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sábado, 18 de janeiro de 2014
Oração do obrigada
Meu Deus, obrigada por ter escolhido a minha família a dedo. Sem eles eu não teria aprendido a diferenciar o certo do errado, o bom do ruim, o que une e o que separa.
Obrigada por me presentar com bons amigos. Pessoas que riem meus risos, dão um empurrãozinho nos meus sonhos, confortam minhas tristezas e me contam uma piada na hora da raiva.
Obrigada por me trazer um amor, meu Deus (um amor!). Sei que hoje em dia muitos estão em busca da tal alma gêmea, alguns inclusive nem mais acreditam que ela possa mesmo existir. Mas eu nunca deixei de acreditar, já que sempre quis ter alguém para compartilhar minhas exclamações, interrogações, reticências e parênteses.
Obrigada por me mostrar que o amor transforma o mundo e as pessoas. Essa palavrinha de quatro letras é tão falada pelo mundo afora, pessoas gritam aos quatro ventos que amam, mas não sabem ao certo o que isso significa, pois esquecem que para amar é preciso saber se doar.
Obrigada por me dar forças. Sei que na vida precisamos ser fortes para enfrentar toda e qualquer adversidade que apareça no meio da caminhada. É preciso ser forte para enfrentar situações, pessoas e nós mesmos.
Obrigada por colocar na minha vida gente que trai, mente, engana, rouba, trapaceia e ilude. Com elas, aprendo como nunca quero ser. E por causa delas sinto mais vontade ainda em transformar o mundo. Nem que seja o meu.
Obrigada por proteger meu lar. Aqui dentro só entra quem mora dentro do meu coração.
Obrigada por abençoar meu trabalho e me mostrar que para ter algum sucesso é preciso trabalhar duro. Sei que nada vem de graça nessa vida e procuro fazer tudo que está ao meu alcance para evoluir.
Obrigada por me indicar as saídas quando estou perdida. Sei que nunca estou só e agradeço o carinho.
Obrigada por me fazer acreditar em sonhos. Eu acredito e sei que eles se realizam. Obrigada por tudo, meu Deus.
Que seja assim seja!
Clarissa Corrêa
sábado, 28 de setembro de 2013
Ensinamentos, impressões e questionamentos
Meu pai me ensinou que devemos aprender uma coisa nova a cada dia. E eu tento.
Todos os dias me esforço para ser uma pessoa um pouco melhor.
Quando acordo, logo penso: que eu seja melhor que ontem. Que minha cabeça esteja mais aberta, que meu humor esteja melhor, que eu não brigue por besteira, que eu não cometa os mesmos erros do passado, que eu tenha serenidade, que eu consiga vencer o dia, que eu saiba discernir o certo do errado.
A minha parte, pelo menos, estou fazendo. Ou pelo menos tentando.
Me impressiono com quem não tenta.
Me impressiono com quem não tenta.
Tenho uma vizinha, que mora exatamente três andares abaixo de mim, bem bonita. Segundo o que dizem, é advogada e divorciada. Tem uma senhora que trabalha com ela diariamente. Há alguns dias, tivemos uma obra na minha sacada. Obra feita pelo condomínio.
Os pedreiros tiveram todo o cuidado do mundo, colocaram uma lona, estavam trabalhando dentro do horário permitido e seguindo todas as normas de segurança.
Menos de vinte e quatro horas depois do começo da obra, a tal vizinha foi ameaçar o síndico. Disse que podia processar o condomínio, o síndico, o zelador e toda a minha árvore genealógica.
Para não arrumar confusão, os pedreiros foram até a sacada dela, fizeram a tal limpeza que ela pediu e me mostraram o "lixo" que estava incomodando a vizinha encrenqueira. Era um pó de nada.
Não contente, ela bateu na minha porta e perguntou quando a obra ia chegar ao fim.
Eu, calma e serenamente, respondi que terminaria em breve. E que se ela estava estressada, imagina eu, que tinha diariamente dois homens entrando e saindo da minha casa, sujando a minha sala e fazendo barulho enquanto tentava trabalhar.
Ela seguiu discursando, fui perdendo a paciência e disse que a obra era do condomínio, que se ela quisesse reclamar com alguém deveria falar com o síndico. Soube, depois, que ela xinga todos os porteiros e a moça que limpa os corredores e elevadores do prédio.
