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quinta-feira, 1 de janeiro de 2015

Natais e mudas de alface


A manhã chuvosa parecia costurada nos embaraços de uma noite mal dormida. O vulto de mulher prateado pelos raios de um sol recém nascido recolhia do tempo as agruras de saber-se temporário, imperfeito, afeito aos desajustes de um amor que adormeceu, mas que não desaprendera de amanhecer.

Era um corpo de dor, de mestruadas esperanças, de saudades e partos. Corpo de mãe, corpo de cumprir ofício de curar joelhos esfolados, de dar banhos que tinham o poder de lavar corpos e almas num mesmo acontecimento.

Corpo de amamentar filhos que crescem.

Aquela mulher e aquelas manhãs de dezembro. As recordações de seu tempo de menina, pobreza reconhecida, trazida na cara e denunciada pela moldura de olhos que não sabiam mentir.

O plantio programado, compromisso que nem mesmo a dor acontecida nas recentes horas poderia adiar, tinha ares de ritual religioso. A sementeira ao lado, moldada numa caixa de papelão resistente, sobre o canteiro que nasceu de suas mãos pequenas, esperava pela oportunidade de cumprir no tempo o destino de dar continuidade à obra da criação.

Morrer e viver são atos que se conjugam sem pressa.

A mulher sabia de tudo isso. As mudas miúdas também. Dotadas de sabedoria vegetal, cresciam ao seu tempo com a mesma simplicidade que é própria de quem não procura outro destino senão o seu.

Aquela mulher sabia mais. As mudas não mudam.

São sempre as mesmas desde o tempo de sua mãe. Ofício aprendido que se estende no tempo, feito consumação de uma despedida que se cumpre aos poucos, bem aos poucos.

Mudas de alface estão carregadas de sentido. Nelas, prepara-se o futuro que afugenta a fome, traz variações ao modo de carecer.

Recordo-me com saudade. O tempo era de chuvas. Jabuticabeiras explodiam.

Pequenos frutos pendurados em seu corpo de árvore-mãe, tal qual a minha mãe e seus meninos pendurados na cintura, entrelaçados nas pernas e puxando seus braços.

Dezembro tinha cores e histórias diferentes. Vitrines iluminadas, cartões de ocasião sendo preparados pela minha irmã, para que mesmo com simplicidade pudéssemos desejar votos de felicidades.

Presépio sendo retirado da caixa, árvores coloridas de bolas vermelhas, anunciando que nossa pobreza seria ainda mais exposta. Mas não havia problema. Nossa árvore, mesmo tão pobre, já era nossa alegria. As jabuticabeiras nos curavam de tudo...

Minha mãe e sua capacidade de replantar o mundo a partir de mudas de alface era o símbolo mais vivo de nosso Natal. Com seu jeito simples e hábitos rotineiros, ela condensava todas as virtudes que o acontecimento nos sugeria.

“O menino Jesus é quem merece presente neste dia!”, ensinava-nos como se quisesse modificar a ordem do mundo.

E assim acreditávamos.

Nossos presentes eram poucos. Quase nenhum. Só mesmo para não passar em branco, mas o mais importante nós não deixávamos de receber. O sorriso farto, a oração em família, a missa do galo e o nosso Natal já estava completo.

Aquela mulher nos fazia esquecer o que não tínhamos. Transplantava-nos, como fazia com as mudas de alface.
Deixávamos o chão estreito da sementeira e caíamos com nossas raízes nos canteiros fartos da simplicidade que ela sabia construir.

E assim era o nosso Natal.

Um acontecimento para nunca mais esquecer.

Padre Fábio de Melo

sábado, 29 de novembro de 2014

Perdão, continuidade do amor...


"Vida dividida nas pequenas coisas

Costura do tempo nos aproximando sempre mais 

Mas quando surgiram nossas diferenças

Quando descobrimos nossos maiores defeitos

Manifestações de protestos

Crises nervosas

Discursos desaforados

A promessa de que eu iria embora definitivamente

de sua vida 

E de que nunca mais voltaria a pronunciar o seu nome

Mas depois a saudade

A ausência mensurada

O arrependimento

O pedido de perdão

E o aprendizado de que quanto mais a gente ama

Muito mais a gente precisa perdoar

O amor é motivo de perdão

E o perdão é a continuidade do amor

Obrigado por ter me ajudado a entender isso 

Estar ao seu lado é sempre motivo de festa".


Pe. Fábio de Melo

sexta-feira, 14 de novembro de 2014

Deus me quer bem



Eu não tenho direito de me sucumbir aos olhos daqueles que me detestam

Eu não tenho direito de me sucumbir aos olhos daqueles que me querem mal


Por que Deus me quer bem!


Porque que eu vou me ocupar dos comentários daqueles que não me amam?

Porque que eu vou ficar pensando no que os outros estão achando de mim?

Se o que na verdade o que me salva é o que Deus sabe ao meu respeito!


O que você tem que se ocupar é disso.

Esqueça os que não gostam de você,

Esqueça o problema que você tem,

Esqueça da derrota que você sofreu,


E quem sabe esquecendo daquilo que não foi bom

O seu coração possa se ocupar de alguma coisa que é boa nessa vida".


