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segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

A vida cobra as nossas pressas

Eu não sei ao certo se na minha infância as horas passavam depressa ou se os dias eram lentos.
A verdade é que eu não tinha a noção do tempo e das suas ilusórias modalidades.

Viver era a ausência de mistérios. Brincávamos com os amigos de rua, íamos à escola próxima de casa, assistíamos à programação televisiva de uma das quatro emissoras disponíveis na tela da TV da época. 
E eu não me lembro de alguma vez ter dito que não estava passando nada de bom na TV. 
A vida era simples e desprovida de qualquer pretensão imaginária. 
Viver era a arte de simplesmente estar lá, como estavam as plantas, as flores e os pássaros.

Em que momento a vida teria me feito perder a leveza e a ingenuidade?

Em que final de tarde teria eu deixado que as inquietações me roubassem o sono restaurador das noites?

E aqui eu cheguei, contando os segundos para a próxima atividade. 
Desesperado em não perder tempo, transformando o relógio em juiz de causas imperdíveis.

Ingressar no mundo adulto trouxe muitas vantagens, mas custou a perda de um modo leve de ser e de estar no mundo.

Por que essa ansiedade me consome?

Por que essa superficialidade nas pressas dos relacionamentos?

Às vezes, é preciso parar um pouco para, então, nos lembrarmos de que ainda fazemos parte da vida, ou melhor, que a vida ainda faz parte da nossa existência.

Quando tudo passa a ser feito de forma automática e veloz não há condição possível para sentirmos o sabor das experiências vividas. 
Tudo se relativista numa sucessão de acontecimentos desconexos.

E a vida sempre acaba por nos cobrar as pressas e as superficiais escolhas consequentes das nossas urgências.

Se um dia a vida foi para mim simples estar lá, hoje corro o risco de nas pressas da vida estar ausente não apenas de um lugar, mas ausente de mim mesmo.

Então, que a calma, enfim, me acorde a alma.

Dalcides do Carmo Biscalquin

sábado, 24 de novembro de 2012

Tocar as emoções e conhecer a nossa verdade


"Todo ser humano é carente de atenção.
Alguns chegam a adoecer na expectativa de serem percebidos pelos parentes e amigos mais próximos.
Em muitos casos, a doença pode se tornar um grito desesperado do corpo e da alma.
Não são poucos os estudos que associam a repressão dos sentimentos à causa mais comum da fadiga e da doença.
Reprimir as emoções poderá levá-lo a ter alergias, doenças de pele, dores de cabeça e dores nas costas.
Qual caminho seguir para superar essa situação?
Tocar as emoções.
Conhecer a nossa verdade, enfrentar com coragem nossos medos e nossas fraquezas. Falar com simplicidade das nossas limitações, admitindo-as e nos perdoando por elas. Esse é o caminho de superação das nossas angústias, das nossas dores, das nossas ansiedades.
Gosto de ver as pessoas no processo de verdadeira busca interior.
Elas passam a entender que a vida não é uma vitrine para exposição, mas sim uma oportunidade de aprendizagem e descobertas. "

Trecho extraido do livro: "A Vida é Feita de Escolhas"
Dalcides Biscalquin

terça-feira, 27 de março de 2012

Felicidade não se compra se sente

Quem tem conhecimento não precisa ficar constantemente provando isso aos outros, 
quem tem dinheiro não se sente na obrigação de tornar isso evidente aos olhos de todos. 

Da mesma forma, quem faz o bem não se sentirá impelido a tornar a sua obra conhecida de todos. 

Até os que são verdadeiramente felizes não precisam passar a vida tentando convencer os outros de sua felicidade. 
Quando tudo isso é de verdade e é encarado como uma conquista sadia, costuma gerar uma paz serena na alma e um leve sorriso no olhar.

Aquilo que é, se impõe com naturalidade, do contrário, quando algo apenas parece ser e carece de fundamentação sólida, requer um esforço tão estressante e se mostra tão pouco eficiente que sempre acaba por gerar descontentamento.

No livro do êxodo encontramos a autodefinição que Deus faz a Moisés: “eu sou aquele que é”. 
Se por um lado, ao longo da história, tantos tentaram definir Deus com inúmeros adjetivos, ele mesmo se auto define: “aquele que é”. 
Nesse ponto está algo verdadeiramente importante: nós, seres humanos, imagem e semelhança de Deus temos uma essência. 
Tudo mais que nos cerca é apenas circunstância. 

Hoje podemos ter e amanhã não termos mais, de qualquer forma, aquilo que somos verdadeiramente ultrapassa qualquer condição que quisesse nos definir: dinheiro, felicidade, conhecimento. 
Seremos, na nossa essência, sempre mais do que qualquer coisa que possamos vir a ter.

A partir desse olhar, tudo fica muito mais simples. Toda vez que as coisas ou as circunstâncias quiserem nos iludir, pensaremos: “isso não é a minha essência. 


É apenas um isso. E basta”.


Dalcides Biscalquim

sábado, 24 de março de 2012

A solidão necessária

A solidão sempre tem sempre dois lados: um triste e nostálgico e outro profundo e vital.

Você, certamente, já fez a experiência da solidão necessária e revitalizadora, quando entrou em casa, fechou a porta e disse: “como é bom estar aqui sozinho”.

Depois de tanta agitação, de tantas conversas, de tantos ruídos, você sentiu a necessidade de ouvir o próprio coração na paz da sua casa.

Por isso, sábios são aqueles que dão tempo e condições de solidão a si mesmos. Só assim é possível ouvir as emoções.

Nesse silêncio solitário é, enfim, possível encontrar a si mesmo.

É verdade, também, que nada nesse mundo tem favorecido o encontro pessoal.

Ainda mais que o fato de alguém ficar sozinho tem sido associado ao conceito de tristeza e de abandono. Que pena!

Ter momentos de solidão é dar a si uma oportunidade de mergulho interior.

Veja que nenhuma pessoa profunda e verdadeiramente sábia vive apenas de ritmos alucinantes e baladas frenéticas.

Todas as pessoas que me inspiram profundidade e confiança têm seus momentos de silêncio e de meditação. Muitas vezes, elas se isolam, fugindo ao barulho.

Eu levei muitos anos para não mais temer a solidão e perceber o quanto ela nos amadurece e nos coloca em contato com a essência humana. Esse caminho exige disposição, vontade e determinação.

E mesmo assim, em muitos momentos, eu me sinto tentado ao mergulho no barulho de um mundo alucinado.

Aí eu me recolho no silêncio das noites e me vejo a contemplar a calma das estrelas.
E volto à vida.

E por falar nisso, há quanto tempo você não pára e olha atentamente o céu estrelado? 

Lembre-se: “a solidão que nos amadurece nas noites é bênção para um novo dia”.

Dalcides Biscalquin