quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

"Viver o Natal com a humildade de Nossa Senhora"

O anjo convidou a Virgem a se alegrar, chamando-a “cheia de graça”.
Tal saudação anuncia o fim da tristeza que existe no mundo diante dos limites da vida, do sofrimento, da morte, da maldade, das trevas do mal que parece obscurecer a luz da bondade divina. 
“É uma saudação que marca o início do Evangelho, da Boa Nova”

“A fonte da alegria de Maria é a graça, a comunhão com Deus. Ela é a criatura que, mediante sua atitude de escuta da palavra e da obediência, abriu de modo único as portas a seu Criador, colocando-se nas suas mãos, sem limites”.

“Assim como Abraão, Nossa Senhora também confiou plenamente na divina Palavra, convertendo-se em modelo e Mãe de todos os cristãos. E do mesmo modo, a sua fé também incluiu um momento de incerteza - as trevas da crucificação de seu Filho – antes de chegar à luz da Ressurreição”.

No caminho de fé de cada um de nós: existem momentos de luz e passagens onde parece que Deus está ausente; seu silêncio pesa nos nossos corações e a sua vontade não corresponde à nossa. 
“Mas, quanto mais nos abrirmos a Deus, acolhermos o dom da fé e depositarmos Nele a nossa confiança – como fizeram Abraão e Maria – mais Ele nos ajudará a viver as situações da vida em paz e com a certeza de sua fidelidade e de seu amor.
Isto acarreta que saiamos de nós mesmos e de nossos projetos e deixemos que a Palavra de Deus seja a lâmpada que guie nossos pensamentos e ações”.

“A fé sólida de Maria foi possível graças à sua atitude constante de diálogo íntimo com a Palavra de Deus, à sua humildade profunda e obediente, que aceitou tudo, até o que não compreendia da ação de Deus” – recordou o Papa.

A solenidade do Natal nos convida a viver esta mesma humildade e obediência de fé. 
“A glória de Deus não se manifesta no triunfo e no poder do Rei, não resplandece numa cidade famosa, num suntuoso palácio, mas habita no ventre de uma virgem, se revela na pobreza de um menino”.

“No caminho do Advento, ocupa um lugar especial a Virgem Mãe, que acolheu na fé e na carne Jesus, o Filho de Deus. N’Ela vemos a criatura que, de modo incomparável, abriu de par em par as portas ao seu Criador, submetendo-Se livremente à vontade divina na obediência da fé: adere com plena confiança à palavra que Lhe anuncia o Mensageiro de Deus. 
E este «sim» de Maria à vontade divina repete-se ao longo de toda a sua vida até ao momento mais difícil: o da Cruz. 
Ela não se contenta com uma percepção imediata e superficial do que sucede na sua vida, mas entra em diálogo íntimo com a Palavra de Deus e deixa-se interpelar pelos acontecimentos, procurando a compreensão que só a fé pode garantir. 
Maria acolhe mesmo aquilo que não compreende do agir divino, deixando que seja Deus a abrir-Lhe o coração e a mente. 
Assim se tornou modelo e mãe de todos os crentes. Pela sua fé, todas as gerações A chamarão bem-aventurada”.

Papa Bento XVI

terça-feira, 18 de dezembro de 2012

"Mais uma vez o Natal nos bate à porta"

Mais uma vez o Natal nos bate à porta.
E, com ele, todas as esperanças que, para nós, cristãos, representa a Encarnação de Jesus Cristo, de acordo com a promessa que Deus fez aos nossos primeiros pais, logo após a tremenda desobediência do pecado original.

Com a concepção de Jesus, manifesta-se essa ação divina de Amor pelo homem.
Depois, concretiza-se ainda mais, se se pode assim dizer, quando O vemos nascer, totalmente pobre e totalmente inerme, no presépio de Belém, sob os olhares maravilhados de Nossa Senhora e de S. José, aos quais rapidamente se juntam os dos pastores das imediações, alertados pelos anjos que aparecem nos céus.

É esta criança simples e pobre, que veremos mais tarde, já adulta, pregar o Reino de Deus, sofrer a Paixão e Morte, ressuscitar e subir aos Céus e aí nos esperar nas muitas moradas que, com o seu Amor e o seu sacrifício, nos veio preparar nos anos que passou aqui na terra.

Olhemos o presépio que vamos fazer nas nossas casas.
Procuremos descobrir todas as lições de Amor e de desprendimento que ele comporta.
O Menino Jesus, deitado na manjedoura, é o Deus-feito-Homem que nos ama loucamente, nos perdoa os nossos pecados, nos alenta a segui-Lo nos caminhos nem sempre fáceis que a Sua Cruz comporta e nos quer estreitar no abraço eterno do Céu, a fim de que sejamos inteiramente felizes.

Para isso nos criou...

Pe. Rui Rosas da Silva

"Natal não é consumismo, é a festa que canta o dom da vida."
 (Bento XV)

A Amizade É Tudo

Um sentimento natural
Que acontece com razão
É Deus quem escolhe
Quem vai se dar bem
A caminhada é igual
Seguindo a mesma direção
Pensando juntos nós vamos além 

Lágrimas na vitória
Sempre na derrota ou glória
É luz na escuridão
Somos um só coração
Sempre vivo na memória
Faz parte da minha história 

Nada vai nos separar 

A amizade é tudo! 

É se dar sem esperar
Nada em troca dessa união
É ter alguém pra contar
Na indecisão!
Nunca se desesperar
Sempre ali pra estender a mão
Maior valor não há!
É feito irmão!  

