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sexta-feira, 25 de setembro de 2015

Reflexão (do Coração do Papa Francisco)



Não existe família perfeita. 

Não temos pais perfeitos ,não somos perfeitos, não nos casamos com uma pessoa perfeita nem temos filhos perfeitos. 
Temos queixas uns dos outros. Decepcionamos uns aos outros. 

Por isso, não há casamento saudável nem família saudável sem o exercício do perdão. 
O perdão é vital para nossa saúde emocional e sobrevivência espiritual. 

Sem perdão a família se torna uma arena de conflitos e um reduto de mágoas. 
Sem perdão a família adoece. 
O perdão é a assepsia da alma, a faxina da mente e a alforria do coração. 
Quem não perdoa não tem paz na alma nem comunhão com Deus. 

A mágoa é um veneno que intoxica e mata. Guardar mágoa no coração é um gesto autodestrutivo. É autofagia. 

Quem não perdoa adoece física , emocional e espiritualmente. 

É por isso que a família precisa ser lugar de vida e não de morte; território de cura e não de adoecimento; palco de perdão e não de culpa. 

O perdão traz alegria onde a mágoa produziu tristeza; cura, onde a mágoa causou doença. 

(do Coração do Papa Francisco)

domingo, 5 de maio de 2013

Sobre a Mãe... homilia

"A Mãe ajuda os filhos a olhar com realismo os problemas da vida"
Nesta tarde estamos diante de Maria. Rezamos sob sua orientação materna para que nos coloque sempre mais unidos a seu Filho Jesus; trouxemos-lhe as nossas alegrias e os nossos sofrimentos, as nossas esperanças e as nossas dificuldades; invocamo-la com o belo título de “Salvação do Povo Romano” pedindo por todos nós, por Roma, pelo mundo para que nos dê saúde. Sim, porque Maria nos dá saúde, é a nossa saúde.

Jesus Cristo, com sua Paixão, Morte e Ressurreição, traz-nos à salvação, traz-nos a graça e a alegria de ser filhos de Deus, de chamá-lo na verdade com o nome de Pai. Maria é mãe, e uma mãe se preocupa principalmente da saúde de seus filhos, sabe curá-la sempre com grande e terno amor. Nossa Senhora guarda nossa saúde. O que é que isso quer dizer? Penso principalmente em três aspectos: ajuda-nos a crescer, a enfrentar a vida, a sermos livres.

1 - Uma mãe ajuda os filhos a crescer e quer que cresçam bem; por isso os educa a não ceder à preguiça – que provêm também um certo bem estar - , a não se acomodar numa vida que se satisfaz só com coisas. A mãe cuida dos filhos para que cresçam sempre mais, cresçam fortes, capazes de assumirem responsabilidades, de se comprometerem na vida, de terem grandes ideais. O Evangelho de São Lucas diz que, na família de Nazaré, Jesus “crescia e se fortificava, pleno de sabedoria, e a graça de Deus estava com ele”. Nossa Senhora faz isso connosco, ajuda-nos a crescer humanamente e na fé, para sermos fortes e não cedermos à tentação de sermos homens e cristãos superficiais, mas em viver com responsabilidade, a irmos sempre para mais.

2 – Uma mãe pensa na saúde dos filhos educando-os também para enfrentar as dificuldades da vida. Não se educa, não se cuida da saúde evitando os problemas, como se a vida fosse uma auto estrada sem obstáculos.

A Mãe ajuda os filhos a olhar com realismo os problemas da vida e a não se perderem neles, mas em enfrentá-los com coragem, a não serem fracos, e a saberem superá-los, em um equilíbrio sadio que uma mãe "percebe” entre os âmbitos de segurança e a zona de risco. Uma vida sem desafios não existe e um rapaz ou uma rapariga que não sabe enfrentá-los colocando-se em jogo, não possui espinha dorsal! Recordemos a parábola do bom samaritano: Jesus não propõe o comportamento do sacerdote e do levita, que evitam socorrer aquele que se feriu na luta, mas o samaritano que vê a situação daquele homem e a enfrentou de maneira concreta.

