quarta-feira, 15 de outubro de 2014

Ser professor é um lance de amor

Não há melhor explicação.


Eu sempre quis ser professora.

Tornei-me advogada pelos acasos da vida. Blogueira então, nem se fale. Mas professora foi por sonho, por meta e, ouso dizer, alguma vocação.

Nesse caminho que venho trilhando constatei que existe uma profunda diferença entre dar aula e ser professor.

Dar aula é muito bom. É querer compartilhar conhecimento, propagar a informação. Dar aula exige esforço, dedicação, preparo.

Mas existe uma imensa distância entre “dar aula” e ser professor. Porque dar aula é uma atividade, mas ser professor é muito mais do que isso.

Ser professor é, muito antes de ser uma profissão, uma das formas mais genuínas do amor.

Como já dizia o grande mestre Paulo Freire, “eu nunca poderia pensar em educação sem amor. É por isso que me considero um educador: acima de tudo porque sinto amor.”

Porque professor vai além. Além das tarefas estabelecidas em contrato, além das horas pagas no holerite, além da ideia de que aquilo é apenas um meio para se ganhar a vida.

Professor quer saber o nome, quer saber quem é quem, quer saber as histórias, os origens, os rumos pretendidos.

Professor está na chuva para se molhar, para se arriscar diariamente. Para sofrer com as derrotas e vibrar com as vitórias dos alunos. Para corrigir provas como quem assiste a um jogo de futebol, se lamentando quando um craque chuta a bola no travessão. Desacreditando quando um perna de pau acerta a bola no ângulo.

Professor se envolve, mesmo quando tenta evitar.
Professor se perde no cronograma. Não está lá só para cumprir horário e currículo. Está lá para parar a cada dúvida, para ensinar não só a matéria, mas ensinar o melhor do pouco- ou muito- que sabe sobre a vida.
Professor acaba por viver muitas vidas além da sua. Vivencia o crescimento, os obstáculos, as crises, os começos de namoro, as brigas entre amigos, problemas de casa, a conjuntivite alheia, as angústias, os caminhos.
Professor não tem medo de se expor, de se mostrar humano e vulnerável. Não tem medo de roupa preta suja de giz, de pilhas de livros para carregar, da odisseia do fechamento dos diários no fim do ano, nem das provas que parecem dar cria na calada da noite.
Mas tem medo de errar. Ah, se tem. Mas continua, assim mesmo. Continua porque existe algo bem maior por trás desse medo. Algo que nos torna um tanto quanto imune às adversidades, salários brincalhões, poucas horas de sono, pendências infindáveis, conversas paralelas e ao eterno risco que é tentar ensinar.

Só o que sei é que, no fim das contas, ser professor é um lance de amor. Às vezes é sofrido. Às vezes é maçante. Como todo amor. Mas é uma dessas paixões avassaladoras que vicia, e que quem sente, já não consegue ver sentido em viver sem.

Que esse 15 de outubro, mais do que uma data para receber homenagens gostosas ou presentes queridos, seja um dia para lembrarmos o porquê de termos escolhido essa carreira (na verdade, não sei se escolhemos ser professores ou se a vida e a alma já escolhem por nós).

Mas que hoje seja o dia para lembrarmos da sorte que é vivenciar uma verdadeira vocação, poder acreditar no que se faz a cada dia e, acima de tudo, lembrar daquele meio sorriso iluminado que surge no rosto dos alunos quando se dão conta de que aprenderam algo. Não há melhor explicação: é um lance de amor mesmo.

Ruth Manus

terça-feira, 14 de outubro de 2014

O sábio e o bronco


É muito raro que isso ocorra. Mas, quando também o sono me abandona, concentro-me, ouço atentamente o silêncio.

Os ponderados me ensinaram sempre que ele é sábio.

Sua voz me é acalanto e me acalenta. O sono retorna sempre, no entanto.

E, quando o sol despeja luz em todas as direções, ando pelas ruas, tropeçando em conflitos mínimos, convencido de que pouco restou das lições que povoaram minha madrugada.


Luiz Cruz de Oliveira, professor, escritor, membro da Academia Francana de Letras

Viajar é preciso!


Viajei. Que delicia! Como é bom conhecer novos lugares, experimentar outros sabores, ter contato com outras culturas.

A viagem começa com sonhos, ilusões e curiosidades. Quesitos importantes para desfrutar a vida. Afora fatores de saúde e financeiro, que são realmente limitadores, somente os mais corajosos se permitem aventurar. Sim, pois o comodismo nos faz inventar desculpas para não sairmos do lugar, o tal de: “ Deixar como está, para ver como fica!”

Livres de limitadores, arrumamos as malas com as melhores roupas, visitamos os pontos turísticos mais interessantes, escolhemos bons restaurantes, falamos outra língua ou ao menos escutamos, acordamos em outro horário e assim por diante.

Já saímos de casa preparados para viver “o melhor”. Quando penso em “melhor” , não penso necessariamente no mais dispendioso, mas naquilo que mais se encaixa com o sonho.

A rotina é saudável, pois nos localiza no tempo e no espaço , o que reverte em segurança necessária para tocar a vida. Porém, o excesso dela pode trazer uma monotonia, acomodação que nos rouba o brilho e o sonho; aí, inevitavelmente ficamos reféns de nós mesmos, achando quase tudo difícil e sem graça.

Quando nos deparamos com o novo, reavaliamos nossas escolhas, nossas aquisições. E é nestas paradas que nos localizamos diante do mundo que nos circunda, revemos nosso posicionamento e entendemos o que até então estamos cultuando.

É importante reinventar a vida, elegendo metas que nos motivem trabalhar, relacionar e evoluir. Isso porque, se pensarmos que invariavelmente nascemos, crescemos e morremos; nossa única opção é buscarmos momentos que “recheiem” nossa estadia aqui. Lembro-me da minha avó que sempre dizia: “Da vida a gente só leva o que viveu e onde fomos.”

Claro que há outras formas de levar a vida com criatividade; mas, sem dúvida nenhuma, viajar é, ao meu ver, uma das mais emocionantes!


Heloísa Bittar Gimenes, psicóloga

Onde há um, há outro em potencial


Tenho registrado meus primeiros pensamentos ao acordar. Quero dizer, quando ainda não liguei a turbina do agir. Estou flutuando entre acordada e semi, e os pensamentos me tomam. Hoje foi este: qualquer projeto, coisa animal gente, que se ame, atenção reverência constância entusiasmo, traz aprendizado.

Aprendemos, sem dúvida, com um tipo de disponibilidade, que eu chamo amor, mas alguém pode chamar de outra coisa. Há quem aprenda com o humor e, às vezes, o humor é sádico e ama o grotesco. Há quem perca o amigo e não a piada. Eu perco a piada. Não consigo achar graça em ridicularizar ou humilhar gentes bichos pedras. Sinto mal estar íntimo com a feiúra, com o mal, com a destrutividade.

Não há feio que resista ao bom trato, à delicadeza, à atenção desinteressada. Pode ser bicho coisa gente: aparece alguma beleza que os olhos não registraram.