Um sentimento natural
Que acontece com razão
É Deus quem escolhe
Quem vai se dar bem
A caminhada é igual
Seguindo a mesma direção
Pensando juntos nós vamos além 

Lágrimas na vitória
Sempre na derrota ou glória
É luz na escuridão
Somos um só coração
Sempre vivo na memória
Faz parte da minha história 

Nada vai nos separar 

A amizade é tudo! 

É se dar sem esperar
Nada em troca dessa união
É ter alguém pra contar
Na indecisão!
Nunca se desesperar
Sempre ali pra estender a mão
Maior valor não há!
É feito irmão! 

Jeito Moleque


segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

Não Olhe Pra Trás

Nem tudo é como você quer
Nem tudo pode ser perfeito
Pode ser fácil se você
Ver o mundo de outro jeito

Se o que é errado ficou certo
As coisas são como elas são
Se a inteligência ficou cega
De tanta informação

Se não faz sentido, discorde comigo
Não é nada demais, são águas passadas
Escolha uma estrada
E não olhe, não olhe prá trás

Você quer encontrar a solução
Sem ter nenhum problema
Insistir em se preocupar demais
Cada escolha é um dilema

Como sempre estou
Mais do seu lado que você
Siga em frente em linha reta
E não procure o que perder

Se não faz sentido, discorde comigo
Não é nada demais, são águas passadas
Escolha uma estrada
E não olhe, não olhe pra trás

Capital Inicial


domingo, 16 de dezembro de 2012

Eu quero!

Hoje eu quero a rua cheia de sorrisos francos
De rostos serenos, de palavras soltas
Eu quero a rua toda parecendo louca
Com gente gritando e se abraçando ao sol

Hoje eu quero ver a bola da criança livre
Quero ver os sonhos todos nas janelas
Quero ver vocês andando por aí

Hoje eu vou pedir desculpas pelo que eu não disse
Eu até desculpo o que você falou
Eu quero ver meu coração no seu sorriso
E no olho da tarde a primeira luz

Hoje eu quero que os boêmios gritem bem mais alto
Eu quero um carnaval no engarrafamento
E que dez mil estrelas vão riscando o céu
Buscando a sua casa no amanhecer

Hoje eu vou fazer barulho pela madrugada
Rasgar a noite escura como um lampião
Eu vou fazer seresta na sua calçada
Eu vou fazer misérias no seu coração

Hoje eu quero que os poetas dancem pela rua
Pra escrever a música sem pretensão
Eu quero que as buzinas toquem flauta-doce
E que triunfe a força da imaginação

Sem Mandamentos - Oswaldo Montenegro

Sorrir perante o fim do mundo

A morte paira sobre nós a cada instante. Quase a podemos respirar. 
Muitos não se dão conta de que estamos sempre muito próximo do fim, que temos a morte por vizinha, íntima. Temem-se muitas coisas sem importância, ao mesmo tempo que se lida com a finitude como se ela fosse tão (im)possível quanto o prêmio máximo de uma qualquer lotaria nacional. 
Mas a morte é uma certeza, absoluta e pessoal. Nenhuma vida será devidamente vivida se o sujeito não sentir que este mundo, tal como é possível para nós agora, pode acabar... já.

Para compreendermos a nossa vida devemos olhar para o nosso passado, mas, se a queremos viver devemos também olhar para diante, talvez com um sorriso, para o amanhã, que será hoje, já daqui a pouco.

Por vezes, perdemo-nos em grandes análises sobre sequências hipotéticas de momentos do nosso passado, a nada, nem a ninguém, isso traz algo de bom, por várias ordens de razões: não altera o que aconteceu; não é sequer plausível que as sequências de eventos que supomos encadeadas se passassem tal como as imaginamos; perde-se tempo... e perde-se sempre tanto tempo em coisas sem importância nenhuma.

Não importa adivinhar o que teria acontecido se isto, ou se aquilo... isso só perturba a vida que realmente interessa: a de hoje. Valerá a pena ter mil passados se, para isso, não se tiver presente nem futuro nenhum?

A vida de cada um é única e irrepetível. Temos, neste mundo, obrigatoriamente um princípio e um fim. 
O que se passa, ou não se passa, para além desse fim, talvez não deva ser motivo de preocupação inteligente – na medida em que não é nesse mundo que vivemos agora – e cabe a cada mundo as suas próprias preocupações. 
Faz sentido ser feliz aqui, porque está ao nosso alcance lutar por isso. 
Apesar de todas as duras tristezas que por vezes nos chovem sobre dos ombros, há uma força que nos anima e nos faz resistir, que nos dá esperança e nos faz sorrir. 
A força da vida cuja essência é a simples busca da felicidade. Uma fé que nos ilumina o caminho.
[.........]

Hoje, um sorriso. Gesto simples que permite que as alegrias mais fundas passem de um coração ao outro atravessando o ar deste mundo. 
Muitas vezes os homens escondem o seu sorriso, privando-se a si mesmos e aos outros de algo que faz... maravilhas. Por vezes é duro sorrir, mas o milagre da multiplicação da alegria funda vale todos os sacrifícios. O amor é o maior de todos os dons, capaz de se oferecer mesmo quando não o vemos ou sentimos. 
O verdadeiro dom, que só existe quando se dá. Capaz de se encontrar todo num simples sorriso.

Não percamos tempo em grande pensamentos sobre o que passou. Na verdade temos um, e um só, passado. Importa assumi-lo sem deixar as imaginações interpretar, justificar ou avaliar o que sucedeu. Estamos presentes, aqui, agora... teremos um número infinito de futuros possíveis e a morte como certeza absoluta. 
Não tem qualquer importância a posição onde o passado nos deixou ontem. Importa ser feliz, hoje.

