam com questionamentos e me deixaram em dúvida, ou me deram certezas demais, e por fim um outro grupo das que eu prefiro correr para bem longe. 

Uma caminhada com você mesmo é sempre muito reveladora, os momentos de introspeção devem ser divertidos, qual é o sentido de fechar a cara e se isolar ao estarmos ao alcance dos olhos dos outros, estando acompanhados somente dos nossos? 

Como dizia Jung quem olha para fora sonha quem olha para dentro acorda, e ao meu ver o despertar precede muitos encontros de valor inestimável.

Daqui em diante, eu só quero lembrar das boas companhias, que tem o dom de transformar horas em minutos, e para mim que sempre tive aversão a relógios e aquele tic- tac nervoso, esse fator está presente em todos os meus argumentos pró- existência. 
Que tal sentir o que te cerca, observando e se deixando observar sem medo, sem máscaras e sem precisar estar acompanhado? 
Vai sem medo! No começo é assustador mas depois o encontro vai ficando cada vez mais interessante, e você não precisa pagar a conta, o preço ainda não foi lançado no sistema.

E o que eu aprendendo nessas andanças? Só anda comigo quem se apaixonar pela minha solidão e vice-versa.


Lia Holanda
© obvious: http://lounge.obviousmag.org/

domingo, 4 de janeiro de 2015

Sobre a tolerância

A humilhação vem da intolerância e o Jornal Hoje conta sobre a tolerância, sobre a capacidade de aceitar a diversidade, as diferenças...


[....]

... Para muita gente é difícil aceitar quem é diferente.
Quem tem opção sexual diferente, quem torce para time diferente, quem gosta de coisas diferentes.

Aceitar as diferenças significa entender que o mundo não é formado pelo nosso reflexo. 
Aceitar é ser tolerante, é ter respeito pelo outro e essa atitude só faz bem tanto para o indivíduo quanto para a sociedade. 

Ser tolerante significa ter paciência, saber ouvir e pensar mais antes de agir.

"Tolerância é algo que permite que as pessoas sejam mais ouvidas ao longo do tempo e permite que pessoas errem menos. 

Capacidade de aceitar diferença, direitos do outro é primeiro importante para a vida pessoal, porque todos vão ter experiências diferentes, vão ter amigos, familiares com jeitos diferentes", explica Fernando Abrúcio, cientista político.

"É bom ser tolerante. Não necessariamente quem é tolerante é bom porque ser bom exige uma completude muito maior do que a tolerância. 

Mas ser intolerante é maldade. Isto é a intolerância, é a "inaceitação" à não aceitação da pessoa do jeito que ela é imaginando que o único modo de ser é como eu sou. 

Todo intolerante é tolo ao não ver a diversidade humana na sua exuberância", analisa o filósofo Mário Sérgio Cortella

Fonte: http://g1.globo.com/jornal-hoje

quinta-feira, 1 de janeiro de 2015

Como conviver com alguém de temperamento difícil?



Nenhuma pessoa pode ser taxada pela característica mais evidente, ou seja, eu não posso julgar alguém apenas por ter um temperamento forte

Quando pensamos em determinados comportamentos e situações, logo nos lembramos dos momentos nos quais não conseguimos lidar com determinados tipos de pessoas pelas características que elas possuem.

Pessoas consideradas "difíceis" encontraremos em todos os lugares: no trabalho, na escola, na família, na comunidade, entre nossos amigos, enfim, no convívio social sempre encontraremos pessoas com as quais teremos algumas ou muitas dificuldades.

O que popularmente chamam de "temperamento forte", pode revelar uma pessoa determinada, firme em seus propósitos, mas também alguém que pode dificultar relacionamentos, ser dura em seus pensamentos e, muitas vezes, alguém que pode ter barreiras nos seus relacionamentos em grupo. Nosso temperamento traz características herdadas de nossos pais. Se este "nosso tempero" é forte, logo lembramos que pode ter uma dose de "pimenta", de "sal" e outros tantos sabores.

Nenhuma pessoa pode ser taxada pela característica mais evidente, ou seja, eu não posso julgar alguém apenas por ter um temperamento forte. Mas como ajudar e ser ajudado nestes casos?

Nos relacionamentos cotidianos, vamos aprendendo a perceber as pessoas e a lidar com seus comportamentos. 
O primeiro ponto que podemos pensar é: "Será que esta pessoa tem algum comportamento que me irrita, pois se parece em algo comigo?". 
Será que você também é uma pessoa difícil? 