Não há mal que resista ao silêncio, ao recolhimento, ao vazio quando não há revide, ou violência de volta. Pode ser gente bicho coisa: aparece algum tipo de pudor e paralisia do ato maldoso que a ideia do mal não registrou.

Não há destrutividade que resista ao labor, ao movimento, à mudança de estado, quando não se permite sucumbir à violência do bate-volta, quando se refreia o ímpeto e o ódio. Pode ser coisa gente bicho: tudo permanece íntegro, quando a compaixão dirige a ação para novos ares, para novos projetos, novos estados de ser.

Acordei acreditando na maior beleza, no maior bem, na maior criatividade. Quem semeia chuvas colhe primavera. Quem quer o pouco chega a ter mais. O feio não lhe parece a quem ama o bonito.

Esperar e contemplar são qualidades fora de moda, mas estou aprendendo a cultivá-las mais e melhor. Perigoso alterar aquilo que ainda não estamos prontos para acrescer, multiplicar.

Tempo de novas mudas e colheitas. O mundo é vasto e mais vasto é o que não sei, não conheço, não fiz. Ainda não.

Hei de me cultivar e multiplicar.

Amanhã é outro dia, e serei outra amanhã.


Maria Luiza Salomão, psicóloga, psicanalista, autora de A alegria possível (2010)

domingo, 5 de outubro de 2014

O amor é simples

Conta uma testemunha ocular de Nova York :


Num frio dia de dezembro, alguns anos atrás, um rapazinho de cerca de 10 anos, descalço, estava em pé em frente a uma loja de sapatos, olhando a vitrina e tremendo de frio.

Uma senhora se aproximou do rapaz e disse:

- Você está com pensamento tão profundo, olhando essa vitrina!

- Eu estava pedindo a Deus para me dar um par de sapatos - respondeu o garoto...

A senhora tomou-o pela mão, entrou na loja e pediu ao atendente para dar meia duzia de pares de meias para o menino. Ela também perguntou se poderia conseguir-lhe uma bacia com água e uma toalha. O balconista rapidamente atendeu-a e ela levou o garoto para a parte detrás da loja e, tirando as luvas, se ajoelhou e lavou seus pés pequenos e secou-os com a toalha.

Nesse meio tempo, o empregado havia trazido as meias. Calçando-as nos pés do garoto, ela também comprou-lhe um par de sapatos.

Ela amarrou os outros pares de meias e entregou-lhe. Deu um tapinha carinhoso em sua cabeça e disse:

- Sem dúvida, vai ser mais confortável agora.

Como ela logo se virou para ir, o garoto segurou-lhe a mão, olhou seu rosto diretamente, com lágrimas nos olhos e perguntou:

- Você é a mulher de Deus?

A vida é curta, quebre regras, perdoe rapidamente, beije lentamente, ame de verdade, ria descontrolavelmente, e nunca pare de sorrir, por mais estranho que seja o motivo. E lembre-se que não há prazer sem riscos. A vida pode não ser a festa que esperávamos, mas uma vez que estamos aqui, temos que comemorar!!!

sábado, 27 de setembro de 2014

Caminhar a vida



Um caminho
Uma história
Que se junta a tantas outras
De vidas simples ou difíceis
Todas com os seus quês
E sem grandes porquês
Que a caminhar se faz o caminho.


Caminho fácil para uns
Difícil para outros
O mesmo para todos.


É o sentimento,
A intenção
Talvez a aflição
Que dá cor ao momento.


Um caminho
Uma vida
Que se percorre a andar;
Venham as companhias
E com elas alegrias
Que eu não quero parar.

Frei Filipe

quarta-feira, 17 de setembro de 2014

Amor de Complemento


Não há como se livrar do sofrimento
O sofrimento é natural
Tudo que é natural na vida é aquilo que não foi acrescentado
Faz parte da condição humana
O sofrimento está em mim, está em você
Nós experimentamos de forma pequena ou grande
Por que somo limitados
O nosso limite é tão grande que a gente não sabe viver sem o outro
Por isso a gente sofre quando os outros vão embora da nossa vida
A condição de limite, nos faz pensar o outro como parte de nós
Eu por que sou limitada, por que tenho limites, eu preciso amar
O amor nasce do limite
Quando a gente reconhece que não da conta da vida sozinhos
Talvez seja por isso que dói tanto no coração da gente no momento que a gente é traído por quem a gente ama
Talvez seja por isso que doa tanto no coração da gente no momento em que a gente trai quem a gente ama
Por que quando eu sou traído eu fico ainda mais limitado
O amor do outro me faz viver a experiência do complemento
Eu me torno maior por que você me ama
E eu fico maior quando eu amo alguém
Por isso que o sofrimento é natural quando as pessoas vão embora das nossas vidas
Por isso a gente sente tanta saudade
A gente sente tanta saudade das pessoas que são especiais na nossa vida
A saudade é uma concretização do limite
Eu sinto tanto a sua falta
A saudade nos ajuda a mensurar o quanto que nós amamos
Retire aquela pessoa da sua vida, pense na sua vida sem essa pessoa
E você vai descobrir o quanto você a ama
É experiência de limite, por isso que o amor é dor
O amor é sofrimento
E quanto mais a gente mergulha na capacidade de amar
Maior será no sensibilidade para o sofrimento
Você se pergunta " Quanto mais a gente ama, mais a gente sofre?"
Lamento informar que é
Por que a experiência de amar é a experiência de tocar o limite
Por isso o sofrimento está tão atrelado ao amor
A gente não sofre quando não ama
Não há causas para sofrer quando você não ama
Eu me perguntou: " É possível viver nessa vida sem o envolvimento do amor?"
Não é possível!
Eu me experimento limitada o tempo todo
E o tempo todo eu estou precisando de alguém do meu lado
Alguém que olhe nos meus olhos e diga, eu estou aqui
Alguém que segure na minha mão na hora de atravessa um túnel difícil
"Júlia eu estou aqui do seu lado"
É o momento em que mergulhamos na mais bonita aventura humana
que é quando você sabe EU PRECISO DE VOCÊ
Quando a vida vai te apertando tanto, que não resta outro grito nessa vida a não ser
EU PRECISO DE VOCÊ
Por que você foi amado você sofre
Não há amor sem sofrimento, nem sofrimento sem amor
Por isso não temos que criar uma ilusão dentro de nós
A partir de hoje minha vida vai ser linda, não vai ter dificuldades
Infelizmente essa notícia não podemos dar aos amantes
As pessoas que verdadeiramente amam nessa vida, elas sofrem por grandes causas sim
Seja honesto com você!
O momento que você mais sofreu na sua vida, foi o momento que você mais amou
Ou por que você identificou o amor traído, ou o amor ausente
Nossa caixa de sofrimento não é tão feia assim!
Ela está cheia de amores, de situações bonitas que você precisa reorganizar
Aparentemente embrulhadas em papéis feios e estranhos
A gente não chora por quem não fez diferença na vida da gente não!
Se a gente está sofrendo por alguma causa é por que aquilo é importante pra nós
Por isso não podemos fechar a porta e dizer: "Aqui você não entra"
Eu não tenho como deixar de sofrer por que eu não tenho como deixar de amar
As melhores coisas da vida, para serem boas de verdade você precisa ter alguém do seu lado as piores também.
Seja para viver a alegria extrema ou a dor extrema precisamos de pessoas do nosso lado dizendo EU TÔ AQUI
Não tem como mudar essa perspectiva, o sofrimento nasce do limite
O limite nos esbarra o tempo todo seja por que traí, por que fui traído, seja por que tem ciúme, por que sou ciumento, por que quero aprisionar, por que sinto dor...
De repente você acorda e a vida não é mais do jeito que você queria, as pessoas que você ama foram embora e nós ficamos aqui com essa vida precisando dar um jeito nela
A vida me expulsando e dizendo :"E agora, o que você vai fazer?"
Primeiro ponto - Eu não posso mudar o fato de ter que sofrer