Enquanto a morte não nos leva, devemos sorrir... ou por vontade ou por amor. Que a felicidade começa num sorriso.

José Luís Nunes Martins - (site Spe Deus)

Você!


Não se esqueça de você
Não se deixe em um canto qualquer
Sorria pra você
Converse com você
Viaje com você
Ouça o que você tem a dizer a você
Não se julgue
Não se condene
Não seja um tribunal
Não se castigue
Mas seja livre
Não se transforme numa cadeia
Cuide de você
Se ame...você pode fazer isso melhor que ninguém
Depois de um convívio desses consigo
Você estará quase no ponto para conviver com os outros
Quase...
Por que o outro é uma descoberta constante
E nem sempre é uma descoberta em si próprio
Então...não se esqueça de você
E não se jogue num canto qualquer
E jamais esqueça e nem permitam que te faça esquecer
O quanto especial é você

Cristina Lira

sábado, 15 de dezembro de 2012

Poucas palavras

Precisamos de amores, de lugares e pessoas que nos façam esperar algo mais da vida. 
Nada é mais importante do que a esperança de um encontro, nada é mais fundamental que saber e sentir-se parte de uma escolha ou de um desejo. 
E tudo é importante porque nos conduzem ao amor maior.
 Na jornada dos amores da terra podemos chegar ao Amor do Céu.

Pe. Rômulo Azevedo da Silva

Semente do Amanhã


Ontem um menino que brincava me falou
que hoje é semente do amanhã...

Para não ter medo que este tempo vai passar...
Não se desespere não, nem pare de sonhar

Nunca se entregue, nasça sempre com as manhãs...
Deixe a luz do sol brilhar no céu do seu olhar!
Fé na vida Fé no homem, fé no que virá!

nós podemos tudo,
Nós podemos mais
Vamos lá fazer o que será...

Gonzaguinha


sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

A Varanda de Deus

Debruçado na varanda sobre o mundo, olhava, estupefacto com o que lhe era dado ver.

Tinha estado a rezar intensamente, pedindo a Deus que lhe desse compreensão para tantas coisas que aconteciam no mundo, e que ele não conseguia perceber.

Eram cataclismos, violências, guerras, ódios, crimes, enfim um nunca parar de coisas horrendas, pelas quais ele como tantos outros, perguntava amargurado:
- Meu Deus porquê? Porque permites tais coisas? Porque as deixas acontecer?

Deus respondeu-lhe então, numa voz muito audível ao seu coração, perguntando-lhe:
- Acreditas que eu fui o teu criador e o criador do mundo? E se acreditas nisso, acreditas que te criei em liberdade para que tu escolhas o teu caminho e a vida que queres viver?

Humildemente, baixou a cabeça e respondeu:
- Sim Senhor, acredito!

Foi então que se sentiu transportado para aquela varanda, podia chamar-lhe a “varanda de Deus”, porque tinha vista ao mesmo tempo sobre todo o mundo.

Deus disse-lhe suavemente, com a voz repassada de tristeza:
- Fica aqui por uns momentos, tantos quantos queiras, e vai reparando no que se passa no mundo, para que obtenhas respostas ao que me perguntaste.

Deixou-se então ali ficar, e começou a olhar, vendo o que se passava no mundo.
Era tudo tão nítido, tão perto, tão real, que tudo o que via o deixava verdadeiramente estupefacto, envergonhado, esmagado de tristeza.

Para todos os lados da terra para onde olhasse via homens a testarem armas, a prepararem-se para a guerra, a provocarem ódios e inimizades, e seguidamente a matarem-se “metodicamente” em batalhas que a nada levavam.

Via a homens a odiarem-se, a prepararem vinganças, a ofenderem-se, ferirem-se, a matarem-se, pelos motivos mais fúteis.

Via homens a exercerem violências inauditas sobre mulheres, sobre crianças, os mais fortes a dominarem os mais fracos.

Via gente cheia de tudo, gente a quem nada faltava e tudo sobrava, e mesmo ao lado gente faminta, nua, gente sem esperança.

Reparou em tantos homens e tantas mulheres, envolvidas em orgias de prazer mundano, depois reflectidas em profundas depressões.

Percebeu envergonhado na imensidade de grávidas que matavam os seus filhos no seu próprio ventre.

Via por todo o lado os homens de costas voltadas, os miseráveis pelo chão e ninguém se incomodar com eles.

Viu ainda tanta gente que andava pelo mundo á espera de uma palavra, de um sorriso, de um conforto, mas que afinal eram “transparentes”, aos olhos daqueles que por eles passavam.

Percebeu também, no meio de todo este horror, algumas ilhas de bondade, de uns poucos, no meio de tantos, que se preocupavam com tudo e queriam o bem de todos.

Não quis ver mais, porque a visão de tudo era insuportável aos seus olhos, ao seu coração, até porque sentia que também fazia parte de tudo aquilo.

Deus olhou para ele, com aqueles olhos imensos de amor eterno e perguntou-lhe:
- Não são todos criaturas minhas? Em alguma coisa os distingui entre os que fazem o bem e os que fazem o mal? Não são todos livres de fazerem a sua própria vontade?

Numa voz sumida e envergonhada apenas respondeu:
- Sim, Senhor.

Serenamente, Deus disse-lhe:
- Então que queres que Eu faça? Que lhes retire a liberdade? Que os obrigue a fazer a minha vontade? Para que lhes serve então a inteligência e a consciência que lhes dei?

Sem saber o que dizer, apenas abanava a cabeça, sem levantar os olhos para Deus.

