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quinta-feira, 30 de agosto de 2012

A oração: Atitude de quem ama

Nada te impeça de orar sempre (Eclo 18,22)
A oração representa para o crente o mesmo que o encontro para os amantes. 
Quem ama, sente falta da pessoa amada. 
Quem ama, gosta de conversar com o amado. 
Quem ama, tem todo o tempo do mundo para seu amor.
Orar é abrir a boca para louvar, agradecer, pedir perdão, trocar confidências, suplicar. 
É reforçar os laços de amor que nos unem a Deus. 
É atitude que vem do amor.

Namorados que não se encontram por muito tempo, correm o risco de se verem trocados por outros amores. 
O homem que não ora, acabará trocando, por outros amores ou coisas, seu amor por Deus.
Alguns dizem que não encontram tempo para a oração. Mas, tempo é questão de preferência: onde está nosso tesouro, aí está nosso coração. 
Outros não rezam por estarem sempre cansados. 
Era exatamente no fim de um dia cansativo que Jesus se retirava para orar, para conversar com o Pai. Conversar com a pessoa amada traz descanso, paz.

A oração retempera as energias, pois o contato com Deus nos devolve a paz. 
Na intimidade com nosso Deus, sentimo-lo como Pai, somos perdoados, recebemos a capacidade de nos renovarmos.
A oração é o melhor meio para nos analisarmos: nosso encontro com Deus faz com que entendamos mais profundamente nosso mistério pessoal.

Alguém pode reclamar: – “Falo sempre com Deus, mas nunca escuto a sua voz!”. 
Poderia escutar como resposta: “Você nunca faz silêncio!”. 
Deus nos fala através de nossa consciência, de nossos gestos, de nossa história, de nosso silêncio interior. Não profere discursos. 
Dá-nos luz para enxergarmos melhor a realidade. 

Sua voz se revela nos nossos caminhos. 
Sua voz se confunde com o nosso rosto e com o rosto das pessoas que estão diante de nós.
Somente a oração constante traz essa magnífica oportunidade de percebermos com clareza o que Deus quer de nós e de nossas vidas, nos mostra tudo o que nos oferece como dom.
Você não sente mais necessidade da oração? 
Muito cuidado! 

Há doentes crônicos que não sentem falta de tratamento, e acabam por morrer.
Quando menos vontade temos de rezar, mais estamos precisando da oração.
Quanto mais orarmos, mais vontade teremos de orar, pois sentiremos o prazer da paz interior que a oração nos traz.
Outras vezes a oração nos angústia pois, através dela, Deus nos faz entrar em contato conosco mesmos. 
E vemos como estamos distantes daquilo que pretendemos alcançar, como estamos longe daquilo que imaginamos ser.

Não inicie nem encerre seu dia sem um diálogo com Deus. 
Você sempre terá alguma coisa para lhe contar, e muito mais para dele ouvir.
A oração é o fruto mais maduro de nossa fé, de nosso amor por Deus. Santa Teresa, a pedagoga da oração, assim resumiu a oração: “Orar é encontro de amigos”.

Pe. José Artulino Besen

Pais, não irriteis vossos filhos

Pais, não irriteis vossos filhos.
Pelo contrário, criai-os na educação e doutrina do Senhor" (Ef 6,4).
 São Paulo pede que os pais não irritem os filhos, mas os criem na educação e doutrina do Senhor, isto é, criem os filhos na lei do amor e da misericórdia. 
Podemos citar algumas atitudes que deixam os filhos profundamente machucados e plantam neles o sentimento de insegurança, inferioridade.

Esquecer os acertos, lembrar os erros: é necessário corrigir, mas o elogio estimula, reforça as qualidades.
Os pais resolverem suas diferenças com discussões: os filhos precisam mais de pais que se amem do que de pais que os amem.

Apelar para a "honra" da família: às vezes, na melhor das intenções, diante do erro do filho vem o lamento "Meu filho, você estragou o nome da família!".
Pouco importa o sofrimento de quem errou: conta mais o nome da família.

Comparar os filhos entre si: sem querer, os pais elegem um filho como alegria da casa, modelo para os outros, os desmancha-prazeres.

Comparar os filhos com os filhos dos outros: os filhos do vizinho parecem sempre ser melhores. 
Então as comparações, como se as pessoas fossem feitas em série. 
Filho não é artigo de comparação, mas projeto de pessoa, de vida.

Sonhar o futuro para os filhos: em vez de a criança amadurecer, descobrir sua vocação, seu gosto profissional, os pais passam a fazer as escolhas em seu lugar, geralmente achando que aquilo que acham o melhor também o seja para os filhos. 
Uma coisa é abrir perspectivas, horizontes, outra é tomar o lugar de quem deve decidir.