Pe. Fábio de Melo

quarta-feira, 17 de setembro de 2014

Amor de Complemento


Não há como se livrar do sofrimento
O sofrimento é natural
Tudo que é natural na vida é aquilo que não foi acrescentado
Faz parte da condição humana
O sofrimento está em mim, está em você
Nós experimentamos de forma pequena ou grande
Por que somo limitados
O nosso limite é tão grande que a gente não sabe viver sem o outro
Por isso a gente sofre quando os outros vão embora da nossa vida
A condição de limite, nos faz pensar o outro como parte de nós
Eu por que sou limitada, por que tenho limites, eu preciso amar
O amor nasce do limite
Quando a gente reconhece que não da conta da vida sozinhos
Talvez seja por isso que dói tanto no coração da gente no momento que a gente é traído por quem a gente ama
Talvez seja por isso que doa tanto no coração da gente no momento em que a gente trai quem a gente ama
Por que quando eu sou traído eu fico ainda mais limitado
O amor do outro me faz viver a experiência do complemento
Eu me torno maior por que você me ama
E eu fico maior quando eu amo alguém
Por isso que o sofrimento é natural quando as pessoas vão embora das nossas vidas
Por isso a gente sente tanta saudade
A gente sente tanta saudade das pessoas que são especiais na nossa vida
A saudade é uma concretização do limite
Eu sinto tanto a sua falta
A saudade nos ajuda a mensurar o quanto que nós amamos
Retire aquela pessoa da sua vida, pense na sua vida sem essa pessoa
E você vai descobrir o quanto você a ama
É experiência de limite, por isso que o amor é dor
O amor é sofrimento
E quanto mais a gente mergulha na capacidade de amar
Maior será no sensibilidade para o sofrimento
Você se pergunta " Quanto mais a gente ama, mais a gente sofre?"
Lamento informar que é
Por que a experiência de amar é a experiência de tocar o limite
Por isso o sofrimento está tão atrelado ao amor
A gente não sofre quando não ama
Não há causas para sofrer quando você não ama
Eu me perguntou: " É possível viver nessa vida sem o envolvimento do amor?"
Não é possível!
Eu me experimento limitada o tempo todo
E o tempo todo eu estou precisando de alguém do meu lado
Alguém que olhe nos meus olhos e diga, eu estou aqui
Alguém que segure na minha mão na hora de atravessa um túnel difícil
"Júlia eu estou aqui do seu lado"
É o momento em que mergulhamos na mais bonita aventura humana
que é quando você sabe EU PRECISO DE VOCÊ
Quando a vida vai te apertando tanto, que não resta outro grito nessa vida a não ser
EU PRECISO DE VOCÊ
Por que você foi amado você sofre
Não há amor sem sofrimento, nem sofrimento sem amor
Por isso não temos que criar uma ilusão dentro de nós
A partir de hoje minha vida vai ser linda, não vai ter dificuldades
Infelizmente essa notícia não podemos dar aos amantes
As pessoas que verdadeiramente amam nessa vida, elas sofrem por grandes causas sim
Seja honesto com você!
O momento que você mais sofreu na sua vida, foi o momento que você mais amou
Ou por que você identificou o amor traído, ou o amor ausente
Nossa caixa de sofrimento não é tão feia assim!
Ela está cheia de amores, de situações bonitas que você precisa reorganizar
Aparentemente embrulhadas em papéis feios e estranhos
A gente não chora por quem não fez diferença na vida da gente não!
Se a gente está sofrendo por alguma causa é por que aquilo é importante pra nós
Por isso não podemos fechar a porta e dizer: "Aqui você não entra"
Eu não tenho como deixar de sofrer por que eu não tenho como deixar de amar
As melhores coisas da vida, para serem boas de verdade você precisa ter alguém do seu lado as piores também.
Seja para viver a alegria extrema ou a dor extrema precisamos de pessoas do nosso lado dizendo EU TÔ AQUI
Não tem como mudar essa perspectiva, o sofrimento nasce do limite
O limite nos esbarra o tempo todo seja por que traí, por que fui traído, seja por que tem ciúme, por que sou ciumento, por que quero aprisionar, por que sinto dor...
De repente você acorda e a vida não é mais do jeito que você queria, as pessoas que você ama foram embora e nós ficamos aqui com essa vida precisando dar um jeito nela
A vida me expulsando e dizendo :"E agora, o que você vai fazer?"
Primeiro ponto - Eu não posso mudar o fato de ter que sofrer

Ai vem a pergunta 
 -Se eu vou ter que sofrer nessa vida então eu preciso descobrir COMO SOFRER

Pe. Fábio de Melo

sexta-feira, 20 de junho de 2014

Crie árvores, seja amigo!


Uma das coisas que eu acho fascinante em Jesus, é a capacidade que ele tinha de encontrar no meio da multidão, pessoas.

Ele era capaz de reconhecer em cima de uma árvore um homem, e descobrir nele um amigo.
Bonito uma amizade que nasce a partir da precariedade, quando você chega desprevenido, o outro viu o que você tem de pior, e mesmo assim, ele se apaixonou por você. Amor concreto, cotidiano, diário.
Jesus se apaixonava assim pelas pessoas e as tornava suas amigas. As trazia para perto Dele.
É fascinante olhar para a capacidade que esse homem, que esse Deus tem, de investigar a miséria do outro e encontrar a pedra preciosa que está escondida. Isso é Páscoa, isso é ressurreição. 
É quando no sepulcro do nosso coração, alguém descobre um fio de vida, e ao puxar esse fio, vai fazendo com que a gente se torne melhor.
Não há nada mais bonito do que você ser achado quando você está perdido.
Não há nada mais bonito do que você ser encontrado, no momento que você não sabe para onde ir e não sabe nem onde está...
O amor humano tem a capacidade de ser o amor de Deus na nossa vida por causa disso: porque ele nos elege!
Por isso que é bom termos amigos, porque na verdade, as pessoas amigas antecipam no tempo, aquilo que acreditamos ser eterno...
Quando elas são capazes de olhar para nós e descobrir o que temos de bonito. Mesmo que isso, as vezes costuma ficar escondido por trás daquilo que é precário.
Por isso, agradeço muito a Deus pelos amigos que tenho. 
Pelas pessoas que descobriram no que eu tenho de pior, uma coisinha que eu tenho de bom, e mesmo assim continuam ao meu lado, me ajudando a ser gente, me ajudando a ser mais de Deus, ajudando a buscar dentro de mim, a essência boa que acreditamos que Deus colocou em cada um de nós.

Ter amigos, é como arvorear: lançar galhos, lançar raízes... 
Para que o outro quando olhar a árvore, saiba que nós estamos ali...
Que nós permanecemos para fazer sombra, para trazer ao outro, um pouco de aconchego que ás vezes ele precisa na vida...

