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segunda-feira, 4 de novembro de 2013

Coisa que não se perde

Ombro que ampara. Sorriso que se doa. Colo que conforta. Palavra que se tem. Amizade. Tem coisa mais bonita?

Amizade pra dividir assunto, segredo, vida. 
Amizade que começa na infância, amizade que atravessa décadas, amizade colorida.
Tenho amigos que fiz na escola, na faculdade, no endereço antigo. Amigos que conheci através de cartas, amigos da internet.

Já confundi interesse com admiração. 
Já confundi amigo verdadeiro com amigo da onça. 
Já dei créditos demais a quem nem figuração merecia. 
Já quebrei muito a cara por confiar fácil e muito. E por abrir as portas de casa e do coração a quem quisesse entrar.

Mas o tempo, esse imprevisível senhor, descortina, ensina, explica e corrige tudo, ainda bem.

Hoje não. 
Hoje a reciprocidade é meu parâmetro. 
Hoje o cuidado, muito mais que o sorriso aberto - fácil e gratuito - é meu critério. 
Hoje preciso ser conquistada.

Aos meus leais amigos, dedico linhas, sorrisos, abraços, afeto e dias.
Infelizmente acontece com todo mundo: o correr das horas e as ofensivas imediaticidades não permitem a presença como em outros tempos. 

Mas amizade é isso. 

Perdoar e ser perdoada pela correria cotidiana impedir a frequência, a constância de amigos por perto.
Mas, por favor. Não vamos confundir ausência com indiferença. 
Não vamos justificar abandono com falta de tempo.

Amizade é pra ser usada e não guardada na gaveta das boas lembranças. 
A boa amizade é pra ser prezada, gasta e compartilhada. Perto ou longe. 

Afinal, alegar impossibilidade de contato em tempos de meios instantâneos de comunicação é, no mínimo, cara de pau.
Dentre as coisas mais verdadeiras que sempre leio e assino embaixo estão as concepções de que, quem ama cuida e quem quer, dá um jeito. 
Nisso, cabem cartas e e-mails pra encurtar distâncias, mensagens e telefonemas pra romper silêncios, e sempre que possível, encontros pra amenizar saudades.

É isso. A gente até pode perder o amigo de vista, mas há de se dar um jeitinho vez ou outra, que seja. Porque amizade é coisa que não se perde.
Erros e tropeços também cabem aqui. Como em toda e qualquer relação humana. 
E cabe também o refazer. 

Para tanto, a importância que cada um faz e dá a nossa vida, ditará quem permanece. 
E pra isso, não há disfarces, não há desculpas, não há emoções genéricas que substituam o sentimento. 

Também não há receitas. Pra amizade verdadeira só há uma recomendação: depois de cativar, cultive.

 Yohana Sanfer

quinta-feira, 19 de julho de 2012

Do verbo ser


Eu sou frio, sem agasalho. Já fui chuva, sou mais não.
Sou outono, Sou vento, às vezes tempestade.
Sou Clarice, Sou Neruda, Sou Quintana. Sou Che, Sou Pagu, Sou Renato, Sou Joana.
Sou vinho tinto, queijo e chocolate branco. 
Sou serra, Sou trilha, Sou montanha. 
Sou tudo que é cítrico, bem temperado, apimentado e gelado.
Sou sorvete de flocos, Sou estrogonofe. 
Sou macarrão. Sou limão do sumo à sobremesa. 
Sou farofa e batata palha em tudo que você possa imaginar.
Sou música, muita, muita, muita e sempre. Sou música ao vivo. 
Sou literatura, Sou crônica, apaixonadamente. Sou cinema, barzinho, teatro e Sou drama, literalmente.
Sou carta, Sou papel, Sou foto, muita foto. 
Sou internet, Sou comunicação, Sou declaração, Sou amigos antigos, Sou amores longos, Sou ovelha “tons de inverno” da família.
Sou revista adolescente, Sou videoclipe, Sou séries bobas, Sou lilás e roxo.
Sou Rock, Reggae, MPB. Sou cruz de malta, Sou signo touro dos aspectos bons aos ruins.
Felizmente Sou Anti- alguns “ismos”: capitalismo, machismo, racismo. 
Infelizmente às vezes Sou de alguns “ites”: amidalite, paixonite, preguicite e não me irrite!
Sou pijama o dia inteiro, Sou roupão, não sou roupa não. 
Sou cortinas fechadas, Sou almofadas espalhadas, Sou rede, Sou chão e ventilador. 
Sou tênis velho, Sou rasteirinhas, Sou pé descalço. 
Sou joaninhas, estrelas, malabares e mandalas sem significado.
Sou banho frio, perfumes, lápis de olho, cabelo solto, cheio e malcriado, como também sou...
Sou esmalte forte.
Sou efeito sanfona, Sou praia à noite e não sou sol nem luz, obrigada!
Sou Ilha Grande, São Paulo, Ponte Rio - Niterói, quero ser Paris.
Sou mais escrita que leitura, mais salgado que doce, mais show que boate, mais emoção que razão, mais grito que cara feia, mais noite que dia e mais ainda madrugada.
Sou festa, Sou oração. 
Sou da impaciência à explosão. 
Mas Sou retorno, reflexão, Sou redenção.
Sou respeito pra quem tem, desaforo pra quem pede, perdão pra quem merece. 
Sou tombos feios, mas também aprendizados. 
Sou choro sem razão, mas Sou reservas escondidas de fortaleza. 
Sou intensidade, Sou expressão. 
Sou muitos sonhos, mas Sou determinação.
Sou muito, tudo, sempre e mais. 
Sou coração disparado, Sou cabeça a mil, sou infinitos porquês. 
Sou fênix, Alice, Ariel, Sou Yo! mesma. 
E agora é a sua vez!

Autoria: Yohana Sanfer