Sou incapaz de maltratar uma pessoa. Incapaz.
Sou incapaz de maltratar uma pessoa. Incapaz.
Ninguém tem culpa dos meus problemas e não posso jogar nos outros frustrações que são só minhas.
Se eu quebrei a unha, estou com dor, se a conta está no vermelho, se briguei com o namorado, se pisei no cocô ou se a minha colega de trabalho é infernal ninguém tem nada a ver com isso.
Não posso jogar no colo do outro uma culpa que não é dele.
Falta paciência.
Falta respirar fundo.
Falta deixar pra lá o que merece ser deixado pra lá.
O porteiro do meu prédio merece um bom dia, boa tarde, boa noite, afinal, ele está fazendo o trabalho dele, ele não é meu empregado, meu servo, meu escravo, nem nada parecido.
O porteiro do meu prédio merece um bom dia, boa tarde, boa noite, afinal, ele está fazendo o trabalho dele, ele não é meu empregado, meu servo, meu escravo, nem nada parecido.
Ele é uma pessoa, assim como eu e merece ser tratado com respeito, bem como todas as outras pessoas do meu convívio.
Não simpatizo com o zelador aqui do prédio, porém sempre sou educada com ele.
Não fico de conversinha, não dou chocotone no Natal, não faço agrado, mas sou educada.
Educação é o mínimo que uma pessoa merece receber da gente. O mínimo.
E tem gente que esquece disso.
Ou tem a memória curta.
Ou a memória só funciona para o que a pessoa acha importante.
Tem um restaurante aqui ao lado e volta e meia vou ali buscar comida.
Tem um restaurante aqui ao lado e volta e meia vou ali buscar comida.
As moças do caixa, o mocinho que fica na porta, os garçons, todos eles me conhecem.
E eu sou legal com todos eles.
Sempre que vou ali encontro uma moça carrancuda, que não cumprimenta ninguém.
Todo mundo conhece ela também, mas ela não gosta muito de sorrir, o que é uma pena, pois ficaria bem mais bonita e seria mais feliz.
Não entendo quem vive de mal com a vida, quem não gosta de interagir com o outro, quem não se esforça para fazer a vida ficar um pouco melhor.
É tão bom sorrir e receber de volta um sorriso sincero.
Não custa nada, não é dolorido, não arranca pedaço.
Hoje em dia é tão difícil ver alguém elogiando, dizendo uma palavra de carinho ou dando um sorriso cúmplice.
Hoje em dia é tão difícil ver alguém elogiando, dizendo uma palavra de carinho ou dando um sorriso cúmplice.
Eu diria que é raridade. Em compensação, julgamentos, dedos apontados, críticas e reclamações nunca estiveram tão em alta.
Que pena!
Falta mais sensibilidade, leveza e carinho no mundo.
As pessoas esquecem que quando a gente abre os braços para o mundo ele abre os braços para a gente.
E ainda nos abraça apertado.
Clarissa Corrêa
Clarissa Corrêa
sábado, 15 de junho de 2013
Olha pra mim
Olha pra mim. Quero ver se tu consegues. Olha sem medo. Sem mágoa. Sem rancor. Sem culpa. Sem ressentimentos. Sem arrependimentos. Olha no fundo dos meus olhos.
O vento leva as palavras. O tempo faz morrer a esperança. Os dias se tornam longos demais para um coração aflito. Palavras reconfortantes se tornam insignificantes. Caos. Vazio. Turbulência.
Olha pra mim. Não sei se és capaz. Tira essa máscara. Tira o véu. Tira a nuvem. Olha no fundo do meu coração.
Os livros foram guardados. Os bilhetes foram escondidos. O coração dilacerado.
Olha pra mim. Vamos lá, olha pra mim agora! Verdadeiramente. Olha no fundo da minha alma. E me dá, pelo menos, a certeza absoluta e completa de que não estavas fingindo.
Clarissa Corrêa
quinta-feira, 6 de junho de 2013
A gente não precisa aprender da forma mais difícil
A vida me faz pensar na morte. A linha é tão tênue. O que nos separa do outro lado é um quase nada. Coisa pequena.
Somos frágeis, pequenos perto desse mundão.
Valorizamos nosso corpo quando algo ruim nele se instala. Uma enfermidade, uma simples dor de cabeça ou um câncer raro.