Maria viveu muitos momentos difíceis na sua vida, desde o nascimento de Jesus, quando “para eles não havia lugar na hospedaria” , até ao Calvário. E como uma boa mãe está-nos próxima, para que não percamos jamais a coragem diante das adversidades da vida, diante da nossa fraqueza, diante de nossos pecados: dá-nos força, indica-nos o caminho do Filho. Jesus na cruz diz a Maria, indicando João: “Mulher, eis o teu filho!” e a João: “Eis tua mãe!”
Naquele discípulo todos nós estamos representados: o Senhor confia-nos nas mãos cheias de amor e de ternura da Mãe, para que sintamos seu apoio para enfrentar e vencer as dificuldades de nosso caminho humano e cristão.

3 – Um último aspecto: uma boa mãe não só acompanha os filhos no crescimento, evitando-lhe problemas, desafios da vida: uma boa mãe ajuda também a tomar decisões definitivas com liberdade. Mas o que significa liberdade? Certamente não é fazer tudo o que se quer, deixar-se dominar pelas paixões, passar de uma experiência a outra sem discernimento, seguir a moda; liberdade não significa, por assim dizer, atirar tudo que não agrada pela janela. A liberdade é-nos dada para que saibamos fazer boas escolhas na vida! Maria como boa mãe educa-nos a ser como Ela, capaz de fazer escolhas definitivas, com aquela liberdade plena com que respondeu “sim” ao plano de Deus sobre sua vida.


Queridos irmãos e irmãs, quão difícil é, no nosso tempo, tomar decisões definitivas! Seduz-nos o provisório. Somos vítimas de uma tendência que nos leva ao provisório...como se desejássemos permanecer adolescentes por toda vida! Não tenhamos medo dos compromissos definitivos, dos compromissos que envolvem e interessam toda vida! Deste modo nossa vida será fecunda!


Toda a existência de Maria é um hino à vida, um hino de amor à vida: gerou Jesus na carne e acompanhou o nascimento da Igreja sobre o Calvário e no Cenáculo.

A Salvação do Povo Romano é a mãe que nos dá a saúde no crescimento, no confrontar e superar os problemas, no tornar-se livre para a escolha definitiva; a mãe que nos ensina sermos fecundos, e sermos aberto à vida e sermos sempre fecundos de bens, de alegria, de esperança, dando vida aos outros, vida física e espiritual.

Isto peçamos esta tarde, O Maria, Salvação do Povo Romano, para o povo de Roma, para todos nós: dá-nos a salvação que somente tu pode nos dar, para sermos sempre sinais e instrumentos de vida.

Papa Francisco

sexta-feira, 26 de abril de 2013

Sobre a Fé...

A fé não é uma alienação mas prepara o caminho para ver o rosto de Deus
O Papa Francisco afirmou que a fé não é uma alienação mas um caminho de verdade que nos ajuda a preparar o encontro com Deus.
O Santo Padre considerou estas palavras belíssimas: "Não esteja perturbado o vosso coração". Palavras de um verdadeiro pastor que procura transmitir segurança aos discípulos dizendo-lhes que lhes preparará um futuro, um lugar junto do Pai. 
Também nós somos preparados. A vida cristã - diz o Papa - é todo um trabalho de Jesus e do Espírito Santo. 
Um trabalho que nos prepara o Céu. E isto não é alienação, mas fé e vida! 

No caminho da vida de cada um de nós o Senhor prepara o nosso coração com as provas, as consolações, as tribulações e com as coisas boas. 
O caminho é sempre preparação...

"Todo o caminho da vida é um caminho de preparação. Às vezes, o Senhor fá-lo rapidamente, como fez com o bom ladrão: tinha apenas alguns minutos para prepará-lo e fê-lo. 
Mas a normalidade da vida é mesmo assim, não é?  Deixar-se preparar o coração, os olhos, os ouvidos para chegar a esta pátria. Porque aquela é a nossa pátria. 
Alguns pensam assim : que todos estes pensamentos são uma alienação, que nós somos alienados, que a vida é esta, o concreto, e do que há-de vir não se sabe o que é... ....

Mas Jesus nos diz que não é assim e fala-nos: "Tenham fé em mim". 
Isto que eu te digo é a verdade: eu não te faço uma burla, eu não te engano.