Deus continuou:
- Se uns usam a liberdade que lhes dei para fazerem o bem, porque é que os outros não o fazem também?
Que têm feito os homens do mundo que lhes dei?
Não vês a destruição da natureza, da beleza da criação?
É vontade minha, por acaso?

Mas ele nada conseguia dizer, porque nada havia que protestar, ou contestar.

Deus disse-lhe então:
- Foi-te dado ver o que os homens fazem da liberdade que lhes dei. Foi-te dado perceber que uns a utilizam para o bem e outros para o mal.
Abre o meu Livro e perceberás que desde sempre peço ao homem para fazer a minha vontade, pois só assim encontrará a felicidade.
Até dei ao homem o Meu próprio Filho, para que lhe revelasse a minha vontade, mas torturaram-no e mataram-no!
Ressuscitou ao terceiro dia e deu provas da Sua Ressurreição e mesmo assim não acreditaram, não acreditam.
Ao longo dos tempos, e hoje ainda, sempre houve homens e mulheres testemunhas do bem e do amor, que viveram segundo a minha vontade, e também esses desprezaram e ainda desprezam, alguns até mataram e ainda matam.
Não sei castigar, apenas sei amar!
Que queres tu que Eu faça?

Humildemente, de cabeça baixa, disse:
- Que tenhas compaixão, Senhor!
Que continues a amar-nos com o Teu eterno amor!
Que nos perdoes quando Te perguntamos porque acontece isto ou aquilo, sabendo nós que a culpa é apenas nossa, é apenas da forma como usamos a liberdade que Tu mesmo nos deste.
E suscita, Senhor, mais homens e mulheres que levem a Tua Palavra, que falem da Tua vontade e que dêem testemunho da alegria e da felicidade que é a vida em Ti, conTigo e para Ti.

Deus abraçou-o então, e disse:
- Vai em paz meu filho. Uma coisa podes tu ter a certeza: faça o homem o que fizer, o meu amor por ele permanece inalterado, e os meus braços estarão sempre abertos para o receber.
A liberdade sempre a terá, porque essa é a prova mais pura do meu amor por ele.

Abriu os olhos, olhou em redor, e calmamente com uma grande paz no seu coração, deu graças a Deus.

Joaquim Mexia Alves - (do site Spe Deus)

quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

Antes morrer

Nosso país é, no mínimo, curioso. 
Em novembro de 2012, José Eduardo Cardozo declarou: “Do fundo do meu coração, se fosse para cumprir muitos anos em alguma prisão nossa, eu preferiria morrer”. 
Mais curioso ainda é que esse cidadão é justamente o ministro da Justiça. Mesmo que ele não tenha responsabilidade direta sobre “alguma prisão nossa”, ele ostenta, no título do cargo, a palavra justiça. Coincidentemente, o ministro fez essa declaração, tipo desabafo, um dia depois de o Supremo Tribunal Federal ter condenado José Dirceu a dez anos e dez meses de prisão. 
Foi preciso um ex-ministro ser condenado para que o titular da Justiça classificasse de medieval a estrutura do sistema prisional brasileiro. 
Com relação à corrupção, disse que “é um negócio que infelizmente vem da nossa cultura”.

Acho eu que é também da nossa cultura não admitir o óbvio, tapar o sol com peneira, fugir às evidências negando ou dissimulando o que é evidente, como escândalos públicos e notórios que prejudicam, direta ou indiretamente, a população. 
Só agora, estar encarcerado ou, como se diz na gíria, ver o sol nascer quadrado, no Brasil, aparece como “não dignificante”, vale dizer, degradante. 
Nossas autoridades em geral não admitem fracassos, ou sempre têm uma resposta para minimizá-los. Serve-se suculenta pizza com uma doce limonada feita com limão azedo. 
Em suma, falta autocrítica, pessoal e institucional, inclusive às obras, feitas ou por fazer. Sei que na prática é difícil ser autêntico. 
Maquiar, criticar, prometer é fácil; difícil é fazer. 
Mas é preciso fiscalizar o básico, independentemente das pessoas atingidas, sobretudo quando se propalam, demagogicamente, medidas em favor das minorias marginalizadas.

Curioso, ainda, é que a palavra cárcere significa também o lugar de onde saíam os cavalos, nos circos da antiga Roma. 
Ah! Qualquer semelhança pode ser mera coincidência, a menos que esses cavalos fossem tratados a pão de ló.

Prof. Antônio de Oliveira

quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

Frases escolhidas...