Infelizmente, o ser humano valoriza tudo que tem quando se vê em uma encruzilhada.
Infelizmente, o ser humano valoriza tudo que tem quando se vê em uma encruzilhada.
A possibilidade de perder algo ou alguém é o que nos faz ter medo.
O beijo que você deu em quem ama pela manhã pode ter sido o último. Mas, ocupados e cegos, não paramos para pensar nisso.
Posso morrer ao atravessar a rua.
Posso descobrir uma doença incurável.
Posso sofrer com dores avassaladoras.
Ou posso viver muitos e muitos anos sem valorizar quem tenho na vida.
Não é à toa que quem fica muito doente passa a enxergar a vida com outros olhos.
Não é à toa que quem fica muito doente passa a enxergar a vida com outros olhos.
Olhos mais puros, talvez.
Olhos mais francos, certamente.
Olhos mais vivos, pode crer.
Quem adoece não quer perder um segundo.
Quer amar, conhecer o outro e a si mesmo, deixar algo para os dias que virão.
Me pergunto: temos que sofrer para aprender? Não podemos valorizar o simples e o comum sem dor?
Por que você não se preocupa com o outro, com o mundo, com a sua saúde física e mental, com a sua alma, com a natureza e com tudo que te cerca hoje?
Por que você não se preocupa com o outro, com o mundo, com a sua saúde física e mental, com a sua alma, com a natureza e com tudo que te cerca hoje?
Por que uma tragédia precisa acontecer para você dar importância para as coisas?
Por que você não pensa que pode ajudar as pessoas doando sangue?
Por que você não pega uma cartinha nos Correios e ajuda uma criança?
Por que você não diz para a sua família que quando morrer quer doar seus órgãos?
Por quê?
A gente precisa, com urgência, deixar o egoísmo de lado.
A gente precisa, com urgência, deixar o egoísmo de lado.
Olhar para a vida e enxergar o que está ao nosso redor de fato.
Sem véu, sem máscara, sem make up.
Olhar nu, olhar cru, olhar limpo.
E entender que a luta é diária. Que nem sempre é fácil viver.
Que tropeços virão, sim. Que apesar de tudo vale a pena.
E que a gente não precisa aprender da forma mais difícil e dolorosa.
Clarissa Corrêa
Clarissa Corrêa
sábado, 27 de abril de 2013
Cada macaco no seu galho
É muito estranha essa tara que o ser humano tem pelo julgamento. Mesmo sem querer, num piscar de olhos, estamos julgando o parente distante, o amigo de infância, o colega de pilates ou a vizinha do apartamento ao lado. E aqueles que levantam a bandeira do julgar-é-feio, inevitavelmente, já julgaram uma pessoa ou outra.
O que acontece conosco? Por que é tão fácil e simples falar do umbigo do outro ao invés de olhar para o nosso? Sem papas na língua, ajeitamos a vida de quem atravessa nosso caminho. Resolvemos problemas, oferecemos soluções Miojo. Em três minutos tudo fica resolvido. Em meia dúzia de segundos dizemos que o problema do casamento da Fulana é que ela não dá a atenção que o marido precisa, que o filho da Beltrana é mimado porque assim que ele chora ela pega no colo.
As pessoas esquecem que cada um tem uma cabeça, uma vivência, um motivo, um padrão de funcionamento. Na verdade, as pessoas esquecem de olhar para o seu rabo. É muito mais fácil ficar sentadinho tomando uma Coca zero e debatendo sobre os quilos extra que dona Maria ganhou nos últimos meses. Difícil mesmo é se despir e se encarar de frente. Se eu falo tanto do outro é porque algo dentro de mim está desarrumado, desajustado, desorganizado. Se eu quero tanto resolver o problema alheio é porque não faço questão de pensar no meu, é porque insisto em tapar o sol com a peneira, é porque olhar para a nossa sombra é um processo doloroso.