ARVOREIE! CRIE ÁRVORES! SEJA AMIGO

Padre Fábio de Mello

sexta-feira, 6 de junho de 2014

A Inutilidade e o Verdadeiro Amor…

Nos diz Padre Fábio de Melo, sobre a velhice… do seu DVD “No meu interior tem Deus”,
( não deixe de ver e principalmente de ouvir com o “coração”). 

“… A velhice nos trás direitos maravilhosos. Enquanto a juventude é cheia de obrigações. 
A velhice é o tempo em que passa a utilidade e aí fica somente o significado da pessoa. 
É o momento que a gente se purifica. 
É o momento que a gente vai tendo a oportunidade de saber quem nos ama de verdade. Porque só nos ama pra ficar até o fim aquele que, depois da nossa utilidade, descobriu o nosso significado. É por isso que sempre rezo para envelhecer ao lado de quem me ama. 

Para poder ter a tranqüilidade de não ser útil, mas ao mesmo tempo não perder o valor. 
Se você quiser saber se alguém te ama de verdade, é só identificar se ele seria capaz de tolerar a sua inutilidade. 

Quer saber se você ama alguém? Pergunte a si mesmo, quem nesta vida que pode ficar inútil pra você sem que você sinta o desejo de jogá-lo fora. E é assim que nós descobrimos o significado do amor… 
Só o amor nos dá condições de cuidar do outro até o fim! Feliz daquele que tem ao fim da vida a graça de ser olhado nos olhos, e ouvir a fala que diz: – Você não serve pra nada, mas eu não sei viver sem você!”

O que falta muitas vezes para poder resolver os nossos problemas é a simplicidade em enxergá-los. Devemos retirar os excessos. 
Não permitir que os nossos excessos venham obscurecer a nossa visão, ou até mesmo de nos impedir de encaminhar uma solução para aquilo que nos faz sofrer. Isso é ter fé. 
É a gente acreditar que Deus está ao nosso lado no momento da nossa luta, no momento da nossa dor. E que, portanto, a gente tem o direito de ser simples.

É interessante observar os movimentos de nossas mudanças interiores. Nem sempre sabemos identificar o nascimento da inadequação que gera todo o processo. O fato é que um dia a gente acorda e percebe que a roupa não nos serve mais. Como se no curto espaço do descanso de uma noite a alma sofresse dilatação, deixando de caber no espaço antigo onde antes tão bem se acomodava. É inevitável. Mais cedo ou mais tarde, os sonhos da juventude perdem o viço. O que antes nos causava gozo, aos poucos, bem ao poucos deixa de causar. Nossos valores vão se tornando mais consistentes.

Mas não precisamos necessariamente chegar à velhice extrema, para entendermos o sentido da inutilidade que leva ao amor… Perder tempo, gastar tempo, ou melhor dizendo “Ter a utilidade do seu tempo” para as coisas que nos levam aos verdadeiros sentimentos… 
Se permitir “jogar conversa fora” com seus filhos, seus amigos, fazer piqueniques e voltar a ser criança, andar na chuva, sentir o cheiro da terra molhada, passear na praça, na praia, no bosque… 
sentir a liberdade do rosto te acariciando a pele… 
jogar frescobol, voleibol, “buraco”, seja o que for, apenas com o intuito de reunir os amigos, e a família… 

Assim como faziam os homens das cavernas. Acendiam a fogueira e ao seu redor conversavam, conversavam e conversavam… e assim os laços iam se tecendo, os abraços se alongavam e a vida mesmo na rusticidade daqueles tempos, era aconchegante!!! 

Tempo… sempre o tempo do Senhor a nos ensinar… 
Assim como na história de Alice no País das Maravilhas em que seu coelho, corria com o relógio pendurado atrás do tempo… Estamos hoje nós a fazer o mesmo… 

Que o tempo da inutilidade amorosa, possa ser constante no tempo de nossa utilidade existencial. 
Que a simplicidade faça morada em nossos corações, atitudes e sentimentos. E que nossos sentimentos estejam sempre no ritmo e no compasso do “amor inútil” aquele que traz pleno significado. 

Que saibamos respeitar a dor de cada hora, a esperança de cada momento, sendo ao mesmo tempo de Aço e de Flores… 
Que possamos sentir a esperança brotar de cada coração, nos fazendo pessoas melhores, menos complicadas, de aço, para enfrentar os desafios, mas sem perder a doçura de ser simplesmente humano… 

Um tempo para nos purificar… Primeiro consigo mesmo, pois muitas vezes somos nosso maior carrasco e depois com todas as pessoas que nos cercam. 
É essa sensibilidade de enxergar cada tempo com sabedoria, que nos levará a conhecer o significado do amor…

http://fmanha.com.br/

sexta-feira, 16 de maio de 2014

Capacidade de amar


Uma das características da infância é a incapacidade de dividir coisas. Uma criança não pode dividir porque não se possui, porque ainda não sabe o que ela é. Você começa a identificar a maturidade a partir do momento em que uma criança consegue perceber as regras de um joguinho.

A maturidade faz parte de um processo. Em um processo não podemos queimar etapas. Ele é lento, chato e demorado.

Não nascemos amando, pelo contrário, queremos ter a posse dos outros. Essa é a forma de amar da criança, pois ela não consegue pensar de maneira diferente. Ela não consegue entender que o outro não é ela. Quantas pessoas, já adultas, ainda pensam assim, trata-se da incapacidade de amar devido à falta de maturidade.

Na maturidade de Jesus você encontra a capacidade imensa de amar o outro como ele é. 
Amar significa amar o outro como ele é. Por isso quando falamos em amar os outros podemos perceber o quanto deixamos de ser crianças. Devemos nos questionar a todo o momento com relação à nossa maturidade.

Pessoas imaturas sofrem dobrado. Pessoas imaturas querem modificar os fatos; ao passo que pessoas maduras deixam que os fatos as modifiquem. 
A maturidade nos faz perceber que não podemos mudar os fatos. Um imaturo ganha um limão e o chupa fazendo careta. O maduro faz uma limonada com o limão que ganhou.