Que eu envelheça... 
"Que na minha pele, possam surgir todas as possíveis rugas. 
Mas, que meu coração, jamais fique indiferente ao amor... 
Que eu nunca, perca o poder de demonstrar um gesto de ternura." 
(Raquel Free)
***
"Todo dia é uma ocasião especial. 
Guarde apenas o que tem que ser guardado: 
lembranças, sorrisos, poemas, cheiros, saudades e momentos."
(Martha Medeiros)
***
“ Porque a gente tem que acreditar. 
Tem que saber enxergar as coisas na vida. 
Sempre tem uma saída. Sempre. 
Sempre existe um novo olhar, um novo caminho, uma nova maneira. ” 
( Clarissa Corrêa ) 
***
"O verdadeiro amor nunca se desgasta. 
Quanto mais se dá mais se tem. "
(Antoine de Saint-Exupery)
***
"Tenho consciência de ser autêntica e procuro superar 
todos os dias minha própria personalidade, 
despedaçando dentro de mim tudo que é velho e morto, 
pois, lutar é a palavra vibrante 
que levanta os fracos e determina os fortes. 
O importante é semear. "
(Cora Coralinaupéry )
***
"Colecionar mágoas impede 
você de perceber a coleção de bênçãos que você já tem." 
(Scheila A. Hinnah )
***
"O amor não é um hábito, um compromisso, ou uma divida. 
Não é aquilo que nos ensinam as músicas românticas... 
O amor é indefinição. 
Ame e não pergunte muito. 
Apenas ame..."
(Paulo Coelho) 
***
"Sempre que possível, seja claro. 
Mas, que sua clareza não seja o motivo para ferir o outros." 
(Paulo Coelho)
***
"Todas as batalhas na vida servem para ensinar-nos algo, 
inclusive aquelas que perdemos." 
(Paulo Coelho)
***
"Nós sempre temos tendência de ver coisas que não existem, 
e ficar cegos para as grandes lições que estão diante de nossos olhos." 
(Paulo Coelho)
***
"Escolher um caminho significa abandonar outros 
- querer percorrer todos os caminhos possíveis 
é acabar não percorrendo nenhum. "
(Paulo Coelho)
***
"Você pode cuidar de todas as tuas flores 
oferecendo sempre a mesma água todos os dias. 
Porque não é exatamente o que você faz 
que às deixará felizes, 
Mas, o tempo que você se dedica a elas..." 
(Augusto Branco)
***
“Deus é isto: 
A beleza que se ouve no silêncio. 
Daí a importância de saber ouvir os outros: a beleza mora lá também.” 
(Rubem Alves)
***
“A gente precisa é saber criar espaço, 
não importa o tamanho dos apertos. 
A gente precisa é de um olhar fresco, que não envelhece, 
apesar de tudo o que já viu.” 
(Ana Jacomo)
***
“Que as dificuldades que eu experimentar ao longo da jornada 
não me roubem a capacidade de encanto.” 
(Ana Jácomo)
***
"A vida guarda a sabedoria do equilíbrio 
e nada acontece sem uma razão justa."
(Zíbia Gasparetto)
*** 
“Somos feitos para a felicidade. 
Para a troca. Para a paz. Para a bondade. 
Para facilitarmos a existência uns dos outros. 
Para a coragem e a alegria de simplesmente ser.” 
(Ana Jácomo)
***
"Meu caminho é feito de uma alma com pés valentes, 
mesmo quando cansados arriscam mais um passo.
 É essa doce valentia que me trouxe até aqui." 
(Ana Jácomo)
***
“Quando um sorriso começa a morar no nosso olhar,
 parece mágica: um monte de coisas, às vezes até sisudas, 
começam a sorrir pra gente, de repente.” 
(Ana Jácomo)
***
"Não há lugar para onde correr: as mudanças, 
quando precisam acontecer, sabem como nos encontrar." 
(Ana Jácomo)
***
“Sou dessa leva de gente que tem como sina ver demais. 
Sentir demais.... 
Amar quase do tamanho do amor.”
(Ana Jácomo)
***
"A vida tem me ensinado - ao longo da jornada - 
que as palavras, muitas vezes, mentem. 
Os olhos, geralmente, não." 
(Ana Jácomo) 
***
"Pessoas que te passam uma sensação de alívio imediato 
mesmo em silêncio, são as que você deve manter por perto."
Caio Fernando Abreu
***
"Cada momento de beleza vivido e amado, 
por mais efêmero que seja, é uma experiência completa 
que está destinada á eternidade. 
Um único momento de beleza e amor, justifica uma vida inteira." 
(Rubem Alves)

terça-feira, 11 de dezembro de 2012

Aconchego de Paz

A paz que você tanto almeja faz morada em seu coração e anseia por fazer-se sentir em seus relacionamentos consigo mesmo, com o mundo e com Deus. 

Acalente a paz! Vez por outra, distancie-se de fontes de barulho e mergulhe no silêncio. Ouça Deus que fala no esplendor da Criação, no âmago de seu coração e lhe faz o convite: "Venha a um lugar deserto..." Acalente a paz ouvindo os sons da natureza ou estilos de músicas que acalmam, relaxam e harmonizam.

Alimente a Paz
! Considere suas leituras, diversões, o uso que faz dos meios eletrônicos e questione o que disso resulta para seu sistema nervoso, seu modo de pensar, sentir e agir. Alimente a paz fazendo escolhas inteligentes. Que tanto seu corpo quanto sua mente e espírito tenham alimento e tratamento saudáveis.

Repense a Paz! Mostre compreensão para consigo e para com quem lhe causa alguma ofensa ou agressão. Espere que se acalmem as tormentas, e que não afetem suas reações.

Experimente ler nas entrelinhas, olhar os acontecimentos com os olhos de Deus, ir além das aparências, devolver recados amorosos, lembrando Cristo que disse: "Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem".

Acorde a Paz! Avalie seu envolvimento em tantas atividades e ofereça mais tempo para ouvir o que seus familiares, amigos, vizinhos e colegas têm a dizer. Há preciosidades no passado, tesouros de família que fazem parte de sua história e, cujo resgate, podem dar novo sentido à sua vida. Lembre-se: Você faz parte de um todo, interage com muitas pessoas, mas as mais próximas são as que têm a possibilidade de ajudá-lo.

Reconsidere a Paz! Experimente encontrar tempo e jeito de aproximar-se dos atarefados, cansados e nervosos; oferecer companhia de silenciosa espera, lembrando o Mestre que disse: "Vinde a mim, vós que estais cansados e sobrecarregados... aprendei de mim que sou manso e humilde de coração". Saboreie a prosa e a poesia, os serões na varanda, o jantar à luz de velas, passeios ao luar, artesanato, histórias, canções e brincadeiras.

Acolha a Paz! Aquiete-se! Encontre tempo e espaço para Deus e sintonize com o infinito.