Minha vida, segundo o que ouvi hoje, é perfeita. Tenho um apartamento bonito, um homem que me ama, uma cachorrinha amorosa, um trabalho que me dá prazer. O que mais eu quero? É tudo tão bom, tudo tão bacana, tudo tão legal. Não tenho direito de ficar triste nem de reclamar, tenho tudinho ao meu dispor. Tsc, tsc. Já cometi o erro de dizer que determinada pessoa não tinha motivo para queixas. Esqueci que não tenho superpoderes nem o dom de ver alguém por dentro. Não sei das cicatrizes, das feridas que não fecham, do que foi dito e ficou tatuado, da pedra que incomoda o sapato a cada passo. Não sei das noites em claro, do motivo das olheiras, da saudade da infância, da falta do gosto, da palavra que não foi falada, do sentimento que não foi revelado, da vergonha guardada no canto da boca. Eu não sei o que o outro traz a tiracolo. Então, me esforço e me calo. Guardo para mim os pensamentos. Antes eu era uma inconsequente. Julgava a torto e a direito. Até que a maturidade resolveu me puxar a orelha. Ei, para com isso. Para de pensar que pode tudo, afinal, você não é nada. Ei, sossega, cuida da sua vida. Então parei. Parei e resolvi cuidar do meu umbigo. Das minhas falhas, acertos, tropeços e anseios. Deixa que do outro ele mesmo cuida.
Não tenho nem o direito de invadir espaços que não são meus. Não sou uma divindade, tampouco juíza. Por isso, me recolho. Sou um grão de areia no meio dessa imensidão toda. E não admito que alguém dê palpite na minha vida, que nada tem de perfeita. Tenho reticências que vivem pegando no meu pé, alguns parágrafos incompletos, frases que começam sem nexo, textos que não se desenvolvem, ideias que mudam de lugar, pontos finais e sílabas que não se casam. Tenho lá minhas melancolias, minhas músicas bregas, meus choros inexplicáveis, meu humor que anda de gangorra, meus momentos de surto e solidão. Porque sou humana. E isso explica tudo.
Clarissa Corrêa
O que acontece conosco? Por que é tão fácil e simples falar do umbigo do outro ao invés de olhar para o nosso? Sem papas na língua, ajeitamos a vida de quem atravessa nosso caminho. Resolvemos problemas, oferecemos soluções Miojo. Em três minutos tudo fica resolvido. Em meia dúzia de segundos dizemos que o problema do casamento da Fulana é que ela não dá a atenção que o marido precisa, que o filho da Beltrana é mimado porque assim que ele chora ela pega no colo.
As pessoas esquecem que cada um tem uma cabeça, uma vivência, um motivo, um padrão de funcionamento. Na verdade, as pessoas esquecem de olhar para o seu rabo. É muito mais fácil ficar sentadinho tomando uma Coca zero e debatendo sobre os quilos extra que dona Maria ganhou nos últimos meses. Difícil mesmo é se despir e se encarar de frente. Se eu falo tanto do outro é porque algo dentro de mim está desarrumado, desajustado, desorganizado. Se eu quero tanto resolver o problema alheio é porque não faço questão de pensar no meu, é porque insisto em tapar o sol com a peneira, é porque olhar para a nossa sombra é um processo doloroso.
Minha vida, segundo o que ouvi hoje, é perfeita. Tenho um apartamento bonito, um homem que me ama, uma cachorrinha amorosa, um trabalho que me dá prazer. O que mais eu quero? É tudo tão bom, tudo tão bacana, tudo tão legal. Não tenho direito de ficar triste nem de reclamar, tenho tudinho ao meu dispor. Tsc, tsc. Já cometi o erro de dizer que determinada pessoa não tinha motivo para queixas. Esqueci que não tenho superpoderes nem o dom de ver alguém por dentro. Não sei das cicatrizes, das feridas que não fecham, do que foi dito e ficou tatuado, da pedra que incomoda o sapato a cada passo. Não sei das noites em claro, do motivo das olheiras, da saudade da infância, da falta do gosto, da palavra que não foi falada, do sentimento que não foi revelado, da vergonha guardada no canto da boca. Eu não sei o que o outro traz a tiracolo. Então, me esforço e me calo. Guardo para mim os pensamentos. Antes eu era uma inconsequente. Julgava a torto e a direito. Até que a maturidade resolveu me puxar a orelha. Ei, para com isso. Para de pensar que pode tudo, afinal, você não é nada. Ei, sossega, cuida da sua vida. Então parei. Parei e resolvi cuidar do meu umbigo. Das minhas falhas, acertos, tropeços e anseios. Deixa que do outro ele mesmo cuida.