Muitas vezes, os nossos relacionamentos de amizade são uns fracassos porque somos imaturos. 
Amigos não são o que imaginamos, mas o que eles são e com todos os defeitos. Amizade é processo de maturidade que nos leva ao verdadeiro encontro com as pessoas que estão ao nosso lado. Elas têm todos os defeitos, mas fazem parte da nossa vida e não as trocamos por nada deste mundo. Isso porque temos alma de cristão e aquele que tem alma de cristão não tem medo dos defeitos dos outros, porque sabemos que esses defeitos não serão espelhos para nós; mas seremos instrumentos de Deus para que os superem.

Padre só pode ser padre a partir do momento em que é apaixonado pelos calvários da humanidade. 
Se você não consegue lidar com os limites dos outros, é porque você não consegue lidar com os seus limites. A rejeição é um processo de ver-se.

Toda vez que eu quero buscar no outro o que me falta, eu o torno um objeto. Eu posso até admirar no outro o que eu não tenho em mim, mas eu não tenho o direito de fazer dele uma representação daquilo que me falta. Isso não é amor, isso é coisa de criança!

O anonimato é um perigo para nós. É sempre bom que estejamos com pessoas que saibam quem somos nós e que decisões nós tomamos na vida. É sempre bom estarmos em um lugar que nos proteja.

Amar alguém é viver o exercício constante de não querer fazer do outro o que nós gostaríamos que ele fosse. A experiência de amar e ser amado é, acima de tudo, a experiência do respeito.

Como está a nossa capacidade de amar? 
Uma coisa é amar por necessidade e outra é amar por valor. Amar por necessidade é querer sempre que o outro seja o que você quer. Amar por valor é amar o outro como ele é quando ele não tem mais nada a oferecer, quando ele é um inútil e, por isso, você o ama tanto. Na hora em que forem embora as suas utilidades você saberá o quanto é amado.

Tudo vai ser perdido, só espero que você não se perca. Enquanto você não se perder de si mesmo você será amado, pois o que você é significa muito mais do que você faz.

O convite da vida cristã é este: que você possa ser mais do que você faz!

Pe. Fábio de Melo

quinta-feira, 10 de abril de 2014

Meu primeiro caderno


Eu não sei se você se recorda do seu primeiro caderno.
Eu me recordo do meu.
Com ele eu aprendi muita coisa, foi nele que eu descobri que
as experiência dos erros.
Ela é tão importante quanto a experiência dos acertos.
Porque vistos de um jeito certo, os erros, eles nos preparam
para as nossas vitórias e conquistas futuras.
Porque não há aprendizado na vida que não passe pela
as experiências dos erros.
O caderno é uma metáfora da vida, quando os erros eram demais.
Eu me recordo que a nossa professora nos sugeria que a gente
virasse a página, era um jeito interessante de descobrir a graça
que há nos recomeços.
Ao virar a página os erros cometidos deixavam de nos incomodar
e a partir deles, a gente seguia um pouco mais crescidos.
Erros podem ser fontes de virtudes.
Na vida é a mesma coisa, o erro tem que estar a serviço do
aprendizado, ele não tem que ser fonte de culpas, de vergonha.
Nenhum ser humano pode ser verdadeiramente grande, sem que
seja capaz de reconhecer os erros que cometeu na vida.
Uma coisa é a gente se sentir culpado, culpas nos paralisam,
arrependimentos não, eles nos lançam para frente e nos
ajudam a corrigir os erros cometidos.
Deus é semelhante ao caderno, Ele nos permite os erros para que
a gente aprenda a fazer o jeito certo.
Você tem errado muito?
Não importa, aceite de Deus essa nova página de vida que tem
o nome de "Hoje"!
Recorde-se das lições do seu primeiro caderno.
Quando os erros são demais, vire a página !!


Pe. Fábio de Melo

terça-feira, 8 de outubro de 2013

Olhe-se


É muito fácil nos perdermos do essencial quando não enxergamos, apenas vemos.

Se não tomarmos cuidado, a vida passará por nós e não a perceberemos. Enxergar é saber observar o que realmente importa, o que realmente nos convém.

Uma pessoa que não se enxerga, não avança, não cresce, não supera, fica estacionada, porque tem a incapacidade de se ver.

Preste atenção em você, em quem você é. Permita que o olhar que você tem sobre si seja verdadeiro. Pare de exigir de você aquilo que não tem para oferecer, pois, a partir do momento em que você reconhece a sua verdade, tem a capacidade de crescer.

Quando temos dificuldade de olhar para nós mesmos, corremos o risco de assumir um personagem que não somos.

Olhe-se. Não tenha medo de quem você é, abandone as suas ilusões e as substitua por esperança.

Mas se você não se olha, não lida com sua verdade, corre o risco de desperdiçar sua vida com ilusões que não se realizam.

Se você quiser realmente chegar ao profundo dos seus valores, das regras que te regem como ser humano, retire os seus excessos. Muitas vezes os nossos excessos nos impedem de conhecer a nossa verdade fundamental.

Padre Fábio de Melo

domingo, 22 de setembro de 2013

Feliz semana!


" A felicidade é um dom, que todo mundo precisa ter, todo mundo recebeu,

é aquela velha pergunta:

- O que é que você esta fazendo com a seu dom de ser feliz ?

Está gastando a vida onde?

Está gastando a vida de que forma?

Está fazendo da vida uma experiência que vale a pena ou não?

Hoje é dia...  hoje é dia de reafirmar o seu compromisso com a sua felicidade, com sua realização.

Conceito de felicidade é muito mais, é muito mais do que nós podemos imaginar...

Conceito de felicidade está diretamente ligada a realização, realizado inteiro; por isso, tem que andar mais

devagar, porque na pressa você pode perder o dom de ser feliz" .