Procure, então, perceber-se, deixe de lado as acusações e passe a observar-se melhor. Ao perceber seus valores, sua forma de agir e perceber o mundo, muitas coisas poderão ser clareadas.
Claro que pessoas mal humoradas, de atitudes negativas, que apenas criticam ou para as quais o mundo sempre é ruim, pouco colaboram quando estão convivendo com os demais.

Com uma pessoa assim, é importante que sejamos assertivos, ou seja, que sejamos claros ao dizer, de forma adequada, os comportamentos dela que prejudicam aquele ambiente. 
Quando deixamos o fato de lado, eles podem "crescer" e quando percebemos todo o relacionamento pode ser perdido. Não "caia no jogo". Você pode ter um temperamento também forte e facilmente irritar-se e até alimentar aquela situação constrangedora. 

Acalme-se, olhe para a situação de forma racional e dê uma resposta diferente.

Compreender a forma da outra pessoa pensar também ajuda bastante. Procure pensar antes de dizer, não reaja de forma impulsiva. 
Quando uma situação está muito difícil, às vezes é melhor recuar e conversar quando ambos estiverem mais calmos.

Gosto muito de uma citação do Padre Joãozinho que diz assim: 

"Nós precisamos viver como patos e não como esponjas. Os patos têm uma glândula que distribui óleo em suas penas para torná-las impermeáveis. Depois que eles mergulham, sacodem as penas e já estão prontos para outra. Tudo fica por fora deles, nem a água nem a sujeira os atingem. 
Por outro lado, quando vivemos como esponja, absorvemos tudo que as pessoas nos dizem e acabamos nos tornando complexos, cheios de ressentimento".

Paciência e benevolência são poderosos instrumentos dos quais precisamos nos lembrar para um bom relacionamento com nossa família, filhos, amigos, trabalho, comunidade, escola. Pensemos nisso!


Elaine Ribeiro dos Santos

Natais e mudas de alface


A manhã chuvosa parecia costurada nos embaraços de uma noite mal dormida. O vulto de mulher prateado pelos raios de um sol recém nascido recolhia do tempo as agruras de saber-se temporário, imperfeito, afeito aos desajustes de um amor que adormeceu, mas que não desaprendera de amanhecer.

Era um corpo de dor, de mestruadas esperanças, de saudades e partos. Corpo de mãe, corpo de cumprir ofício de curar joelhos esfolados, de dar banhos que tinham o poder de lavar corpos e almas num mesmo acontecimento.

Corpo de amamentar filhos que crescem.

Aquela mulher e aquelas manhãs de dezembro. As recordações de seu tempo de menina, pobreza reconhecida, trazida na cara e denunciada pela moldura de olhos que não sabiam mentir.

O plantio programado, compromisso que nem mesmo a dor acontecida nas recentes horas poderia adiar, tinha ares de ritual religioso. A sementeira ao lado, moldada numa caixa de papelão resistente, sobre o canteiro que nasceu de suas mãos pequenas, esperava pela oportunidade de cumprir no tempo o destino de dar continuidade à obra da criação.

Morrer e viver são atos que se conjugam sem pressa.

A mulher sabia de tudo isso. As mudas miúdas também. Dotadas de sabedoria vegetal, cresciam ao seu tempo com a mesma simplicidade que é própria de quem não procura outro destino senão o seu.

Aquela mulher sabia mais. As mudas não mudam.

São sempre as mesmas desde o tempo de sua mãe. Ofício aprendido que se estende no tempo, feito consumação de uma despedida que se cumpre aos poucos, bem aos poucos.

Mudas de alface estão carregadas de sentido. Nelas, prepara-se o futuro que afugenta a fome, traz variações ao modo de carecer.

Recordo-me com saudade. O tempo era de chuvas. Jabuticabeiras explodiam.

Pequenos frutos pendurados em seu corpo de árvore-mãe, tal qual a minha mãe e seus meninos pendurados na cintura, entrelaçados nas pernas e puxando seus braços.

Dezembro tinha cores e histórias diferentes. Vitrines iluminadas, cartões de ocasião sendo preparados pela minha irmã, para que mesmo com simplicidade pudéssemos desejar votos de felicidades.

Presépio sendo retirado da caixa, árvores coloridas de bolas vermelhas, anunciando que nossa pobreza seria ainda mais exposta. Mas não havia problema. Nossa árvore, mesmo tão pobre, já era nossa alegria. As jabuticabeiras nos curavam de tudo...

Minha mãe e sua capacidade de replantar o mundo a partir de mudas de alface era o símbolo mais vivo de nosso Natal. Com seu jeito simples e hábitos rotineiros, ela condensava todas as virtudes que o acontecimento nos sugeria.

“O menino Jesus é quem merece presente neste dia!”, ensinava-nos como se quisesse modificar a ordem do mundo.