Ouça a voz dos Anjos em coro: "Glória a Deus nas Alturas e Paz aos homens de boa vontade"!

Aceite o abraço da graça, da misericórdia e do perdão, da reconciliação e da paz. Abra os ouvidos de seu coração para a voz do Ressuscitado que ainda repete: "Dou-vos a paz, deixo-vos a minha Paz"

Você é um presente de Deus para nós! Areje sua morada interior, limpe as vidraças, deixe o sol fazer festa nas arestas do seu coração. Convide o luar ou as estrelas para brincarem de acender centelhas de risos, centelhas de fé.

Embrulhe-se em delicadezas e simplicidade e prepare-se para receber JESUS - o Príncipe da PAZ. Em cada celebração de Natal, Ele pede amorosamente, acolhida e pousada em seu coração, morada preferida de Deus.

Tenha um Natal cheio de luz, cheio de amor e bondade, em aconchego de paz, no Coração Divino-Humano do Aniversariante - JESUS! 

Ir. Zuleides M. de Andrade, ASCJ

segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

Hoje acordei para vencer

A auto-mensagem positiva logo pela manhã é um estímulo que pode mudar o seu humor, fortalecer sua auto-confiança e, pensando positivo, você reunirá forças para vencer os obstáculos...
Não deixe que nada afete seu estado de espírito.
envolva-se pela música, cante ou ouça.
Comece a sorrir mais cedo ao invés de reclamar quando o relógio despertar.
Agradeça a Deus pela oportunidade de acordar mais um dia.
O bom humor é contagiante: espalhe-o.
Fale de coisas boas, de saúde, de sonhos, com quem você encontrar.
Não se lamente, ajude as outras pessoas a perceber o que há de bom dentro de si.
Não viva emoções mornas e vazias. Cultive seu interior, extraia o máximo das pequenas coisas.
Seja transparente e deixe que as pessoas saibam que você as estima e precisa delas.
Repense seus valores e dê a si mesmo a chance de crescer e ser mais feliz.
Tudo que merece ser feito, merece ser bem feito. Torne suas obrigações atraentes, tenha garra e determinação. Mude, opine, ame o que você faz.

Não trabalhe só por dinheiro e sim pela satisfação da "missão cumprida".
Lembre-se: nem todos têm a mesma oportunidade. Pense no melhor, trabalhe pelo melhor e espere pelo melhor.
Transforme seus momentos difíceis em oportunidades. Seja criativo, buscando alternativas e apresentando soluções ao invés de problemas.
Veja o lado positivo das coisas e assim você tornará seu otimismo uma realidade.
Não inveje. Admire!
Seja entusiasta com o sucesso alheio como seria com o seu próprio.

Idealize um modelo de competência e faça sua auto-avaliação para saber o que está lhe faltando para chegar lá.
Ocupe seu tempo crescendo, desenvolvendo sua habilidade e seu tempo.
Só assim não terá tempo para criticar os outros. Não acumule fracassos e sim experiências. Tire proveito de seus problemas e não se deixe abater por eles.

Tenha fé e energia, acredite: Você pode tudo o que quiser.
Perdoe, seja grande para os aborrecimentos, pobre para a raiva,
forte para vencer o medo e feliz para permitir a presença de momentos infelizes.
Não viva só para seu trabalho. Tenha outras atividades paralelas como: esportes, leitura... cultive amigos. O trabalho é uma das contribuições que damos para a vida, mas não se deve jogar nele todas as nossas expectativas de realizações.
Finalmente, ria das coisas à sua volta, ria de seus problemas, de seus erros, ria da vida:

 "A gente começa a ser feliz quando é capaz de rir da gente mesmo".
Autor desconhecido

domingo, 9 de dezembro de 2012

'Um anel especial'

Abriu a porta da joalharia. Era jovem, simpático e bastante decidido. Sem olhar para as vitrinas, afirmou categoricamente que queria comprar um anel especial. O joalheiro mostrou-lhe um que lhe parecia apropriado. O rapaz contemplou-o com calma e, com um sorriso, manifestou o seu agrado. Inquiriu o preço. Preparava-se para abrir a carteira quando o ourives lhe perguntou:


«Vai-se casar em breve?». Gerou-se um momento de silêncio, como se a pergunta o apanhasse desprevenido. «Não. Nem sequer tenho namorada …» respondeu o rapaz. A surpresa do joalheiro divertiu-o. Depois continuou, como quem se convence de que, naquela ocasião, valia a pena dar uma explicação mais pormenorizada.

«É para a minha mãe. Quando eu ainda não tinha nascido, ela ficou sozinha. Alguém lhe aconselhou que interrompesse voluntariamente a gravidez, ou seja, que não me deixasse viver. A lei nessa altura facilitava tudo e, ainda por cima, o Estado “paternalmente” pagava todos os custos. Mas ela negou-se. Deixaram-na ainda mais sozinha. Havia muita gente disposta a ajudá-la a “livrar-se do incômodo” de ter um filho, mas pouca gente disponível para eliminar as dificuldades que tinha na sua vida.

Mas ela negou-se. Teve muitos problemas, muitos. Foi pai e mãe para mim ao mesmo tempo. Também foi amiga, irmã e sobretudo professora. Ensinou-me o sentido da vida. Fez-me ser aquilo que sou. Agora que já tenho algumas possibilidades, quero oferecer-lhe este anel especial. Ela nunca teve nenhum. Mais tarde, comprarei outro para a minha futura noiva. Mas será sempre o segundo. O primeiro, quero que seja para a minha mãe». O joalheiro não disse nada. Somente pediu ao empregado que o rapaz tivesse um desconto que só faziam aos clientes especiais.