Pe. Fábio de Melo

quarta-feira, 21 de agosto de 2013

Não pense duas vezes


A felicidade é um susto.
Chega na calada da noite, na fala do dia, no improviso das horas. 
Chega sem chegar, insinua mais que propõe… Felicidade é animal arisco. 
Tem que ser admirada à distância porque não aceita a jaula que preparamos para ela. 
Vê-la solta e livre no campo, correndo com sua velocidade tão elegante é uma sublime forma de possuí-la.

Felicidade é chuva que cai na madrugada, quando dormimos. O que vemos é a terra agradecida, pronta para fecundar o que nela está sepultado, aguardando a hora da ressurreição.

Felicidade é coisa que não tem nome. É silêncio que perpassa os dias tornando-os mais belos e falantes. 

Felicidade é carinho de mãe em situação de desespero. É olhar de amigo em horas de abandono. É fala calmante em instantes de desconsolo.

Felicidade é palavra pouca que diz muito. É frase dita na hora certa e que vale por livros inteiros.

Eu busco a frase de cada dia, o poema que me espera na esquina, o recado de Deus escrito na minha geladeira… Eu vivo assim…
Sem doma, sem dona, sem porteiras, porque a felicidade é meu destino de honra, meu brasão e minha bandeira.
Eu quero a felicidade de toda hora. Não quero o rancor, não quero o alarde dos artifícios das palavras comuns, nem tampouco o amor que deseja aprisionar meu sonho em suas gaiolas tão mesquinhas.

O que quero é o olhar de Jesus refletido no olhar de quem amo. Isso sim é felicidade sem medidas.
O café quente na tarde fria, a conversa tão cheia de humor, o choro vez em quando.

Felicidades pequenas… O olhar da criança que me acompanha do colo da mãe, e que depois, à distância, sorri segura, porque sabe que eu não a levarei de seu lugar preferido.

A felicidade é coisa sem jeito, mas com ela eu me ajeito. Não forço para que seja como quero, apenas acolho sua chegada, quando menos espero.
E então sorrio, como quem sabe,que quando ela chega, o melhor é não dispersar as forças… E aí sou feliz por inteiro na pequena parte que me cabe.
O que hoje você tem diante dos olhos? Merece um sorriso? Não pense duas vezes…

Autor: Padre Fábio de Melo

domingo, 14 de julho de 2013

Eu, quando visto pelo outro


Quem sou eu? Eu vivo pra saber. Interessante descoberta que passa o tempo todo pela experiência de ser e estar no mundo. Eu sou e me descubro ainda mais no que faço. Faço e me descubro ainda mais no que sou. Partes que se complementam.

O interessante é que a matriz de tudo é o "ser". É nele que a vida brota como fonte original. O ser confuso, precário, esboço imperfeito de uma perfeição querida, desejada, amada.

Vez em quando, eu me vejo no que os outros dizem e acham sobre mim. Uma manchete de jornal, um comentário na internet, ou até mesmo um email que chega com o poder de confidenciar impressões. É interessante. Tudo é mecanismo de descoberta. Para afirmar o que sou, mas também para confirmar o que não sou.

Há coisas que leio sobre mim que iluminam ainda mais as minhas opções, sobretudo quando dizem o absolutamente contrário do que sei sobre mim mesmo. Reduções simplistas, frases apressadas que são próprias dos dias que vivemos.

O mundo e suas complexidades. As pessoas e suas necessidades de notícias, fatos novos, pessoas que se prestam a ocupar os espaços vazios, metáforas de almas que não buscam transcendências, mas que se aprisionam na imanência tortuosa do cotidiano. Tudo é vida a nos provocar reações.

Eu reajo. Fico feliz com o carinho que recebo, vozes ocultas que não publico, e faço das afrontas um ponto de recomeço. É neste equilíbrio que vou desvelando o que sou e o que ainda devo ser, pela força do aprimoramento.

Eu, visto pelo outro, nem sempre sou eu mesmo. Ou porque sou projetado melhor do que sou, ou porque projetado pior. Não quero nenhum dos dois. Eu sei quem eu sou. Os outros me imaginam. Inevitável destino de ser humano, de estabelecer vínculos, cruzar olhares, estender as mãos, encurtar distâncias.

Somos vítimas, mas também vitimamos. Não estamos fora dos preconceitos do mundo. Costumamos habitar a indesejada guarita de onde vigiamos a vida. Protegidos, lançamos nossos olhos curiosos sobre os que se aproximam, sobre os que se destacam, e instintivamente preparamos reações, opiniões. O desafio é não apontar as armas, mas permitir que a aproximação nos permita uma visão aprimorada. No aparente inimigo pode estar um amigo em potencial. Regra simples, mas aprendizado duro.

Mas ninguém nos prometeu que seria fácil. Quem quiser fazer diferença na história da humanidade terá que ser purificado neste processo. Sigamos juntos. Mesmo que não nos conheçamos. Sigamos, mas sem imaginar muito o que o outro é. A realidade ainda é base sólida do ser.

Pe. Fábio de Melo


quarta-feira, 10 de julho de 2013

O que é a Felicidade para você


Eu não sei o que é para você a Felicidade. Mais para mim a Felicidade esta nas pequenas coisas, na banalidade do dia a dia, no olhar agradecido de um mendigo que recebe uma doação, no olhar de uma velhinha que recebe ajuda. É tão magnífico perceber a felicidade no cotidiano.

Não sei se você conhece o velho ditado latino, “Tempus Fugit, Vita Brevis, Carpe Diem” ou seja “O Tempo Foge, a Vida é Breve, Aproveite o Dia”, sugue o dia. Aproveitar os amigos, passar mais tempo ao lado das pessoas que amamos, errar, como é bom errar. Hilário? Pois só temos o gosto de acertar, quando sabemos o que é errar na vida.

Hoje vivemos em uma sociedade tão egoísta, tudo é tão complicado, fazemos tempestades em copos de água. Devemos aproveitar o Maximo a nossa vida, fazer das pequenas coisas grandes acontecimentos.