E assim acreditávamos.

Nossos presentes eram poucos. Quase nenhum. Só mesmo para não passar em branco, mas o mais importante nós não deixávamos de receber. O sorriso farto, a oração em família, a missa do galo e o nosso Natal já estava completo.

Aquela mulher nos fazia esquecer o que não tínhamos. Transplantava-nos, como fazia com as mudas de alface.
Deixávamos o chão estreito da sementeira e caíamos com nossas raízes nos canteiros fartos da simplicidade que ela sabia construir.

E assim era o nosso Natal.

Um acontecimento para nunca mais esquecer.

Padre Fábio de Melo

Feliz Transformação


A proxima-se o Réveillon . Um dezembro meio calado afivela suas malas já com certa pressa. Dentro delas, bem acomodadas, todas as lembranças e histórias, alegrias e tristezas, benesses e agruras dos últimos trezentos e cinquenta e tantos dias.

O ano de número dois mil e quatorze vai saindo de cena, cansado, surrado, por alguns até amaldiçoado.

E nós? Como ficamos nós?

Simples: nós ficamos aqui, preparando os caminhos para um outro ano, jurando uns aos outros e tentando nos convencer a nós mesmos de que será um ano maravilhoso, repleto daqueles votos que repetimos incansavelmente durante os intermináveis abraços e apertos de mão que distribuímos entre o dia de Natal e o trinta e um de dezembro. 
Muita paz, saúde, prosperidade, dinheiro no bolso etc.

Tenho a sensação de que cada um de nós, ao repetir a cantilena de votos de um novo ano melhor, na verdade, intimamente fica tentando se convencer de que, por alguma mágica maluca, a mudança do calendário por si só há de melhorar o mundo e as pessoas.

Sempre nutri certa desconfiança em relação a essa crença de que, mudando o número do calendário, há uma chance excepcional de que tudo a minha volta se transforme para melhor e que a vida passe a sorrir mais para mim.
[....]

O âmago da questão – sem mais rodeios – é que, ano após ano, temos a sensação de que tudo à nossa volta se repete...
[...]

.... Entra ano e sai ano, fazemos promessas de mudanças, votos de transformação e vamos repetindo à exaustão um modelo de vida e um corpo de crenças e ideologias que nos mantém atrelados a nossos pequenos vícios, às pequeninas imperfeições e preguiças que, somados, travam nosso progresso pessoal e assim esmaece o brilho dos votos que nos fazemos uns aos outros sob os fogos de infinitas noites de réveillon.

O que precisamos, mais do que um novo calendário, é de novas atitudes. 
Mais do que promessas regadas a champanhe e sopa de lentilhas, necessitamos é de uma decisão firme e coerente em prol da nossa transformação pessoal, da qual nascerá a transformação da sociedade.
Podem vir 2015, 2016... Se esses novos números nos encontrarem refratários às mudanças, hábeis apenas em pronunciar belos e estéreis presságios aos outros, o país nunca será aquele que sonhamos.

Por isso, eu desejo a você que está lendo esse texto, não saúde ou prosperidade, ou dinheiro no bolso. Desejo a você, atitude.

Desejo a você que pare de olhar para o calendário e volte os seus olhos para o seu interior, num profundo e sério exame de consciência, a fim de detectar onde está a necessidade de transformação para que você passe a ser tudo aquilo de bom que deseja aos outros, seja em janeiro, fevereiro ou setembro, seja que ano for.

Ronaldo Silva

Lá vamos nós...



Lá vamos nós novamente...

Comemoramos o Natal,

E com certeza, desejamos sonhos possíveis e impossíveis.

E por alguns dias abrimos espaço para sermos mais fraternos e solidários.

Lá vamos nós novamente...

Fazer um balanço do que foi; para sanar o que virá.

Buscaremos no novo ano sonhos antigos,

Amores perdidos, aquisições mil.

Lá vamos nós novamente...

Reinventar a vida, aceitar a morte.

Abrir feridas como também fechá-las.

Sulcar o rosto para contar histórias.

Provavelmente iremos rir muito, assim como chorar e nos indignar.

Vamos nos surpreender e sem dúvida nos entediar com a mesmice.

Contaremos os dias, fecharemos os meses;

E chegará o final de ano novamente para alguns;

Enquanto que para outros, será nova a Pátria.

Roda mundo, roda gigante... roda moinho, roda peão.

Lá vamos nós novamente, buscar realizações nas bobices recheando a vida,

E para tudo isso deveremos encontrar a fé ... somente a fé.

É....Novamente lá vamos nós!

Heloísa Bittar Gimenes