Ai vem a pergunta 
 -Se eu vou ter que sofrer nessa vida então eu preciso descobrir COMO SOFRER

Pe. Fábio de Melo

sábado, 13 de setembro de 2014

Nosso mundo interior


A maior e mais bela viagem que fazemos é a que nos leva ao nosso interior. Eis a romaria das romarias.
Luzes e trevas nos habitam, lodo e ouro estão dentro de nós, feridas e potencialidades coabitam em nosso íntimo. 
Normalmente não somos ajudados a entrar em nós mesmos, temos medo e nos sentimos ameaçados.

Todos que entram no seu mundo interior tornam-se iluminados, livres, leves, ousados, criativos. 
São homens e mulheres corajosos nas dificuldades, pacíficos na adversidade, alegres na aridez, compreensivos e compassivos com os que erram. 
Quem vai ao seu interior acaba encontrando Deus, com sua presença iluminadora, criadora, irradiante. 
Quanto mais descemos às profundezas tanto mais alçaremos altos voos.

Quando fugimos do nosso interior, somos obrigados a criar máscaras, aparências, artificialidades, duplicidades, atitudes postiças para poder sobreviver, mas isso, é um desgaste colossal de energias e acabamos nos sentindo incompletos, insatisfeitos, desintegrados, interiormente divididos, quebrados, inadequados. 
Somos condenados a viver na obscuridade, na dependência e até no vicio.

Para entrar no santuário interior da nossa alma, há uma condição: não ter medo de nossas sombras. Pelo contrario, é preciso abraçá-las, aceitá-las, reconhecê-las para então poder curá-las ou com elas nos reconciliarmos.

Iremos perceber que nossas sombras, fraquezas, feridas quando aceitas, nos jogam nos braços de Deus, transformam-se em potencialidades, tornam-se nossas aliadas para a libertação, nos jogam para o alto, proporcionam descobertas de valores, são verdadeiros remédios. 
No fundo isso significa que sem espinho na carne, não há progresso, nem ascensão, nem maturidade e profundidade.

Para podermos entrar e habitar no nosso interior necessitamos de humildade e compaixão. 
Vale a pena pagar o preço de tudo isso, pois, viajar para o nosso interior é ir ao encontro de nosso maior tesouro, da riqueza que nos habita. 
Negociando com nossas sombras crescemos em lucidez e nos sentimos completos e alegres por habitar em nossa casa, nos sentimos alicerçados, encontramos o descanso, a paz.

No fundo de nós mesmos habitam a luz, a fonte, o amor, valores que foram soterrados pelos escombros das feridas, decepções e golpes da vida, deixando-nos amarrados por couraças defensivas, golpeando-nos com flagelações e sempre procurando os culpados de tudo isso. 
As feridas não permanecem inativas. Elas continuam a nos condicionar e nos tiranizam na busca de compensações, gratificações, perfeccionismo, ativismo, infantilismo.

Quando descemos aos nossos abismos nos libertamos dos laços que nos aprisionam e saltamos para o reino de liberdade porque Deus, do mal, tira o bem e “tudo concorre para o bem dos que amam a Deus “. 
Vamos descobrindo que nossas feridas são santuários onde encontramos Deus, que nossas fraquezas são fonte de grandes alegrias porque Deus manifesta sua grandeza na nossa fraqueza. 
Ainda mais, pecados, fraquezas, feridas nos movem à luta pela superação das mesmas, nos amadurecem e são uma escola de humildade, de experiência com a misericórdia de Deus e de compaixão pelas limitações dos outros.

Dom Orlando Brandes

Educar para a felicidade

Suas crianças podem (e devem) ajudar você em casa


As crianças quando pequenas querem ajudar e fazer as coisas por si mesmas.

Podemos aproveitar esses primeiros anos para que desenvolvam a autonomia e a vontade, através do fomento de sua colaboração na vida diária do lar.

O objetivo é que elas se sintam úteis e importantes na vida familiar e na administração da casa.

No último post, falamos da educação “no positivo” de nossos filhos como ferramenta muito eficaz para que cresçam em autonomia e responsabilidade.

As crianças quando pequenas querem ajudar e fazer as coisas por si mesmas.

Podemos aproveitar esses primeiros anos para que desenvolvam a autonomia e a vontade, através do fomento de sua colaboração na vida diária do lar.

O objetivo é que elas se sintam úteis e importantes na vida familiar e na administração da casa.

Na vida moderna, todos membros da família devem contribuir com as atividades e serviços da casa, ou seja, a vida no lar é uma tarefa em comum.

Dentro dessa perspectiva, é muito saudável que as crianças ajudem com algumas tarefas em casa.

Mesmo que quebrem algum prato ou objeto, ou no início não consigam fazer as atividades de forma perfeita e rápida, é importante os pais darem essa oportunidade aos filhos.

Isso faz com que cresçam em espírito de serviço e também em autoestima, porque se sentem úteis.

Também aprendem a serem mais prudentes, a segurarem as coisas com mais cuidado.

Percebem causas e consequências de suas atitudes e comportamentos.

As orientações para as crianças devem ser bem concretas: como, onde e quando devem fazer uma tarefa.

Cada criança ou filho deveria ter um ou mais encargos a realizar como:

- colocar a mesa

- tirar a mesa

- lavar a louça

- tirar os lixos

- regar as plantas

- apagar as luzes

- recolher a roupa suja

- atender ao telefone

- fazer pequenos concertos

- repor o papel higiênico nos banheiros

- ajudar os irmãos menores na lição de casa

- lavar o carro

Através desses e de outros encargos, os filhos desenvolvem, além da autonomia e força de vontade a ordem, a constância, a responsabilidade pelas consequências, a organização do tempo e, principalmente, o respeito e o afeto pelos outros membros da família.

JÚLIA MANGLANO - Blog Estadão

sexta-feira, 12 de setembro de 2014

Para a educação dos seus filhos

Vão aqui quatro preciosos conselhos dos santos para a educação dos seus filhos. Nem todas são exortações muito agradáveis aos ouvidos, mas, com certeza todas serão de grande valor para a sua família.