Não tenho nem o direito de invadir espaços que não são meus. Não sou uma divindade, tampouco juíza. Por isso, me recolho. Sou um grão de areia no meio dessa imensidão toda. E não admito que alguém dê palpite na minha vida, que nada tem de perfeita. Tenho reticências que vivem pegando no meu pé, alguns parágrafos incompletos, frases que começam sem nexo, textos que não se desenvolvem, ideias que mudam de lugar, pontos finais e sílabas que não se casam. Tenho lá minhas melancolias, minhas músicas bregas, meus choros inexplicáveis, meu humor que anda de gangorra, meus momentos de surto e solidão. Porque sou humana. E isso explica tudo.
Clarissa Corrêa
sábado, 16 de março de 2013
Sobre a falta de humanidade
Existem coisas que me deixam chocada.
Uma delas é a falta de vontade de uma pessoa se colocar no lugar da outra.
É tão simples, tão indolor, não sei por qual motivo a maior parte das pessoas tem essa dificuldade.
Egoísmo é uma palavra feia e que por mim não existiria no dicionário.
A falta do tato, do enxergar o outro, do se colocar na pele, do tentar entender o que se passa do lado de lá.
[ ..... ]
Que medo desse mundo, que medo. Que medo das pessoas...
A cada dia que passa fico mais receosa.
Não sei onde as coisas vão parar.
Clarissa Corrêa
sábado, 12 de janeiro de 2013
Dentro de nós
De vez em quando sinto uma falta de ar violenta. Mas não se preocupe, acho que não tem nada de errado comigo ou com meus queridos pulmões.
A coisa vai mais além (e vem mais de dentro): está difícil viver.
É julgamento aqui e ali, feito bala perdida. Sobram juízes, sobram deuses, sobram entendidos em todos os assuntos.
E falta um pouco de olho no olho e compaixão.
Esse nosso mundo está cada dia mais complicado, acho que os valores estão escorrendo pelas nossas mãos. E ninguém quer parar, pisar no freio, respirar fundo e olhar para os dois lados.
Esse nosso mundo está cada dia mais complicado, acho que os valores estão escorrendo pelas nossas mãos. E ninguém quer parar, pisar no freio, respirar fundo e olhar para os dois lados.
Todo mundo segue acelerando sem olhar para trás, sem se importar com o bem-estar do outro.
Até quando? Até quando as agressões serão gratuitas? Até quando a gente vai aplaudir a moça que raspa a cabeça na televisão? Até quando a graça vai ser rir da desgraça alheia? Até quando vai ser bonito falar palavrão e tomar tarja preta? Até quando vai ser legal sair com a bunda aparecendo no meio da rua? Até quando você vai se preocupar se a filha de A ou B tem a doença C? Até quando você vai apontar o erro do outro ao invés de reconhecer seus próprios erros?
Não aguento mais esse ti-ti-ti, esse bafafá, essa gente que não é capaz de olhar para si primeiro.
Não aguento mais esse ti-ti-ti, esse bafafá, essa gente que não é capaz de olhar para si primeiro.
Tudo precisa de rótulo, tudo precisa ser debatido, tudo precisa virar confusão, tudo é levado para o outro lado e encarado como crítica.
As pessoas estão sensíveis e agressivas demais. É contraditório, eu sei. Mas jogam mil pedras nos outros e ficam ofendidas por pouco. Isso é demais pra mim.
É por isso que cada vez mais eu me fecho no meu mundinho. E lá entra quem eu quero, quem é da minha tribo. Porque esse mundo onde tudo é guerra, confusão e gritaria não é comigo.
Não gosto do grito, prefiro os meus silêncios. Não gosto da confusão, sou do time da calmaria. Não gosto do tumulto, prefiro a paz.
Não gosto da fofoca, prefiro falar com os olhos. É mais humano, mais leal, mais digno, mais legal.
Acho que as pessoas andam perdidas. E fazem a maior questão de se preocupar com o que está fora. Esquecem que o que nos acompanha é o que fica lá dentro. E essa é a nossa melhor e pior parte.
Clarissa Corrêa
Acho que as pessoas andam perdidas. E fazem a maior questão de se preocupar com o que está fora. Esquecem que o que nos acompanha é o que fica lá dentro. E essa é a nossa melhor e pior parte.
