Mostrando postagens com marcador Fátima Irene Pinto. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Fátima Irene Pinto. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

De um jeito que é só seu

Há um jeito que é só seu de semear o bem.Se tem sabedoria para falar, fale!

Há pessoas precisando de quem lhes rasque novos horizontes.
Se tem o dom de ouvir, ouça!
Há pessoas precisando falar para reorganizar os pensamentos e sentimentos.
Se tem o dom de enxergar os talentos alheios, enalteça-os!
Há pessoas que desabrocham por conta de alguém que lhes reconheça um dom.
Se tem discernimento o bastante para fazer uma observação construtiva, faça-a!
Há pessoas persistindo no mesmo erro por falta de alguém que as alerte com carinho e firmeza.
Se não tem vocação para engajar-se em movimentos filantrópicos de grande alcance, tenha em mente que o maior bem a ser semeado começa dentro do seu lar.
Oferte a sua canção, a sua poesia, a sua hospitalidade, aquele prato que ninguém sabe fazer igual.
Oferte a sua diplomacia, a sua liderança ou a sua capacidade de atuar em segundo plano para o bem comum.
Oferte o seu talento para contar piadas e fazer rir.
A sua ternura natural no trato com crianças, idosos ou animais.
A sua capacidade de manter o sangue frio nas horas de crise, quando todos em sua volta desabam.
A sua santa paciência de permanecer num hospital ao lado de um enfermo terminal ou de varar a noite num velório, naquela hora crítica em que todos vão embora.
Há um jeito que é só seu e todo seu, mesmo que seja ofertar uma flor sem ser dia de nada.
Mesmo que seja afagar as folhas de uma árvore, cantar junto com o seu canarinho, alisar o pelo de seu bichinho de estimação, aquele que você salvou da enxurrada.
Mesmo que seja uma prece sincera feita no silêncio do seu quarto.
Na contabilidade divina pouco importa se o seu dom de semear o bem alcançar uma criatura ou milhões de criaturas.
Você está fazendo a sua parte, de um jeito que é só seu.
É só isto que realmente importa!

Fátima Irene Pinto

domingo, 16 de setembro de 2012

Deixa-me gostar de você

Deixe-me gostar de você feito criança porque descobri que é o único jeito que consigo gostar de verdade, sem confusão, sem hipocrisia.

Deixe-me gostar de você da forma mais simples, sem porquês, sem perguntas, sem articulações.

Se eu ou você pensarmos muito e nos colocarmos sob o crivo da razão, teremos que ver entre as nossas qualidades também os nossos defeitos.
Teremos que ver a treva que coabita com a nossa luz. Então deixe-me gostar de você como criança. Criança gosta sem pensar.

Deixe-me gostar de você sem cobranças, sem compromissos que não sejam aqueles que nós dois estabelecemos para nós mesmos e não aqueles que os homens inventaram que devemos seguir à risca, toda vez que resolvemos gostar.

Deixe-me gostar de você da forma mais inocente que eu puder. Neste gostar permita-me descartar toda a cultura, filosofia, modismos, conceitos ou preconceitos, dogmas, todo e qualquer mandamento ou imposição que venham de fora. Quero apenas ouvir meu coração, assim como quero que você ouça o seu.

Se eu ficar com você um minuto, uma semana, um mês ou um ano, que seja pelo real prazer de ficar, pois aprendi que não é a duração, mas a qualidade que transforma um único minuto numa experiência com gosto de eternidade.

Deixe-me gostar de você sem expectativa, sem planos para o futuro, sem gaiolas que limitem o meu querer porque o futuro é tão incerto e nunca é do jeito que pensamos.
  
Se nos gostarmos de verdade, é possível que haja muitas ações no presente, e é só isto o que verdadeiramente importa.

Acima de tudo, deixe-me gostar de você deixando-o completamente livre para ficar ou para partir.

Deixe-me gostar de você sem máscaras e sem verniz.

E se um dia eu disser adeus e partir, creia, será no exato momento em que eu descobrir que já não sou mais capaz de me fazer ou de lhe fazer feliz.

Deixe-me gostar de você feito criança, deixa!

Fátima Irene Pinto