Você já viu o por do sol com a pessoa que você mais ama? Hoje quando você acordou você diz para a pessoa que você mais ama, o quando ela é importante na sua vida? Aconselho que faça, ai você caro(a) amigo(a) descobrirá o verdadeiro significado da FELICIDADE.

Hoje em um fato tão banal na sociedade capitalista em que vivemos, para mim foi um grande acontecimento. Fui ao Shopping com alguns amigos da faculdade de Jornalismo da PUC – GO (Fabíola, Nayara, Dhieny, Weverton e Anderson).

Passeamos no Shopping e depois comemos hamburgers e bebemos coca cola. Depois tiramos fotos com a coroa que ganhamos na Burger King. Como eu disse um fato tão banal para muitos, talvez você esteja ai pensando como sou bobo por perder meu tempo lendo esse artigo. Mais para mim, não foi banal, foi um dos melhores momentos da minha vida. Não por causa dos hamburgers e nem da Coca – Cola e muito menos da foto, mais pelo encontro com os meus amigos.

É nisso que consistem a essência da vida. A Felicidade. Se eu morresse hoje, eu morreria feliz. Falta muito ainda na minha lista coisas que eu quero fazer antes de morrer, mais hoje foi gratificante, valeu a pena ter passando por todas as superações e obstáculos, pois conheci o que é ser feliz.

Pois quando estou com os meus amigos, eu que sou tão sisudo por natureza, a criança que mora dentro de mim ganha vida, ao pular no elevador em movimento. Ao correr na escada rolante. E tantas outras criancices, coisas supérfluas para muitos. Mais para mim não é. Sou feliz e sei que faço os meus amigos felizes.

Um dia ao terminar a faculdade, ou talvez bem antes, os nossos caminhos tomem rumos diferentes, talvez um dia não nos vejamos mais. Mais a saudade desses dias de risos, nos levará de volta para o shopping e para esse dia.

Eu peço apenas que você que chegou ao final desse texto, que reflita o que você faz da sua vida? Ela vale a pena? Como é a sua relação com os seus amigos?

O dia que você conseguir ver o alem, a grandeza das pequenas coisas, você entenderá o que é ser Feliz. Nesse dia, a sua criança interior saltará de dentro de você para alegrar o nosso mundo. Não espere a fama, dinheiro, prestigio para ser feliz. Pois a felicidade esta ai dentro do seu peito, basta você parar e escuta-la e ai meu amigo(a) você será a pessoa mais feliz do mundo.

Hoje eu fui feliz, e quero que você também seja. Esses são os votos mais sinceros de um mero aprendiz.

Pe. Fábio de Melo


sexta-feira, 28 de junho de 2013

Sementes


Sementes de ontem, frutos de hoje, Sementes de hoje, frutos de amanhã!
Por isso, não perca de vista o que você anda escolhendo para deixar cair na sua terra. Cuidado com os semeadores que não lhe amam. Eles têm o poder de estragar o resultado de muitas coisas.
Cuidado com os semeadores que você não conhece. Há muita maldade escondida em sorrisos sedutores...
Cuidado com aqueles que deixam cair qualquer coisa sobre você, afinal, você merece muito mais que qualquer coisa.
Cuidado com os amores passageiros... eles costumam deixar marcas dolorosas que não passam...
Cuidado com os invasores do seu corpo... eles não costumam voltar para ajudar a consertar a desordem...
Cuidado com os olhares de quem não sabe lhe amar... eles costumam lhe fazer esquecer que você vale à pena...
Cuidado com as palavras mentirosas que esparramam por aí... elas costumam estragar o nosso referencial da verdade...
Cuidado com as vozes que insistem em lhe recordar os seus defeitos... elas costumam prejudicar a sua visão sobre si mesmo.

Padre Fábio de Melo

terça-feira, 25 de junho de 2013

Do livro: Tempo de Esperas


"Eu ainda continuo na busca por mudar meu destino."

"A beleza anda de braços dados com a simplicidade."

"Dor que não recebeu o abrigo da palavra corre o risco de virar amargura."

"Só as flores respondem o que as palavras ainda não sabem perguntar."

"Ir embora é um processo que se dá aos poucos.Minha realização depende desta partida."

"Não se apresse em forjar as respostas para suas perguntas."

"É só modificar o jeito de olhar para a realidade."

"Quando amamos e somos amados, o futuro é apenas um detalhe, porque o presente torna-se imenso, determinante."

"Respostas apressadas são perigosas."

"Há pesos que só percebemos depois que deles nos livramos."

"Para quem tem no presente um amor a ser vivido, o futuro é apenas um detalhe que pode esperar."

"O fato é que um dia a gente acorda e percebe que a roupa não nos serve mais."

Padre Fábio de Melo


segunda-feira, 3 de junho de 2013

O encanto nosso de cada dia


A beleza de cada dia só existe porque não é duradoura.
Tudo o que é belo não pode ser aprisionado, porque aprisionar a beleza é uma forma de desintegrar a sua essência.

Dizem que havia uma menina que se maravilhava todas as manhãs com a presença de um pássaro encantado.
Ele pousava em sua janela e a presenteava com um canto que não durava mais que cinco minutos. A beleza era tão intensa que o canto a alimentava pelo resto do dia.
Certa vez, ela resolveu armar uma armadilha para o pássaro encantado.
Quando ele chegou, ela o capturou e o deixou preso na gaiola para que pudesse ouvir por mais tempo o seu canto.

O grande problema é que a gaiola o entristeceu, e triste, deixou de cantar. Foi então que a menina descobriu que, o canto do pássaro só existia, porque ele era livre.
O encanto estava justamente no fato de não o possuir. Livre, ele conseguia derramar na janela do quarto, a parcela de encanto que seria necessário, para que a menina pudesse suportar a vida.
O encanto alivia a existência...

Aprisionado, ela o possuia, mas não recebia dele o que ela considerava ser a sua maior riqueza: o canto!

Fico pensando que nem sempre sabemos recolher só encanto...

Por vezes, insistimos em capturar o encantador, e então o matamos de tristeza.