Clarissa Corrêa
sábado, 5 de janeiro de 2013
O último desejo
Fiquei pensando sobre o tal do fim do mundo. Tudo bem, eu sei que ele não vai acabar coisa nenhuma. Mas e se? Por mais que a gente lute e bata o pé, sempre tem o “se” e o “mas”. Eles se metem na vida da gente sem a menor educação.
Tenho tanto para realizar ainda. Tanto para dizer, mostrar, aprender. Já plantei árvore, já escrevi livro, mas ainda não tive filho. Será que uma cachorrinha vale? É como se fosse minha filha, mas não é humana (apesar de ser bem mais carinhosa e gentil que muita gente). Minha gaveta cerebral está lotada de projetos para o próximo ano. No meu coração tem tanto para arrumar. Não, o mundo não vai acabar. Mas e se?
Meu último desejo nem seria um desejo, mas sim um agradecimento. Obrigada. Obrigada, pai. Obrigada, mãe. Obrigada, irmão. Obrigada, amor. Obrigada, prima. Obrigada, tia. Obrigada, vó. Obrigada, amiga. Obrigada, amigo. Obrigada, leitor. Obrigada a você, que me ensina um pouco todo dia. Obrigada, também, àqueles que não gostam de mim. Minha vida é muito boa, tenho muito o que comemorar.
É claro que tenho arrependimentos, mas não fico debruçada neles. Certas coisas precisam ficar no passado, outras tantas necessitam ser superadas. Sabe aquela frase “que vive de passado é museu”? É a mais pura verdade. Gosto de olhar para frente, de ter esperança. Olhar para trás, muitas vezes, traz uma espécie de rancor amargo. Disso eu não gosto.
A vida de ninguém é um mar de rosas sempre. A gente tem altos e baixos, faz parte do dia a dia das pessoas. E tudo bem, sério, tudo bem. Mas não dá pra deixar a peteca cair ou se desesperar. Se dá para resolver o problema, vamos arregaçar as mangas, tentar dar o nosso melhor e resolver. Se não dá, paciência. Não dá pra perder o sono, ganhar rugas e marcas de expressão. Vida não é sinônimo de complicação.
Os sentimentos são simples. Você gosta ou não. Você gosta porque gosta, porque o outro é importante, porque ele te dá alguma paz, porque ele faz o teu sono ser mais tranquilo. Você não gosta porque o outro te dá arrepios ou não te dá coisa alguma. A gente complica muito as coisas vendo chifre em cabeça de galinha, enxergando o que não existe e nunca vai existir.
Vamos parar com isso. Vamos parar com a fofoca, com a maldade. Vamos nos preocupar com nossas próprias vidas ao invés de meter o bedelho na vida do outro sem ser convidado. Vamos dar importância ao que realmente tem importância. Vamos buscar a paz no trabalho. E se o trabalho vai ruim, troca. Não é complicado, não. Eu troquei. Ganho menos hoje? Sim. Mas ganho mais satisfação, alegria, tranqüilidade. E isso vale um dinheirão. Vamos fazer as pazes com nossos fantasmas. Vamos perdoar. Vamos deixar pra lá aquela história pequena. Vamos começar uma grande história. Vamos visitar aquela tia que mora longe. Vamos limpar as gavetas e as bagunças. Vamos dar lugar para o novo. Vamos parar de sofrer por quem não merece. Vamos entender que ninguém merece o nosso sofrimento. Vamos aceitar que quando alguém te quer não existe barreira que impeça. Vamos sorrir para o ciclo que a vida tem. Vamos, finalmente, buscar a serenidade necessária para viver bem.
Clarissa Corrêa
Tenho tanto para realizar ainda. Tanto para dizer, mostrar, aprender. Já plantei árvore, já escrevi livro, mas ainda não tive filho. Será que uma cachorrinha vale? É como se fosse minha filha, mas não é humana (apesar de ser bem mais carinhosa e gentil que muita gente). Minha gaveta cerebral está lotada de projetos para o próximo ano. No meu coração tem tanto para arrumar. Não, o mundo não vai acabar. Mas e se?
Meu último desejo nem seria um desejo, mas sim um agradecimento. Obrigada. Obrigada, pai. Obrigada, mãe. Obrigada, irmão. Obrigada, amor. Obrigada, prima. Obrigada, tia. Obrigada, vó. Obrigada, amiga. Obrigada, amigo. Obrigada, leitor. Obrigada a você, que me ensina um pouco todo dia. Obrigada, também, àqueles que não gostam de mim. Minha vida é muito boa, tenho muito o que comemorar.