“Como poderão os filhos ser bons, se os pais não prestam? 
Só por milagre”. 
Com essa frase, Santo Afonso de Ligório resume a grave responsabilidade dos pais na formação da consciência de seus filhos. 
Como ensinou Nosso Senhor, pelos seus frutos os conhecereis. 
São muitíssimos os nomes de santos que tiveram pais ou mães igualmente virtuosos: Santo Agostinho e Santa Mônica, São Gregório Magno e Santa Sílvia, Santa Catarina da Suécia e Santa Brígida… e a lista se estende. São verdadeiramente almas gigantes, que só puderam se elevar porque receberam uma educação exemplar de seus pais.

Vão aqui quatro conselhos dos santos para você educar os seus filhos. Nem todas são exortações muito agradáveis aos ouvidos, mas, com certeza todas serão de grande valor para a sua família.

1. Ser obediente a Deus


“ Se queremos saber mandar, temos primeiro de saber obedecer, procurando impor-nos mais com o amor do que com o temor.” (São João Bosco)

Antes de impor a autoridade sobre os filhos, é preciso lembrar que há uma autoridade à qual todos os homens devem obedecer. Tanto maior será o respeito dos filhos por seus pais, quanto maior for o respeito destes ao Pai dos céus. 
O filho que vê o pai trabalhando, tratando com respeito a sua mulher, cuidando das necessidades da casa e rezando - em suma, cumprindo o seu dever de cristão e pai de família -, não só será dócil às suas instruções, como seguirá o seu exemplo, ao crescer. 
Portanto, em primeiro lugar, o Reino de Deus, isto é, o cumprimento da Palavra. As outras coisas virão por acréscimo.

2. Corrigir por amor, não por ira

“ Tome-se como regra nunca pôr as mãos num filho enquanto dura a ira ou cólera; espere-se até que se tenha aquietado por completo.” (Santo Afonso de Ligório)

“Quando, porém, se tornarem necessárias medidas repressivas, e consequentemente a mudança de sistema, uma vez que certas índoles só com o rigor se podem dominar, cumpre fazê-lo de tal maneira que não apareça o mínimo sinal de paixão.” (São João Bosco)

Os conselhos de Santo Afonso e São João Bosco são o mesmo conselho do Autor Sagrado: “Vós, pais, não provoqueis revolta nos vossos filhos” (Ef 6, 4). 
Se é verdade que, como adverte o Livro dos Provérbios, “quem poupa a vara, odeia seu filho” (13, 24), também é verdade que toda correção deve ser feita de modo racional e equilibrado, inspirada pelo amor, não pela ira. 
Caso contrário, também a criança aprende a irar-se, sem que mude de comportamento. 
Aqui, é importante evitar não só as agressões físicas, mas também os gritos e as palavras exasperadas, que mais servem para intimidar as pessoas que para melhorar o seu caráter.

3. Dar bom exemplo

“ Os pais estão igualmente obrigados a dar bom exemplo a seus filhos. 
Estes, principalmente quando pequenos, imitam tudo o que veem, com a agravante de seguirem mais facilmente ao mal, ao qual nos sentimos inclinados por natureza, que o bem, que contraria nossas inclinações perversas. 
Como poderão os filhos comportar-se irrepreensivelmente, se ouvirem seus pais blasfemar a miúdo, falar mal do próximo, injuriá-lo e desejar-lhe mal, prometer vingar-se, conversar sobre coisas indecentes e defender máximas ímpias, como estas: Deus não é tão severo como dizem os Padres; ele é indulgente com certos pecados, etc.? 
O que se tornará a filha que ouve sua mãe dizer: É preciso deixar-se ver no mundo e não se enclausurar como uma freira em casa? 
Que bem se pode esperar dos filhos que veem o pai o dia inteiro sentado na taberna e, depois, chegar bêbado a casa, ou então visitar casas suspeitas, confessando-se uma só vez no ano ou só muito raramente? 

S. Tomás diz que tais pais, de certo modo, obrigam seus filhos a pecar.” (Santo Afonso de Ligório)

As palavras de Santo Afonso são suficientemente claras. 
Aqueles que dão mau exemplo de vida, “de certo modo, os obrigam seus filhos a pecar”. 
Se essa sentença é verdade para o mal, também o é para o bem. 
Pais que vivem uma vida de oração e virtudes excitarão o coração de seus filhos para o serviço de Deus e das almas. 
O casal de beatos Luís Martin e Zélia Guérin educou tão bem suas cinco filhas, que todas elas se tornaram religiosas, entre elas Santa Teresinha do Menino Jesus, que é doutora da Igreja.

O pai que, lendo essas linhas, lamentou não ter dado uma boa educação a seus filhos - pois não tinha conhecido Nosso Senhor quando começou a sua família - deve, antes, louvar a Deus pelo conhecimento que agora tem e ainda pode dar a seus filhos, por meio de conselhos. 
É preciso, agora, buscar a conversão da própria família, sobretudo com uma vida de muita oração e penitência, evitando inquietações e escrúpulos desnecessários, afinal, Deus não nos pede conta daquilo que ignoramos. 
Uma vez conscientes da Sua vontade, todavia, é importante trabalhar com temor e tremor na própria salvação e na dos outros, sabendo que a quem muito foi dado, muito será cobrado.

4. Agir com prudência e vigilância

“Os pais são os culpados, pois quando se trata de seus cavalos, eles mandam aos cavalariços que cuidem bem deles, e não deixam que cresçam sem serem domados, e desde cedo põem neles freio e outros arreios. 
Mas quando se trata de seus filhos jovens, deixam-nos soltos por todas as partes durante muito tempo, e assim perdem a castidade, se mancham com desonestidades e jogos, e desperdiçam o tempo com espetáculos imorais. (...)
Cuidamos mais de nossos asnos e de nossos cavalos, do que de nossos filhos. 
O que possui uma mula, se preocupa em encontrar um bom cuidador, que não seja nem rude, nem desonesto, nem ébrio, mas um homem que conheça bem o seu ofício. 
Todavia, quando se trata de procurar um professor para a alma da criança, contratamos o primeiro que aparece. E, no entanto, não há arte superior a esta. 
O que é comparável à arte de formar uma alma, de plasmar a inteligência e o espírito de um jovem? Quem professa esta ciência deve proceder com mais cuidado que um pintor ou um escultor ao realizar sua obra.” (São João Crisóstomo)

São João Crisóstomo viveu no século IV, mas esse conselho é válido sobretudo para os nossos tempos, em que as crianças são entregues a um sistema educacional corrompido, muitas vezes com a displicência dos pais, que querem passar toda a sua responsabilidade de educá-las para o Estado.

“Quando se trata de procurar um professor para a alma da criança, contratamos o primeiro que aparece”. 
Essa sentença convida todos os pais a um exame de consciência: como me relaciono com a escola dos meus filhos? Sei ou procuro saber o que os professores estão passando para eles, quais livros estão sendo usados para a sua instrução e como é o ambiente em que convivem? Em casa, deixo os meus filhos jovens “soltos por todas as partes”, deixando que façam o que querem, sem freios e sem disciplina? Converso com eles com frequência, agindo verdadeiramente como pai? O exame deve incluir, evidentemente, o propósito de agir com mais pulso e cuidado na orientação da prole.