Esta história faz-nos pensar. Será que em situações difíceis a “única solução” é suprimir legalmente a vida? Não nos apercebemos que uma lei assim facilita as pressões sobre a mulher para que essa seja vista como a “única solução”? Por acaso o dinheiro não seria melhor empregue em salvar vidas em vez de empregá-lo para eliminá-las?

E os problemas da mulher que está grávida? Será que não nos damos conta de que não podemos resolver os problemas de uma pessoa matando outra pessoa? Essa é a lógica da guerra. Essa é a lógica da violência. Essa não é a lógica da maternidade.

A mulher, numa situação difícil, necessita da nossa ajuda, da ajuda da sociedade. A morte do filho não resolve os seus problemas de pobreza ou falta de condições para o educar. Além disso, a proibição de abortar protege a mulher das fortes pressões a que muitas vezes se vê sujeita por aqueles que tem ao seu lado.

Por último, não nos esqueçamos de pensar com calma que quando falamos do aborto estamos sempre a fazer referência a algo que é para os outros. Nós somos um embrião que foi respeitado.

Pe. Rodrigo Lynce de Faria


Oferecimento a Deus

Tem o homem alguma coisa para oferecer a Deus? 
Tem, sim: a sua fé e o seu amor. 
É isto o que Deus pede ao homem, e assim está escrito: 
-«E agora, Israel, o que o Senhor, teu Deus, exige de ti é que temas o Senhor, teu Deus, para seguires todos os Seus caminhos, para O amares, para servires o Senhor, teu Deus, com todo o teu coração e com toda a tua alma». (Dt 10,12).
 Eis os presentes, os dons que devemos oferecer ao Senhor. E para Lhe oferecermos estes dons com o coração, temos primeiro de O conhecer ; temos de ter bebido o conhecimento da Sua bondade nas águas profundas do seu poço. [...]

Orígenes, presbítero e teólogo

sábado, 8 de dezembro de 2012

Permissão

Permita Senhor 

Que da terra brote sempre a flor 

E que da flor aconteça 

Os meus olhos para contemplar 

As violetas que eu não tenho 

E o alfazema que não sou 

E eu preciso Senhor, dos girassóis 

Do aconselhamento dos lírios 

Do esplendor do orvalho 

Adornando a relva de brilhantes 


Permita Senhor, a primavera 

O trabalho das abelhas 

O bailado do beija flor 

A formiga com o seu ninho 

E a árvore para o castor 

O despertamento nosso de cada dia 

Na alegria das ovelhas 

No riso do pastor 

(João das Flores)
"Os jardins de Carolina"

Queremos sempre mais...

Quanto mais nos preocupamos em ter e preservar o que já temos, mais ainda deixamos de viver a vida na sua totalidade. Imagina então quando sentimos sempre uma necessidade, de sempre possuir ainda mais.
Uma vida plena e satisfeita, pouco ou quase nada tem a ver com a quantidade de coisas que possuímos e juntamos ao longo da nossa vida.

Na verdade, a humanidade deveria evoluir espiritualmente a um ponto, onde todos percebessem que para viver bem, sempre foi e será essencial termos apenas o necessário em vida, nada mais além disso.
Possuir tantas coisas que na sua grande maioria não precisamos, só nos acrescentam dores ou preocupações desnecessárias; facilmente evitáveis nas nossas vidas.
Primeiro, todo um esforço que se faz em conseguir tudo o que desejamos, depois um esforço maior e mais longo em manter a todos perto da gente.

Cuidando, zelando, protegendo de serem roubados, não confiando a ninguém nada do que nos pertence.
Ao final da nossa vida, você poderá perceber, quanto tempo se gastou com coisas que poderiam facilmente ter passado sem elas. Perceber que gastou muito tempo da sua vida se preocupando com elas, enquanto toda uma vida, com todas as possibilidades de felicidades e de possibilidades de evoluir ainda mais, também lhe passaram despercebidos.

Não houve tempo de perceber toda essa felicidade passando na sua vida, por estar sempre tão ocupado e preocupado em sempre algo a mais juntar.
Não espere chegar a esse futuro desolador e perceber todo um tempo perdido, na busca por tantas coisas nessa vida.

Nunca existirão objetos, por maiores e mais valiosos que sejam, que tenha conseguido, que possa valer todo um tempo que não viveu.
Não estou fazendo uma apologia a pobreza, a falta de interesse em progredir ou ter objetos confortáveis que poderá tornar a sua vida mais agradável.

A questão maior, sempre será perceber se na busca por eles, estará deixando de viver esse momento presente. Se a sua resposta for “sim”, posso lhe assegurar, não vale a pena e nunca valerá.
Que se trabalhe, que se consiga o que deseja, mais sem jamais abrir mão de se viver o momento de agora.

Esse é o nosso maior tesouro em vida.

A nossa vida, esse momento bem vivido com todas as possibilidades de sermos cada dia mais felizes e realizados.

Para sentirmos essa emoção, não precisamos de muitas coisas.

Raquel Free

Desejo-lhe o suficiente

Recentemente, ouvi uma mãe e sua filha em seus últimos momentos juntos no aeroporto, quando a partida da filha tinha sido anunciada. De pé perto do portão de segurança, elas se abraçaram e a mãe disse "Eu te amo e te desejo o suficiente." A filha respondeu: 
"Mãe, nossas vidas juntas tem sido mais do que suficiente. Seu amor é tudo que eu sempre precisei. Desejo-lhe suficiente, também, mãe." Elas se beijaram e a filha partiu.