É claro que tenho arrependimentos, mas não fico debruçada neles. Certas coisas precisam ficar no passado, outras tantas necessitam ser superadas. Sabe aquela frase “que vive de passado é museu”? É a mais pura verdade. Gosto de olhar para frente, de ter esperança. Olhar para trás, muitas vezes, traz uma espécie de rancor amargo. Disso eu não gosto.
A vida de ninguém é um mar de rosas sempre. A gente tem altos e baixos, faz parte do dia a dia das pessoas. E tudo bem, sério, tudo bem. Mas não dá pra deixar a peteca cair ou se desesperar. Se dá para resolver o problema, vamos arregaçar as mangas, tentar dar o nosso melhor e resolver. Se não dá, paciência. Não dá pra perder o sono, ganhar rugas e marcas de expressão. Vida não é sinônimo de complicação.
Os sentimentos são simples. Você gosta ou não. Você gosta porque gosta, porque o outro é importante, porque ele te dá alguma paz, porque ele faz o teu sono ser mais tranquilo. Você não gosta porque o outro te dá arrepios ou não te dá coisa alguma. A gente complica muito as coisas vendo chifre em cabeça de galinha, enxergando o que não existe e nunca vai existir.
Vamos parar com isso. Vamos parar com a fofoca, com a maldade. Vamos nos preocupar com nossas próprias vidas ao invés de meter o bedelho na vida do outro sem ser convidado. Vamos dar importância ao que realmente tem importância. Vamos buscar a paz no trabalho. E se o trabalho vai ruim, troca. Não é complicado, não. Eu troquei. Ganho menos hoje? Sim. Mas ganho mais satisfação, alegria, tranqüilidade. E isso vale um dinheirão. Vamos fazer as pazes com nossos fantasmas. Vamos perdoar. Vamos deixar pra lá aquela história pequena. Vamos começar uma grande história. Vamos visitar aquela tia que mora longe. Vamos limpar as gavetas e as bagunças. Vamos dar lugar para o novo. Vamos parar de sofrer por quem não merece. Vamos entender que ninguém merece o nosso sofrimento. Vamos aceitar que quando alguém te quer não existe barreira que impeça. Vamos sorrir para o ciclo que a vida tem. Vamos, finalmente, buscar a serenidade necessária para viver bem.
Clarissa Corrêa
sexta-feira, 8 de junho de 2012
Tenho pena...
Tenho pena de gente que não tem família esquisita, nem
histórias malucas para contar, nem amores complicados.
Tenho pena de gente que não dá a cara a tapa, que não sabe
que o melhor da vida é realmente viver.
Clarissa Corrêa
segunda-feira, 21 de maio de 2012
Sobre a gratidão e outras coisas
O meu maior defeito é esperar retribuição.
Desculpe, mas eu precisava me abrir com você. Eu espero,
sim, que o outro reconheça o que faço.
Sou humana. Acho que na vida tudo vai e vem. São duas mãos.
Eu faço, você (teoricamente) faz e assim a gente se ajuda e
tenta viver melhor.
Mas nem sempre é assim.
Não gosto de ingratidão.
Honestamente, não quero um presente bem embrulhado com fita
prateada. Não quero flores nem chocolates.
Não quero tapete vermelho nem puxação de saco.
Não quero um cartão cheio de traquitanas.
Só quero que você agradeça de coração aberto e sinceridade
brilhando nos olhos. Mais nada.
Duvido que uma pessoa faça, faça e faça sem esperar pelo
menos um obrigado. Não estou levantando a bandeira do
faça-e-espere-um-agradecimento.
Estou apenas contando para você como me sinto. Fico bem
chateada quando alguém pede a minha ajuda e age como se aquilo fosse a minha
obrigação.
Da mesma forma que fico bem sentida quando me ofereço para
ajudar, me viro em mil, me desdobro e a pessoa nem liga.
Ser grato é tão bonito, faz tão bem.
Faço as coisas porque quero. Essa é a minha verdade.
Faço de coração, sim.
Mas tenho sangue correndo nas veias, tenho sentimento e espero
que a pessoa valorize o que fiz por ela, da mesma forma que valorizo o que
fazem por mim.