É preciso empregar muita diligência nesses exames, pois, como diz Santa Teresinha do Menino Jesus, as crianças “são como uma cera mole sobre a qual se pode depositar tanto as impressões das virtudes como do mal”, e os primeiros responsáveis por moldar essas pequenas almas são justamente os pais. A santa religiosa de Lisieux exclamava: “Ah! quantas almas chegariam à santidade se fossem bem dirigidas!...”

Lembremo-nos sempre que Deus pedirá conta daquilo que fizemos com as almas de nossos filhos e peçamos a Sua graça para imitarmos a Sagrada Família de Nazaré, na qual Nosso Senhor cresceu, rodeado de carinho, atenção e amor.

https://padrepauloricardo.org/blog/quatro-conselhos-dos-santos-para-a-educacao-dos-seus-filhos?

segunda-feira, 8 de setembro de 2014

Desesperadamente


Sigo desesperadamente o sorriso,
pois é ele que relativiza minha história.

Sigo desesperadamente a alegria,
pois é ela que me traz a leveza.

Sigo desesperadamente a esperança,
pois é ela que me faz alcançar as estrelas.

Sigo desesperadamente a Fé,
pois é ela que me faz seguir em frente.

Sigo desesperadamente a vida,
pois é ainda a melhor opção.

Desesperadamente me vejo em desespero,
pois sei que não há certezas...

E diariamente a cama se encontra obsessivamente arrumada
nessas idas e vindas,

Desesperadamente blindei o que não suportei,
guardei as fotos e os fatos, deixei apenas na memória.

Aceitei o que não respondi.
ainda assim, apesar dos pesares,
desesperadamente procuro caminhos, novos lugares.

Outras emoções.
E nesse emaranhado todo,
“calmamente” ainda me encontro em mim.

Heloísa Bittar Gimenes, psicóloga

sábado, 6 de setembro de 2014

Momentos felizes


Para mim a felicidade pode estar em um vaso de flores. E quando vem de pessoas a quem amo, descubro que sou amada também. Consigo visualizá-la em potes de temperos, ingredientes essenciais para uma existência.

Penso nisso quando me lembro de que fui inúmeras vezes àquele lugar e no seu interior bem me acomodei. A cada aceno, um bom pedido de “quero mais”. Foi justo lá que tantas coisas aconteceram. Vi, espantada, um menino entrar literalmente dentro de uma televisão de 40 polegadas. Participei de rodas. Assustei-me com a história da Velha Palmira. 
Desci ladeira abaixo com carrinhos de rolimã, pés descalços e jabuticaba pretinha na boca. Fiz guerra de travesseiro. Joguei baralho à noitinha, corri pela casa e aprontei muita bagunça. Disputei o último pedaço de pizza e caí na piscina. Joguei água para o alto e brindei à passagem do ano e à vida. Entrei de cabeça no brincar de ser feliz. Mas tinha alguém ali, talvez ainda muito mais feliz por nós...

O tempo passou. E num certo dia estou atravessando a mesma avenida, observando as mesmas casas, talvez até as mesmas pessoas, quem sabe? Sim, estava voltando e a via com um brilho claramente resgatado. Atrevo-me a dizer que o tempo às vezes é um labirinto, mas basta uma só recordação, uma única memória, para achar a saída que tanto procurávamos.

Ela achou, ela estava ali, naquele lugar que escolheu para fazer morada, quando finalmente descobriu que dentro do seu coração já havia uma morada também. Recebeu-me com um sorriso que parecia brotar mel. De cada espaço, quadro pendurado, objeto organizado, orquídea na parede evolavam carinhosas boas-vindas.

Nossa casa é onde o nosso coração está e este coração é capaz de transpor blocos de cimento e concreto. É tão forte, que a ele ficamos atados, sem vontade de ir embora. Ela desdobrou seu lar ao mostrar que a felicidade não é mais clandestina. Dela tenho mais uma vez a honra de compartilhar.


Talita Machiavelli, professora

De primeiro


De primeiro, o pai e a mãe, analfabetos, ensinavam a primeira lição: respeitar as pessoas mais velhas.

O pai e a mãe, analfabetos, eram sábios, desenvolviam Pedagogia própria, embora desconhecessem as ciências do relacionamento humano. Transmitiam valores e comportamentos através da repetição de palavras e exemplos. Corrigiam lapsos e distrações também com castigos que transitavam desde o puxão de orelha até o tapa ou a correiada na bunda.

A Psicologia, a Pedagogia e as leis modernas condenam tais métodos de educação, que consideram quase medievais. Apesar do arcaico da metodologia, a meninada, aos trancos e barrancos e quedas e castigos, aprendia o básico. Chegavam visitas, o menino se adiantava:

- Bênção, senhor. Bênção, senhora.

As visitas elogiavam o comportamento das crianças. Então, quando se iam, o pai dava níquel aos filhos que corriam até a venda, lá na esquina.

- Sô Zé, dá tudo isso aqui de bala Chita.

Os adolescentes do quarteirão, à noite, à luz do poste, contavam, ouviam histórias de assombração, de lendas e ídolos.

- Lá em São Paulo teve um ladrão chamado Meneghete que fugiu da cadeia mais de quarenta vezes. Não adiantava prender que ele escapulia.

-- O Frederracha chutava mais forte que um canhão. Uma vez ele jogou contra o seu irmão, que era goleiro. Teve um pênalti e o Frederracha avisou – “não fique na frente, senão você vai morrer”. Mas o irmão teimou que ia pegar o pênalti. O Frederracha chutou e o irmão encaixou. Mas o chute foi tão forte que o goleiro morreu.

- O maior goleiro que já teve foi o Oberdã. Ele não aceitava fazer barreira. Mandava chutar e defendia, segurava a bola com uma mão só.

De repente, a narrativa era cortada por assovio distante.

- É o pai, chamando pra dormir.

Um assovio, um pigarro, uma pequena tosse, um chamado baixo, e a rodinha de amigos se ia desmanchando, o resto da história ficava para a noite seguinte, para o próximo encontro.

De primeiro era assim.

Os professores eram humildes, mas os discípulos aprendiam bastante. Pediam licença para passar entre duas pessoas que conversavam. Aguardavam, não interrompiam conversas. Não furavam filas. Externavam, em gestos e atitudes, profundo respeito pela mulher, sobretudo pela grávida.

No entanto, as crianças eram crianças. Às vezes cometiam peraltices tamanhas.

De primeiro era assim...


Luiz Cruz de Oliveira, professor, escritor, membro da Academia Francana de Letras

quarta-feira, 3 de setembro de 2014

Voar sobre o pântano


Um pássaro vivia resignado em uma árvore apodrecida, no meio do pântano.
Havia se acostumado a estar ali, comia larvas da lama e estava sempre sujo.
Suas asas estavam inutilizadas pelo peso da sujeira.