Amar talvez seja isso: Ficar ao lado, mas sem possuir. Viver também.

Precisamos descobrir, que há um encanto nosso de cada dia que só poderá ser descoberto, à medida em que nos empenharmos em não reter a vida.

Viver é exercício de desprendimento. É aventura de deixar que o tempo leve o que é dele, e que fique só o necessário para continuarmos as novas descobertas.

Há uma beleza escondida nas passagens...

Vida antiga que se desdobra em novidades. Coisas velhas que se revestem de frescor. Basta que retiremos os obstáculos da passagem. Deixar a vida seguir. Não há tristeza que mereça ser eterna. Nem felicidade.

Talvez seja por isso que o verbo dividir nos ajude tanto no momento em que precisamos entender o sentimento da tristeza e da alegria. Eles só são suportáveis à medida em que os dividimos...

E enquanto dividimos, eles passam, assim como tudo precisa passar.

Não se prenda ao acontecimento que agora parece ser definitivo. O tempo está passando...

Uma redenção está sendo nutrida nessa hora...

Abra os olhos. Há encantos escondidos por toda parte. Presta atenção. São miúdos, mas constantes. Olhe para a janela de sua vida e perceba o pássaro encantado na sua história. Escute o que ele canta, mas não caia na tentação de querê-lo o tempo todo só pra você. Ele só é encantado porque você não o possui.

E nisto consiste a beleza desse instante: o tempo está passando, mas o encanto que você pode recolher será o suficiente para esperar até amanhã, quando o pássaro encantado, quando você menos imaginar, voltar a pousar na sua janela.

Padre Fábio de Melo

segunda-feira, 8 de abril de 2013

Deus Não se Cansa de Nós!

É tão bom a gente substituir os sentimentos negativos pelas verdades de Deus.
É tão bom a gente substitui os nossos sentimentos mentirosos pelas verdades de Deus. 
As nossas mentiras que tantas vezes insistem em nos condenar são contrárias a essa certeza de que Deus não se cansa de nós. 

Oh minha gente, como é bom a gente ser amado por pessoas que não se cansam de nós. 
Como é bom a gente ser olhado por pessoas que sabem esperar pelo tempo que a gente precisa pras coisas porque só quem espera sabe conquistar. 

Eu costumo dizer e gosto de dizer sempre, que laços de parentesco não são certezas de que já estamos conquistados. 
O que faz diferença nesta vida é a conquista de todo dia e de toda hora. Ou você conquista os que você ama hoje ou daqui a pouco você é apenas parente dessas pessoas e nem sempre a gente ama os parentes que tem. 
As pessoas que fazem diferença na vida da gente são aquelas que nos conquistaram e onde é que mora a conquista? Na capacidade de olhar o outro e de permitir que ele seja ele e de interferir na vida dele pra que ele possa crescer com a nossa presença e com o nosso jeito de ser na vida dele. Aí está a beleza de acreditar no amor e na misericórdia de Deus. 
Saber que esse Deus nos olha nos olhos e que sabe do nosso tempo e que espera por nós. 

Às vezes, nós não conseguimos viver a misericórdia na nossa vida por causa disso, a gente não sabe esperar e às vezes com nosso amor machucado, a gente impede o outro de ser de Deus. 
Em nome do amor, entramos na vida do outro e fazemos um estrago porque não sabemos ser para ele aquilo que Deus seria se estivesse no nosso lugar. Deus espera sempre. A gente, não. 
A gente desanima fácil uns dos outros, não é verdade? Eu já desanimei de tanta gente. 
Você já desanimou de tanta gente. E aí, como é que fica a misericórdia na vida daquela pessoa que a gente desanimou dela? 
Se ela não tem outro recurso, não chove o maná no quintal da vida dela, não há mares abrindo. 

O milagre mais bonito e concreto que nós podemos realizar na vida do outro é amor humano, esse sim abre mares, esse sim faz chover maná, outra coisa não. 
Acontecem coisas extraordinárias demais na sua vida, na minha não. O extraordinário, sabe o que que é? 
É eu olhar pras pessoas que me amam e perceber que elas extraem de mim a minha melhor parte, isso sim é extraordinário porque eu vou sendo ressuscitado aos poucos e o outro quando não desanima de mim, coloca em mim um rastro de Deus. 
Porque quanto mais eu amo e humanamente posso trazer o outro pra perto de mim, maior é a capacidade que Deus terá, maior é a possibilidade que Deus terá de agir na vida daquele que estamos acolhendo. 
Eu sei que você tem mil e uma razões pra não acreditar mais em tantas coisas. 
Eu sei que você tem razões pra você desanimar de quem você é. 
Eu sei que você tem razões pra desanimar dos seus sonhos, mas eu gostaria de lhe pedir: me deixa ser Jesus pra você agora. Vai lá, leve isso a sério, me deixa ser Jesus pra você agora. 

Eu iria dizer apenas uma frase: 
ELE AINDA ESPERA POR VOCÊ! ELE AINDA NÃO DESISTIU DE VOCÊ! 
Porque Ele tem razões de sobra pra lhe amar. 
Se eu não tenho razões pra acreditar em você, Ele tem razões de sobra. E se Ele acredita em você, quem sou eu pra duvidar agora!? 
Se Ele ainda espera por você, quem sou eu pra não esperar também e dizer: “Que Eu espero por você! Não me canso de esperar! A porta aberta vou deixar, se quiser pode voltar. E Eu espero por você! 
E não me canso de esperar! 
Meu coração se alegrará quando você se aproximar.”

(Pe.Fábio de Melo)

domingo, 31 de março de 2013

O inacabado que há em mim

Eu me experimento inacabado. Da obra, o rascunho. Do gesto, o que não termina. 
Sou como o rio em processo de vir a ser. A confluência de outras águas e o encontro com filhos de outras nascentes o tornam outro. 
O rio é a mistura de pequenos encontros. Eu sou feito de águas, muitas águas. Também recebo afluentes e com eles me transformo,

O que sai de mim cada vez que amo? O que em mim acontece quando me deparo com a dor que não é minha, mas que pela força do olhar que me fita vem morar em mim? Eu me transformo em outros? Eu vivo para saber. O que do outro recebo leva tempo para ser decifrado. 
O que sei é que a vida me afeta com seu poder de vivência. Empurra-me para reações inusitadas, tão cheias de sentidos ocultos. 
Cultivo em mim o acúmulo de muitos mundos.