Papa Francisco - Rádio Vaticano

terça-feira, 19 de março de 2013

"Cuidar das pessoas que estão na periferia do nosso coração"


Na solenidade de São José, Papa Francisco dedicou toda a sua homilia às virtudes do patrono da Igreja – e como podemos nos inspirar em suas qualidades.

Comentando as leituras do dia, falou da missão de José: ser custos, guardião. Guardião de quem? De Maria e de Jesus, mas é uma guarda que depois se alarga à Igreja. Uma guarda que se realiza com discrição, com humildade, no silêncio, mas com uma presença constante e uma fidelidade total, mesmo quando não consegue entender.

“Deus não deseja uma casa construída pelo homem, mas quer a fidelidade à sua Palavra, ao seu desígnio.”

José responde à vocação de Deus com disponibilidade e prontidão; tendo Cristo no centro da vocação cristã. Entretanto, a vocação de guardião não diz respeito apenas a nós, cristãos, mas tem uma dimensão antecedente, que é simplesmente humana e diz respeito a todos: é a de guardar a criação inteira, a beleza da criação, como se diz no livro de Genesis e nos mostrou São Francisco de Assis: é ter respeito por toda a criatura de Deus e pelo ambiente onde vivemos.

É guardar as pessoas, cuidar carinhosamente de todas elas e cada uma, especialmente das crianças, dos idosos, daqueles que são mais frágeis e que muitas vezes estão na periferia do nosso coração. É cuidar uns dos outros na família. É viver com sinceridade as amizades. “Sejam guardiões dos dons de Deus!”

E quando o homem falha nesta responsabilidade, quando não cuida da criação e dos irmãos, então encontra lugar a destruição e o coração fica ressequido. “Infelizmente, em cada época da história, existem «Herodes» que tramam desígnios de morte, destroem e deturpam o rosto do homem e da mulher.”

Papa Francisco pediu “por favor” aos ocupam cargos de responsabilidade em âmbito econômico, político ou social, a todos os homens e mulheres de boa vontade:
 “Sejamos ‘guardiões’ da criação, do desígnio de Deus inscrito na natureza, guardiões do outro, do ambiente; não deixemos que sinais de destruição e morte acompanhem o caminho deste nosso mundo! Mas, para «guardar», devemos também cuidar de nós mesmos. 
Lembremo-nos de que o ódio, a inveja, o orgulho sujam a vida; então guardar quer dizer vigiar sobre os nossos sentimentos, o nosso coração, porque é dele que saem as boas intenções e as más: aquelas que edificam e as que destroem. 
Não devemos ter medo de bondade, ou mesmo de ternura”.

A seguir, Francisco falou do início do seu ministério como novo Bispo de Roma, Sucessor de Pedro, que inclui também um poder. Mas de que poder se trata? – questionou, respondendo com o convite de Jesus a Pedro: apascenta as minhas ovelhas.

“Jamais nos esqueçamos que o verdadeiro poder é o serviço, e que o próprio Papa, para exercer o poder, deve entrar sempre mais naquele serviço que tem o seu vértice luminoso na Cruz; deve olhar para o serviço humilde, concreto, rico de fé, de São José e, como ele, abrir os braços para guardar todo o Povo de Deus e acolher, com afeto e ternura, a humanidade inteira, especialmente os mais pobres, os mais fracos, os mais pequeninos, aqueles que Mateus descreve no Juízo final sobre a caridade: quem tem fome, sede, é estrangeiro, está nu, doente, na prisão.”

Este é o serviço que o Bispo de Roma e todos nós somos chamados a cumprir: dar esperança perante tantos ‘pedaços de céu cinzento’.

“Curar a criação, cada homem e cada mulher, com um olhar de ternura e amor, é abrir o horizonte da esperança, é abrir um rasgo de luz no meio de tantas nuvens, é levar o calor da esperança! Para nós cristãos, a esperança que levamos tem o horizonte de Deus que nos foi aberto em Cristo, está fundada sobre a rocha que é Deus”, concluiu Papa Francisco, pedindo a intercessão da Virgem Maria, de São José, de São Pedro e São Paulo, de São Francisco, para que o Espírito Santo acompanhe o seu ministério.

Papa Francisco  -  Rádio Vaticano - 'Spe Deus'