Não esqueço de quem me estende a mão.
Minha memória não é curta. Apesar de eu esquecer nomes,
jamais deixo passar batido o que fazem por mim.
Porque aprendi que ajudar o outro é bonito.
Mas ser grato é mais bonito ainda...
Clarissa Correa
sexta-feira, 30 de março de 2012
Coisas simples
"É bom poder contar com coisas simples.
Uma delas é ter pra quem contar como foi o dia.
Pedir um palpite num projeto importante.
Pedir um abraço quando o mundo está chato.
Encostar a cabeça no ombro e não dizer nada, apenas ouvir o som do vento lá fora.
Rir de besteira.
Ficar de mãos entrelaçadas assistindo televisão.
Encostar o pé no pé do outro, na cama, vendo “House”.
Ganhar café da manhã na cama.
Aprender a rir das pequenas discussões que acontecem em qualquer relacionamento.
Entender que a gente não deve guardar mágoa, pois toda mágoa vira um rancor chato colado no peito."
(Clarissa Corrêa)
Vida
Sei que nem sempre a vida é fácil. Na verdade, acho que na maior parte das vezes a gente encontra dificuldades no meio caminho. Mas viver é isso, não é? É lidar com adversidades, é tentar buscar um novo jeito de fazer as coisas. Não sou uma deusa, tampouco uma juíza. Não estou aqui para julgar atitudes de A ou B. Mas tem coisas que me impressionam demais.
.......
Acho que a gente não pode medir o sofrimento do outro. Não estamos na pele da outra pessoa. Cada um tem sua força, sua fraqueza, cada um tem suas dores, suas infelicidades. Tem gente que fala que fulaninha tinha tudo, por que é tão infeliz? Eu tenho uma amiga que é bonita, culta e endinheirada que já tentou se suicidar mais de uma vez. Quem vê pensa que ela não tem nenhum problema. Ninguém sabe da família bagunçada e das várias crises que ela já teve na vida. Ninguém sabe o que ela acumulou no peito.
Procuro enxergar o lado bom das coisas. Aprendi com meu pai que sempre existe o outro dia. Hoje tudo pode parecer terrível, mas a gente dorme (ou passa a noite em claro) e no outro dia o problema parece menor. Na hora do aperto, a gente enxerga o problema com lupa. Ele se torna enorme. Sempre "existe um dia depois do outro, com uma noite no meio", né pai?
Existem doçuras que a gente nem sempre vê. Existem problemas que nem sempre são o que parecem.
......
Todo mundo tem problema. Mas nem todo mundo consegue dar a volta por cima. Acho que tentar é essencial. E quem não consegue tem que procurar ajuda. Da família, de um médico, de uma religião, de qualquer coisa que traga um suporte, um consolo, um abrigo. Porque a gente precisa disso pra viver.
Todo mundo tem problema. Mas nem todo mundo consegue dar a volta por cima. Acho que tentar é essencial. E quem não consegue tem que procurar ajuda. Da família, de um médico, de uma religião, de qualquer coisa que traga um suporte, um consolo, um abrigo. Porque a gente precisa disso pra viver.
Acho que uma pessoa tem que estar muito mal (e ter muita coragem) para acabar com a própria vida. A vida da gente é a coisa mais bonita que existe.
Mesmo que nem sempre seja doce.
Mesmo que nem sempre tenha cor.
Mesmo porque quem dá o sabor e o tom somos nós mesmos.
Diariamente.
(Clarissa Corrêa)
O amor
Tem muita gente que pensa que ama.
Não sou ninguém para julgar o amor dos outros, longe de mim.
Mas o amor, o amor mesmo,
o amor maduro,
o amor bonito,
o amor real,
o amor sereno,
o amor de verdade não é montanha-russa,
não é perseguição,
...não é telefone desligado na cara,
não é uma noite, não é espera.
O amor é chegada.
É encontro.
É dia e noite.
É dormir de conchinha.
É acordar e fazer um carinho de bom dia.
É ajuda, mãos dadas, conforto, apoio.
E saco cheio, também.
Porque de vez em quando o amor enche o saco.
Tem rotina,
tem manhã,
tarde,
noite,
tem defeito,
tem chatice,
tem tempestade.
Mas o céu sempre limpa.
Porque o amor é puro como o azul do céu."
(Clarissa Corrêa)
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