A mãe foi até a janela onde eu estava sentado. Parado ali, eu podia ver que ela queria e precisava chorar. Tentei não me intrometer em sua privacidade, mas ela me acolheu perguntando: "Você já disse adeus a alguém sabendo que seria para sempre?" "Sim, já", eu respondi. "Perdoe-me por perguntar, mas por que isso é um adeus para sempre?" "Bom, eu estou velha e ela mora tão longe. Tenho desafios pela frente e a realidade é que a próxima viagem de volta será para o meu funeral", disse ela.

Quando você estava se despedindo, eu ouvi você dizer: " Desejo-lhe o suficiente." Posso perguntar o que isso significa? "

Ela começou a sorrir.

"É um desejo que tem sido passado de outras gerações. Meus pais costumavam dizer isso para todo mundo."

Ela fez uma pausa e olhou para cima como se estivesse tentando se lembrar em detalhes e sorriu mais ainda.

Quando dizemos "Desejo o suficiente" estamos desejando à outra pessoa que tenha uma vida cheia de coisas boas o suficiente para sustentá-las ". Em seguida, voltando-se para mim, ela compartilhou o seguinte, recitando-lo da memória:

Desejo-lhe sol o suficiente, para manter suas atitudes brilhantes.

Desejo-lhe chuva o suficiente, para apreciar o sol mais ainda.

Desejo-lhe felicidade o suficiente, para manter seu espírito vivo.

Desejo-lhe pequenas dores o suficiente, para que as menores alegrias na vida pareçam muito maiores.

Desejo-lhe que ganhe o suficiente para satisfazer seus desejos.

Desejo-lhe que perca o suficiente, para apreciar tudo que possui.

Desejo-lhe que tenha "olá" o suficiente te acompanhando até o seu último adeus. "

Ela, então, começou a chorar e foi embora.

Dizem que levamos um minuto para encontrar uma pessoa especial. Uma hora para apreciá-las. Um dia para amá-las. E uma vida inteira para esquecê-las.

Autor desconhecido

quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

Despedidas


Despedida é sempre triste? Eu mesmo respondo, já que perguntei: nem sempre. As lágrimas parecem inevitáveis, mas elas podem expressar apenas o momento da separação, da ruptura, aquele instante em que alguém foge ao alcance de nossos olhos e de nossas mãos. No entanto, mesmo sob o manto de uma tristeza, o que pode inundar aos poucos o coração, muitas vezes, é uma alegria de que a gente só se dá conta depois da despedida.

Como todo mundo, eu já passei por despedidas sofridas. Quando meu pai estava internado no hospital, em seu último dia de vida, eu passei a tarde inteira ao lado dele. Estava lúcido, dormia a maior parte do tempo, debilitado pela doença, mas nas vezes em que despertava e trocava olhares comigo, ou algumas palavras, eu sentia que ele estava indo embora. Eu tentava falar do Botafogo ou de alguma enfermeira boazuda quando os olhos dele se abriam para proporcionar alguns últimos momentos de alegria a quem me deu tanta felicidade na vida. Mas houve aquele instante em que a despedida parecia tão próxima que eu aproveitei os últimos momentos com ele ao meu alcance para acariciar seus cabelos ralos enquanto dormia, beijar sua testa, segurar a sua mão, sentir o pulso ainda batendo. Foi como um réquiem de adeus, triste demais. Hoje eu me lembro daqueles momentos como uma réstia de alegria possível diante da fatalidade. Passou um tempo imenso, mas alguma alegria surgiu daquela despedida.

Outro dia fui levar minha filha mais nova, a Cecília, para sua primeira viagem de colégio, uma excursão ao Vale do Paraíba. Dessas de dormir fora uma noite, de levar a mochila com pijama, muda de roupa, escova e pasta de dente. Tínhamos combinado de sair às seis, mas às cinco e meia da madrugada ela já estava pronta, de banho tomado, maquiada e tudo. No caminho até o colégio, ela não parava de falar e eu, ainda acordando, mal conseguia responder. “Acho que vou explodir”, disse ela a certa altura, de tanta excitação. 

Na porta do colégio, enfileirados junto ao muro, os pais acenavam para os filhos já sentados no ônibus. Alguns faziam últimas recomendações inúteis, como “me passa um torpedo quando chegar lá” ou “não esquece de passar o repelente à noite”, mas eu só conseguia admirar a movimentação intensa da Cecília, sentada na janela, falando como uma tagarela com as amigas, tirando fotos com a máquina que me pedira emprestada. Quando a professora disse que era hora de partir, foi uma algazarra: a porta do ônibus fechando, alguns pais querendo ainda gritar instruções, como técnicos à beira do gramado, outros já apressados se despedindo porque tinham que voltar para casa e ir trabalhar. Eu só queria ver se a Cecília ainda me daria um último olhar de despedida. E ele veio imenso, generoso, os olhos arregalados de vulcão, um sorriso largo.

Ainda bem que eu tinha levado os óculos escuros. Voltei caminhando até o carro misturando lágrimas e lembranças. Fui buscar a minha primeira viagem de colégio no escaninho da memória. Lembrei até do sanduíche de presunto e do suco de groselha, mas não me lembrei da despedida. Eu devia estar em outra esfera, como estava a Cecília.

Não apareço nas fotos da viagem ao Vale do Paraíba. Se a memória da Cecília seguir a trilha da minha, provavelmente ela não irá lembrar a despedida na porta do colégio. Também sei que, enquanto meu pai dormia no hospital, não sentia os carinhos que eu lhe fazia. Mas o que importa? Esse instante da despedida é nosso, só nosso. E cada vez mais eu acho que a alegria, no fim das contas, suplanta qualquer tristeza. Porque cada despedida carrega um novo recomeço.

Alexandre Medeiros (jornalista da Revista Época)