Certo dia um vendaval derrubou sua morada.
A árvore apodrecida foi tragada pelo pântano e ele se deu conta de que ia morrer.
Para salvar-se, começou a agitar suas asas com força, tentando voar.
Era muito difícil pois havia esquecido como voar. Mas enfrentou a dor, conseguiu alçar voo e cruzou o amplo céu, chegando, finalmente, a um bosque fértil e formoso.

Os problemas são como um vendaval que destrói sua vida e o obrigam a ‘levantar voo ou morrer’.
Nunca é tarde para ser feliz.

Não importa o que se viveu, não importa os erros cometidos, não importa as oportunidades que se deixou passar, não importa a idade.

Sempre é tempo de dizer BASTA, entender que é preciso melhorar, sacudir a lama e voar alto, para bem longe do pântano.
Abandone sua comodidade, enfrente seus medos e inseguranças e, só assim, começará a voar.

Deus o acompanhará e mostrará qual caminho tomar. Eu tenho certeza que você chegará até o bosque do seu merecimento.

Voar sobre o pântano
Trecho do livro “Voar sobre o pântano” como criar um blog
http://arcadoconhecimento.blogspot.com.br/

sábado, 16 de agosto de 2014

Felicidade Revelada


Você acha que isso é apenas mais um dia na sua vida? Não é apenas mais um dia, é “O” dia que é dado a você. HOJE.

Ele é dado a você, é um presente. É o único presente que você tem nesse exato momento e sua única resposta apropriada é a GRATIDÃO.

Se você não fizer mais nada, mas apenas cultivar essa resposta para o grande dom que este dia único é, se você responder como se fosse o primeiro dia em sua vida e o último dia, então você ter passado o dia de hoje muito bem!

Comece abrindo os seus olhos e se surpreenda porque você olhos através dos quais pode abrir essa incrível escala de cores que é constantemente oferecida a nós para o nosso puro prazer.

Olhe para o céu! Nós raramente olhamos para o céu! E note como ele se transforma de momento em momento com as nuvens chegando e indo. Nós pensamos no tempo e mesmo em relação ao tempo, nós não percebemos que existem muitos nuances. Apenas pensamos que há bom tempo ou mau tempo. Esse dia de hoje é um tempo único e pode ser que nunca mais haja um tempo exatamente igual, pois esse arranjo de nuvens no céu nunca será o mesmo de agora. Abra seus olhos e olhe para isso.

Olhe para o rosto das pessoas que você conhece, cada uma tem uma incrível estória por trás de sua face, uma estória que você nunca poderá penetrar inteiramente, não apenas a estória própria, mas a estória dos antepassados.

Para não irmos tão longe. É nesse momento, neste dia, todas as pessoas que se encontram, toda vida de gerações e de muitos lugares ao redor do mundo fluem para encontrar você aqui, como uma fonte de água da vida e basta você abrir seu coração e beber.

Abra o seu coração para o incrível presente que a civilização nos dá quando giramos uma chave e há luz elétrica. Quando abrimos uma torneira e há água quente e fria, e há água potável. Isso é um presente que milhões e milhões de pessoas no mundo nunca vão experimentar.

Esses são apenas alguns pontos do enorme número de presentes para os quais podemos abrir o nosso coração.

Eu desejo que você abra o seu coração para todas essas bênçãos e deixa-as fluir através de vocês para que todos os que venham a encontrá-los nesse dia sejam abençoados por vocês, apenas pelos seus olhos, pelo seu sorriso, pelo seu toque, apenas por sua presença.

Deixe a gratidão fluir em benção ao seu redor, então esse será realmente um BOM DIA!

Louie Schwartzberg



Olá todo mundo! Estou vivendo uma espécie de reestreia. Isso é maravilhoso! De volta às minhas origens em São Francisco. Quando eu me graduei na UCLA, eu me mudei para o nordeste da Califórnia. Eu vivi numa cidadezinha chamada Elk, e eu não tinha um telefone ou televisão, mas tinha o correio dos Estados Unidos. A vida era boa naquele tempo, pelo que me lembro. Eu tinha que ir à loja geral para tomar um café ou um brounie e enviar por navio o meu filme para São Francisco, e esperar por 2 dias até que parecesse na minha porta. O que era uma maneira melhor de ter que enfrentar o tráfego de Hollywood.

Eu não tinha muito dinheiro, mas eu tinha tempo e um sentido de imaginação. Eu comecei a tirar fotos em “time lapse”. Eu demorava um mês para fotografar 1 metro de filme porque aquilo era tudo o que eu podia comprar.

Eu venho fazendo fotos prolongadas de flores continuamente por 4 horas todos os dias, 7 dias por semana, por mais de 30 anos. E vê-las se mover é uma dança da qual eu nunca me canso. A beleza delas nos imerge em cor, gosto, toque e também nos provê com um terço dos alimentos que comemos.

A sedução da beleza é uma ferramenta da natureza para sobreviver. Porque nós protegemos aquilo que nos apaixonamos e abre nossos corações, e nos faz compreender que somos parte da natureza e não somos separados dela.

Quando vemos que fazemos parte da natureza fica claro que estamos conectados toos em um. As pessoas que veem minhas imagens muitas vezes dizem: “Oh, meu Deus”.

Se pensarmos no que isso significa veremos que “Oh” significa que chamou e trouxe sua atenção para o presente. O “meu” significa que o conectou com algo profundo em sua alma, abrindo um portão para uma voz interna acordar e ser ouvida. E “Deus”? Deus é uma jornada pessoal em que todos queremos estar, para se inspirar, para sentir que estamos conectados com o universo e celebrar a vida.

Vocês sabiam que 80% da informação que nós recebemos vêm através dos olhos? E que se você compara a energia da luz com escalas musicais será apenas 1/8 o que podemos ver a olho nu? O que estaria bem no meio? E não estaríamos gratos nossos cérebros que podem tornar esse impulso elétrico que vem da natureza da luz para criar imagens que nos permitem explorar nosso mundo?
E não estamos gratos por termos corações que podem sentir as vibrações que nos permitem sentir o prazer e a beleza da natureza?

A beleza da natureza é um presente a ser cultivado com reverência e gratidão. O presente particular que quero compartilhar aqui hoje é um projeto ao qual venho trabalhando que é chamado “Felicidade Revelada” e ele vai nos dar um vislumbre nessa perspectiva ao ponto de vista da criança e do idoso nesse mundo.

Menina

Quando eu assisto TV é apenas alguns programas fora do padrão. E quando você explora, você tem mais imaginação do que já tinha e depois, quando você tem mais imaginação, isso faz você querer ir mais fundo, assim você pode ter mais e var mais coisas bonitas do que poderia.
E o caminho? Como se tivesse um caminho que pode levar você a uma praia ou algo assim e então isso pode ser bonito.

segunda-feira, 11 de agosto de 2014

Diálogo e gestos de amor

 Da relação do casal no que diz respeito ao diálogo e aos gestos de amor.