Cobrar o sucesso material, esquecendo os valores humanos, espirituais: numa época marcada pelo valor do dinheiro, do poder e do prestígio, os pais preferem orientar os filhos para aquilo que dá sucesso, garantia financeira, o tal do “futuro garantido”. 
O que realiza mesmo o ser humano são os valores humanos (verdade, lealdade, sinceridade, honestidade, espírito comunitário) e espirituais (o amor a Deus, a capacidade de perdoar, ser fraterno).

Não admitir que o filho está crescendo em idade, sabedoria e graça: o filho não nasce pronto, nem é um baú onde os pais depositam suas certezas. 
O filho é um projeto em desenvolvimento. 
Normalmente aprende-se errando, o que é desagradável, mas é assim mesmo. 
Se os pais se recordassem mais de sua infância e juventude, seriam muito mais compreensíveis...

Querer que a criança e o jovem já sejam adultos: não se pode pular etapas, exigir o que o filho ainda não pode dar. Criança-adulta não é normal!

Não amar o filho como ele é: o filho não é aquele que a gente sonha, mas o que se tem. 
E, sem dúvida, boa parte dele, de seu temperamento, qualidades e manias é herança dos pais. 
O fruto cai perto da árvore! 
Ama-se alguém não porque seja bom, mas se ama para que seja sempre melhor.

Uma palavra final: quando amam de verdade, os pais podem muito mais do que todas as pedagogias e psicologias. 
Só o amor constrói!

Pe. José Artulino Besen

quinta-feira, 7 de junho de 2012

NÓS PRECISAMOS DO AMOR DE DEUS


O apóstolo João fora viver em Éfeso; velhinho, João não se cansava de repetir os ensinamentos do Mestre, de quem tinha sido o discípulo predileto.
Desde a adolescência acompanhara o Senhor e na velhice compreendia sempre melhor que o centro da mensagem dele tinha sido o amor.
É da tradição que o velhinho João, quase não mais conseguindo falar, repetia o tempo todo: “Filhinhos, amai-vos uns aos outros”.

Chama a atenção seu ensinamento: Caríssimos, se Deus assim nos amou, também nós nos devemos amar uns aos outros.
A ordem lógica seria: “Se Deus nos amou tanto, devemos amá-lo também”. Mas não: para São João, a resposta ao amor de Deus é o amor ao próximo.
Deus é Amor, portanto não sente necessidade de ser amado. Ele quer, isso sim, que nós nos deixemos amar por ele, e só!
Porque, sem seu amor, somos incapazes de amar e de viver.

Amor e vida são inseparáveis. O primeiro amor é voltado para nós mesmos. Diz a Escritura: Amarás o teu próximo como a ti mesmo.
Quem não se ama, não ama.
Quem não se aceita, não aceita os outros.
Quem só vê defeito em si, acaba vendo nos outros apenas defeitos.
Quem não crê em si, não crê nos outros.
Quem não aceita o próprio corpo, se acha feio, não vê beleza nos amigos.
As pessoas que não se amam são pessimistas: enxergam tudo pelo lado negativo.
A jovem que não se ama reclama que não acha namorado. Mas, como um jovem vai gostar dela, se nem ela se suporta!?

Quanta gente definha na vida por não se amar! Arruína a sua existência, faz os outros sofrerem, perde a beleza interior e exterior, porque não se sente amada, valorizada. É um tesouro e julga ser um lixo.
Não consegue amar e, por essa razão, não é amada. Pior ainda: quem não se ama, não percebe que os outros a amam e rejeita qualquer amor.
Torna-se uma companhia chata, desmancha prazeres, solitária e doente...

Os que se amam são seguros, otimistas, alegres, semeiam alegria, coragem.
São como o mel que atrai as abelhas: onde elas estão mais gente quer se reunir.
A mãe que se ama, tem filhos felizes, seguros de si.
O jovem que se valoriza, não sente solidão.
O idoso que se ama, vive feliz no seu silêncio, na sabedoria que a vida lhe deu.

Para evitar esses males, o desperdício da vida, Deus quer nos comunicar seu amor. 
Quando o aceitamos, sentimos a beleza que nós somos, nosso próprio valor e tornamo-nos capazes de amar os outros e por eles ser amados.

Posso ter uma imagem negativa de mim, se Deus nada poupa para me amar?
Como posso não me valorizar se Deus me chama de filho?

Pensemos....

Pe. José Artulino Besen