Por vezes o cansaço me faz querer parar. Sensação de que já vivi mais do que meu coração suporta. 
Os encontros são muitos; as pessoas também. 
As chegadas e partidas se misturam e confundem o coração. É nesta hora em que me pego alimentando sonhos de cotidianos estreitos, previsíveis.
Mas quando me enxergo na perspectiva de selar o passaporte e cancelar as saídas, eis que me aproximo de uma tristeza infértil.
Melhor mesmo é continuar na esperança de confluências futuras. 
Viver para sorver os novos rios que virão.
Eu sou inacabado. Preciso continuar.
Se a mim for concedido o direito de pausas repositoras, então já anuncio que eu continuo na vida. 
A trama de minha criatividade depende deste contraste, deste inacabado que há em mim. 
Um dia sou multidão; no outro sou solidão. 
Não quero ser multidão todo dia. 
Num dia experimento o frescor da amizade; no outro a febre que me faz querer ser só. 
Eu sou assim. Sem culpas.

Padre Fabio de Melo

quarta-feira, 6 de março de 2013

O Que da Vida Não se Descreve

Eu me recordo daquele dia. O professor de redação me desafiou a descrever o sabor da laranja. Era dia de prova e o desafio valeria como avaliação final. Eu fiquei paralisado por um bom tempo, sem que nada fosse registrado no papel. Tudo o que eu sabia sobre o gosto da laranja não podia ser traduzido para o universo das palavras. Era um sabor sem saber, como se o aprimorado do gosto não pertencesse ao tortuoso discurso da epistemologia e suas definições tão exatas. Diante da página em branco eu visitava minhas lembranças felizes, quando na mais tenra infância eu via meu pai chegar em sua bicicleta Monark, trazendo na garupa um imenso saco de laranjas. A cena era tão concreta dentro de mim, que eu podia sentir a felicidade em seu odor cítrico e nuanças alaranjadas. A vida feliz, parte miúda de um tempo imenso; alegrias alojadas em gomos caudalosos, abraçados como se fossem grandes amigos, filhos gerados em movimento único de nascer. Tudo era meu; tudo já era sabido, porque já sentido. Mas como transpor esta distância entre o que sei, porque senti, para o que ainda não sei dizer do que já senti? Como falar do sabor da laranja, mas sem com ele ser injusto, tornando-o menor, esmagando-o, reduzindo-o ao bagaço de minha parca literatura?

Não hesitei. Na imensa folha em branco registrei uma única frase. "Sobre o sabor eu não sei dizer. Eu só sei sentir!"

Eu nunca mais pude esquecer aquele dia. A experiência foi reveladora. Eu gosto de laranja, mas até hoje ainda me sinto inapto para descrever o seu gosto. O que dele experimento pertence à ordem das coisas inatingíveis. Metafísica dos sabores? Pode ser...

O interessante é que a laranja se desdobra em inúmeras realidades. Vez em quando, eu me pego diante da vida sofrendo a mesma angústia daquele dia. O que posso falar sobre o que sinto? Qual é a palavra que pode alcançar, de maneira eficaz, a natureza metafísica dos meus afetos? O que posso responder ao terapeuta, no momento em que me pede para descrever o que estou sentindo? Há palavras que possam alcançar as raízes de nossas angústias?

Não sei. Prefiro permanecer no silêncio da contemplação. É sacral o que sinto, assim como também está revestido de sacralidade o sabor que experimento. Sabores e saberes são rimas preciosas, mas não são realidades que sobrevivem à superfície.

Querer a profundidade das coisas é um jeito sábio de resolver os conflitos. Muitos sofrimentos nascem e são alimentados a partir de perguntas idiotas.

Quero aprender a perguntar menos. Eu espero ansioso por este dia. Quero descobrir a graça de sorrir diante de tudo o que ainda não sei. Quero que a matriz de minhas alegrias seja o que da vida não se descreve...

 Fábio de Melo

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

Egoismo


Sinto falta de você. Mas o que sinto falta é de tudo o que é seu e que me falta.

Sinto falta de minhas faltas que em você não faltam.

Sinto falta do que eu gostaria de ser e que você já é.

Estranho jeito de carecer, de parecer amor.

Hoje, neste ímpeto de honestidade

que me faz dizer, Eu descobri minhas carências inconfessáveis

Que insisto em manter veladas.

Acessei o baú de minhas razões inconscientes

E descobri um motivo para não continuar mentindo.

Hoje eu quero lhe confessar o meu não amor,

Mesmo que pareça ser. Eu não tenho o direito de adentrar o seu território 

Com o objetivo de lhe roubar a escritura. Amor só vale a pena se for 

para ampliar

o que já temos.

Você era melhor antes de mim, e só agora posso ver.

Nessa vida de fachadas tão atraentes e fascinantes;

Nestes tempos de retirados e retirantes,

Sequestrados e sequestradores,

A gente corre o risco De não saber exatamente quem somos.

Mas o tempo de saber já chegou. Não quero mais conviver com meu lado 

obscuro,

E, por isso, ouso direcionar meus braços

Na direção da dose de honestidade que hoje me cabe.

Hoje quero lhe confessar meu egoísmo.

Quem sabe assim eu possa Ainda que por um instante amar você de verdade.

Perdoe-me se meu amor chegou tarde demais,

Se meu querer bem é inoportuno e em hora errada.

É que hoje eu quero lhe confessar meu desatino,

Meu segredo tão desconcertante:

Ao dizer que sinto falta de você

Eu sinto falta é de mim mesmo. 

Padre Fábio de Melo(Quem me Roubou de Mim)