Uma tentação errada é pensar que os gestos de amor se resumem à relação sexual.
Perceber que uma relação a dois é uma construção baseada na amizade, no diálogo, no perdão. 
Perceber que uma relação não é uma realidade estática mas que vive em constante dinamismo, mesmo com as rotinas. Por isso evolui, consolida-se.

Quando se fala em diálogo numa relação a dois não é tanto saber se há temas para evitar o silêncio. 
O diálogo é fundamental em qualquer relação, e em especial numa relação em que os dois são um só. Por isso, o silêncio pode ser diálogo, se for saudável. 

O silêncio forçado, que cala problemas, esse sim prejudica não só o diálogo mas até a própria relação. O diálogo existe quando existe honestidade e naturalidade.

Casar na Igreja leva-me a perceber que o meu companheiro/a tem uma dimensão sagrada na minha vida. Não foi por acaso que ele apareceu. Porque não vê-lo como aquele que Deus colocou no meu caminho para a felicidade de ambos e para a prática do amor? Se vir aquele com quem fiz aliança e partilho a minha vida como um dom de Deus, sinto-me amado quando amo e sou feliz quando o faço feliz.

Uma relação para toda a vida ou, como diz o ritual "até que a morte nos separe", leva inevitavelmente para a rotina. 
E há rotinas saudáveis, como por exemplo, a de todos os dias chegar a casa e poder partilhar as alegrias e preocupações do meu dia. 

O desafio para qualquer vida, pessoal, conjugal ou comunitária é descobrir a novidade na rotina dos dias.
Piores rotinas são as das atitudes. A rotina do amuo, da birra, da mesma reação a qualquer ação/provocação. Estas rotinas é que são danosas numa relação.
Também, como em qualquer vida ou relação, há momentos difíceis. Na vida todos temos dificuldades.

Dificuldades não são necessariamente impedimentos. As dificuldades devem levar-me ao amor primeiro, àquilo que me fez amar a pessoa com quem casei. Esse amor primeiro, o fogo que arde sem se ver, não se apaga.

Perceber que a minha vida, a minha relação é única. Porque cada história de amor é única. Não se pode medir nem comparar. Por isso é importante a intimidade do casal. O que é íntimo não se divulga nem se comenta. Não se trata de um acordo, trata-se de respeito pelo que vivo com o outro e só a nós diz respeito.

Tudo na vida do casal deve ter o seu tempo e o seu lugar: o trabalho, os amigos, os filhos quando vierem... e o meu companheiro/a. Os filhos não podem substituir o outro. Eles têm o seu lugar. São o fruto da vida de casal.
Os gestos de amor acompanham a vida do casal. Não precisam de originalidade, precisam de atenção. 

Como uma planta que precisa de ser regada e de ter sol ou luz, como o fogo que precisa de alguma coisa que o faça manter aceso, assim numa relação os gestos de amor alimentam e manifestam o amor ao longo da vida.
Uma palavra sobre a sexualidade. Para a Igreja uma pessoa não é um objecto. 
O instinto, o desejo de possessão não glorificam o ser humano. Por isso, a sexualidade na vida conjugal deve respeitar o outro, sempre nesta atitude de liberdade e responsabilidade.

E que seja, também ela, um gesto de amor.

Fr. Filipe

segunda-feira, 4 de agosto de 2014

My way: as cicatrizes também podem indicar novos caminhos


A felicidade se define melhor como estar do que como ser. E ela está mais no jeito de ir do que no de chegar, de concluir. Mesmo porque, enquanto vivemos, sempre haverá aonde chegar. 

Amar a corrida e não a linha de chegada. Sem necessariamente abrir mão do coração, cujos caminhos são mais complexos que os caminhos do andar que se faz ao andar. 
Na verdade, não é fácil botar um cabresto nos nossos desejos, subordinando-os ao receituário da razão. E razão convincente; e consequente. 
Também não vale empacar, recusando-nos, radicalmente, a determinadas posições, mesmo sendo válidas. Tampouco não fazer nada. 
Na prática, ora os caminhos se apresentam largos, ora estreitos; ora trilhas, veredas. “Per aspera ad astra”. Por caminhos ásperos se vai até às estrelas.

Tropeçando. Descansando e recomeçando. 
Treinando, ensaiando, escrevendo a vida. 
Aliás, a vida de cada pessoa sempre dá um livro. E livro único, que jamais se repete. Sem poder rasurar nem passar a borracha. 
Mas vivendo e aprendendo. 
Semeando e colhendo. 

Para tudo há que haver um caminho. E com jeito vai. Mas evitando apelar para o jeitinho, essa praga que está na raiz da nossa cultura. 
Também sem quebrar o galho, numa pseudo solução, expressão antiecológica até no nome.

Enquanto caminhamos, temos vida. Não importa tanto o que se faz. A maneira como se faz é que interessa. Competir consigo mesmo na caminhada em busca do aperfeiçoamento. 
Não existe perfeição entre os humanos. 
Nem nos grandes santos nem nos maiores empreendedores. 
Nem nos gênios. Em ninguém. Ninguém, absolutamente ninguém, é dono da verdade.

Mapa, GPS, pontos cardeais, bússola. Setas. Satélite. Guia turístico. 
É triste a paisagem de um rio seco. 
Mas, mesmo assim, desprovido das águas, seu leito ainda serve de caminho pela trilha batida. 

As cicatrizes também podem indicar novos caminhos. 
A soma de momentos fugazes de gozo não agrega felicidade. 
Importa fazer felicidade, e fazer, da felicidade, “my way”.

Antônio de Oliveira

quarta-feira, 23 de julho de 2014

Racista, machista e homofóbico jamais. Mas gordofóbico tudo bem?


Agradeço todos os dias por viver num meio no qual convivo com pessoas que, em sua grande maioria, não emitem nem toleram comentários racistas, homofóbicos, machistas ou discriminatórios em geral, nas suas mais diversas e infelizes formas.

Felizmente, vivemos numa sociedade que suporta cada vez menos a ignorância e a pobreza de espírito.

No entanto, me canso de ver essas mesmas pessoas, supostamente tão sensatas, dizendo, sem qualquer pudor, culpa ou constrangimento algo desnecessário e agressivo sobre “aquele gordo” ou “uma gorda aí”.

Me parece haver uma espécie de “zona franca” na qual as pessoas resolveram que falar de forma discriminatória de gente que está acima do peso ideal, teoricamente não tem problema, não é discriminação, não é errado.

Frequentemente, a justificativa é que “hoje em dia, só é gordo quem quer”. Mentira. Todos sabemos o quão mentiroso isso é. Se fosse assim, com certeza não veríamos o Ministério da Saúde divulgar que quase 50% da população brasileira está acima do peso.

Obviamente, não estou afirmando que o sobrepeso e a obesidade devam ser encarados como fatos imutáveis ou que não haja necessidade de combatê-los. Claro que não. Questões de saúde devem ser prioridade para qualquer pessoa. O que estou falando é que o excesso de peso alheio não dá a ninguém a prerrogativa de julgá-lo. Só isso.

A pessoa que está acima do peso com frequência é vista como preguiçosa, descuidada, como alguém que poderia estar magro e esbelto e optou por não estar. Interessante que muitas das pessoas que falam “daquele gordo” estão entre aquelas que há anos afirmam que vão perder 2 quilinhos para o verão e nunca o fazem. “Mas na hora que eu quiser eu perco”. Bullshit. Você quer perder e não perde.

Fazer dieta nunca é fácil. Renunciar à cervejinha, ao chocolatinho, ao pãozinho francês, à carne vermelha é duro. Correr na esteira também. Mas mais difícil do que isso é lutar contra um metabolismo lento, uma tireóide desobediente, uma genética desfavorável, um pós-gravidez cruel, uma menopausa avassaladora. E ainda pior é ter que conviver com os olhares tortos, as risadas por detrás das mãos, os comentários que se finge não perceber por instinto de sobrevivência.

E se a pessoa que está acima do peso for mulher, pior ainda. Com a persistente ideia de mulher objeto, uma mulher gorda é vista como sinônimo de inutilidade. Afinal, “para que serve uma mulher gorda?”. Só para zoar na balada com seus “bróder”, né? Credo.

Constata-se o óbvio: gordura não é escolha. E alguns lutam mais contra isso, outros menos.

E daí? O que você tem a ver com isso?

Alguém te julga porque você ainda não foi consultar um psicólogo para cuidar dos seus traumas de infância? Ou porque ainda não foi no dermatologista ver aquela pinta que pode ser câncer de pele? Será que você não tem problemas até mais graves do que muita “gente gorda”, mas que apenas não são tão evidentes?

Será que não tem muita “gente gorda” mais saudável e bem resolvida do que você? Será que não tem gente acima do peso com uma auto estima bem maior do que a sua? Mais seguro, mais bem disposto, mais feliz?

O fato é, com que direito as pessoas decidiram condenar os quilos alheios? E, pior, por que elas resolveram achar que chamar alguém de gordo, com ar pejorativo ou hostil não é algo grave? Não é tão asqueroso quanto discriminação por cor, orientação sexual ou gênero?

Pois é. O peso alheio não te diz respeito. O que diz respeito a todos nós é aquela ideia antiga, antiquada, talvez um pouco demodée, de respeitar os outros, ainda que sem patente alta ou bigode grosso. Se não por vontade ou generosidade, talvez por decência. Será que soa tão estranho assim?

RUTH MANUS

Do http://blogs.estadao.com.br/

Há sempre alguém que precisa de ti



O MUNDO INTEIRO está cheio de pessoas.

Há pessoas caladas que precisam de alguém para conversar.

Há pessoas tristes que precisam de alguém para confortá-las.

Há pessoas tímidas que precisam de alguém para ajudá-las a vencer a timidez.

Há pessoas sozinhas que precisam de alguém para brincar.

Há pessoas com medo, que precisam de alguém para lhes dar a mão.

Há pessoas fortes que precisam de alguém para fazê-las
pensar na melhor maneira de usarem a sua força.

Há pessoas habilidosas que precisam de alguém para ajudá-las a descobrir a melhor maneira de usarem sua habilidade.

Há pessoas apressadas que precisam de alguém para lhes
mostrar tudo o que não têm tempo para ver.

Há pessoas impulsivas que precisam de alguém para ajudá-las a não magoarem os outros.

Há pessoas que se sentem de fora e precisam de alguém
para lhes mostrar o caminho de entrada.

Há pessoas que dizem que não servem para nada e precisam de alguém para as ajudar a descobrir como são importantes. PRECISAM DE ALGUÉM, TALVEZ DE TI...

Felipe Aquino

sábado, 12 de julho de 2014

As palavras mais doídas são as não ditas


A Copa do Mundo foi um anúncio de vergonha desde o dia em que ficou decidido que seria realizada no Brasil. O vexame de 7 a 1 foi a conclusão de um processo equivocado. E foi triste. Mesmo quem, como eu, não concordava com essa Copa dessa forma, sentiu pesar pela derrota, e muitas, muitas pessoas proferiram sua revolta e raiva aos quatro cantos do estádio, das ruas, das redes sociais.
Uma infinidade de palavras e palavrões. Disseram o que queriam dizer. E será que dizer o pior é o pior que pode haver?

***

João queria pedir desculpas. Teresa queria declarar o seu amor. Luíza, desaguar os anos de mágoa. Pedro queria pedir um abraço. Joana, perdão. Lúcio queria apenas licença para ser quem era. Paulo, aprovação. Camila, explicação. Helena queria dizer que não faria de novo. Não, outra vez não. Fabrício queria um sorriso. Ana, devolução. José queria dizer obrigado. Marília só queria que soubesse que havia perdoado. Foi, deu, ficou pra trás. Cecília queria dizer não. Augusto, sim. Frederico queria dizer adeus.

Mas João não disse. Nem Teresa. Nem Luíza. Pedro. Joana. Ou Paulo. Camila. Helena. Não disse o Fabrício. Nem a Ana. O José. Marília ou Cecília. O Augusto não disse. Frederico também não.

Não disseram porque tiveram medo. Por causa da distância. Não disseram porque faltaram as palavras. Faltou a oportunidade, a força de vontade. 
Não disseram porque emudeceram, porque as línguas eram diferentes como diferentes eram os sinais. 
Não disseram porque não valeria à pena. 
Não faria a diferença. 
Porque não conseguiram. 
Porque deixaram para depois, e o depois nunca chegou.

São infinitas as razões e não razões pelas quais deixamos de dizer algo que precisávamos ter dito, gostaríamos de ter dito. Não apenas por falar. Para desatar nós e seguir adiante. 

É que o silêncio, às vezes, é menos assustador que a palavra. 
No silêncio, somos rei e senhor. Nosso domínio é soberano, porque só a nós diz respeito. 
Quebrar o silêncio é arcar com as consequências. É enfrentar. 

O silêncio não traz enfrentamento, e os riscos são poucos. Mas as alegrias também. 
Quantas pessoas passam a vida sem ter dito o que realmente queriam? 
Sem ter feito as pazes ou ter rompido o que deveria ser rompido? 
Sem dar sequência ou terminar o que deveria ser terminado? 
Um ponto final ou um ponto de partida. 
Não. As palavras não ditas são reticências.

A palavra não dita consome e esmaga. 
Dependendo daquilo que se quer dizer, o não dizer é um discurso calado, solitário e ininterrupto. É um nó que não desata. 
Um conjunto de letras e sílabas com o peso de todas as letras, todas as sílabas e todas as combinações possíveis do todos os alfabetos, porque é aquilo que não teve um fim. Ficou por ser. 

A palavra não dita é a palavra que, presa, aprisiona. Entristece. 
Não são as palavras feias as mais doídas. 
As mais doídas são as palavras não ditas.

Se você tem algo por dizer, diga. Não deixe para depois, porque o depois pode não chegar.

Do Blog Estadão